30 de jan de 2015

Entrou oficialmente em operação, no dia 26 de Janeiro, a Rede Comunitária de Educação e Pesquisa de Campinas.

Texto: Luiz Henrique Pires Barione

Também conhecida como Rede Metropolitana de Campinas, ou Redecomep, é uma iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Ministério da Educação (MEC), coordenada pela RNP, com o apoio da Agência Brasileira de Inovação Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) e tem como objetivo a implementação de redes de alta velocidade nas regiões metropolitanas do país servidas pelos Pontos de Presença da RNP.




Fonte: REDECOMEP Campinas (Janeiro 2015)

Para a viabilização de um projeto grandioso e complexo tecnicamente como esse, além do investimento na compra de equipamentos e da instalação de aproximadamente 80 km de rede óptica em anel conectando as 14 instituições participantes, vale destacar a importância das parcerias firmadas com a Prefeitura e a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL). Igualmente importantes foram os esforços na articulação com as demais instituições, por parte da RNP, que idealizou e coordenou todo o trabalho de implementação e da Universidade de Campinas, que participou ativamente das diversas reuniões realizadas e atualmente é a instituição responsável por toda a administração da rede metropolitana.

A RNP explicou que a nova rede faz parte da segunda fase do programa Redecomep, onde o foco é a capilaridade da rede Ipê, o backbone da RNP, com a criação de redes de alta velocidade para colaboração entre instituições de pesquisa em cidades do interior do país. Representa uma oportunidade para contribuir com a democratização do acesso à informação e para a ampliação das áreas de excelência na produção e difusão de conhecimento. Também facilita o desenvolvimento de pesquisas científicas, a integração entre universidades e unidades de pesquisa e a troca de informações inserindo o país no cenário mundial de experimentação de redes ópticas de alto desempenho, oferecendo condições de igualdade aos pesquisadores brasileiros em projetos colaborativos internacionais.

Como o modelo adotado baseia-se na implantação de uma infraestrutura de fibras ópticas própria e na formação de consórcios entre as instituições participantes, espera-se que a rede, fruto da aplicação de recursos públicos para apoio ao desenvolvimento do sistema nacional de ciência, tecnologia e inovação possa crescer e se auto sustentar por pelo menos 20 anos.

O lançamento oficial aconteceu em cerimônia que foi realizada no último dia 26 de Janeiro, às 14h, no Auditório do Conselho Universitário da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), localizado no prédio da reitoria, na Cidade Universitária Zeferino Vaz, em Barão Geraldo, Campinas.

Estiveram presentes o coordenador-geral da Unicamp, Alvaro Penteado Crósta, e pró-reitores; autoridades do Exército Brasileiro e do Poder Executivo Municipal, e diretores da RNP e de instituições, órgãos e institutos que compõem a rede tais como a Pontifícia Universidade Católica Campinas (PUCC), o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), o Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI), o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), a Embrapa Informática Agropecuária (CNPTIA), a Embrapa Monitoramento por satélite (CNPM), o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), o Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL), a  Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), o Centro de Referência em Informação Ambiental (CRIA), a Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPECx), a empresa Informática de Municípios Associados S/A (IMA),  além da própria RNP e da Unicamp

Trata-se de mais um importante passo para o CRIA estreitar as parcerias com as instituições de ensino e pesquisa e com a prefeitura de Campinas no campo da conservação da biodiversidade e do desenvolvimento sustentável da nossa cidade e região. Estreitamos também a parceria com a RNP, importante organização social do país que hoje é responsável pela hospedagem dos equipamentos e servidores com os sistemas de interesse público desenvolvidos e mantidos pelo CRIA.

13 de jan de 2015

Workflows científicos automatizados

Texto: Renato De Giovanni

No final de 2014 foram apresentados os resultados do projeto BioVeL em evento realizado no Instituto Oceanográfico de Paris. Financiado pela comunidade europeia, o projeto BioVeL (laboratório virtual para pesquisa em biodiversidade) dedicou-se a criar uma infraestrutura computacional voltada à criação, execução e compartilhamento de workflows científicos automatizados. Um workflow é um conjunto de tarefas que devem ser executadas em determinada sequência para atingir um objetivo (figura 1). Workflows fazem parte da rotina de pesquisadores, que no entanto costumam realizá-los de maneira fragmentada utilizando diversas ferramentas que nem sempre conversam entre si, muitas vezes tornando o procedimento difícil de ser reproduzido e documentado.

Figura 1: Exemplo de workflow.
Ao longo dos últimos anos várias ferramentas computacionais foram desenvolvidas para facilitar a criação e execução de workflows automatizados, entre elas o gerenciador de workflows Taverna, utilizado pelo projeto BioVeL. O Taverna normalmente é usado em sua versão workbench que é instalada no computador do próprio usuário e dispõe de uma interface gráfica onde os workflows podem ser criados e em seguida executados. Workflows criados com o Taverna também podem ser executados em outros ambientes, como o portal do BioVeL.

Uma particularidade do projeto BioVeL foi utilizar serviços Web como principal recurso na construção de workflows. Ou seja, a maioria das tarefas dentro de cada workflow criado pelo projeto BioVeL na verdade executa o procedimento remotamente. Os serviços Web criados ou melhorados durante o projeto relacionam-se com as áreas de pesquisa em biodiversidade contempladas pelo projeto: taxonomia, modelagem de nicho ecológico, modelagem de ecossistemas, metagenômica, filogenia e modelagem de populações.

A atuação do CRIA no projeto teve como principal foco a área de modelagem de nicho ecológico. Com sua experiência, o CRIA participou ativamente na construção de workflows e aprimorou o serviço Web de modelagem de nicho ecológico que já vinha sendo usado por outros grupos e iniciativas, tais como o portal do GBIF, os usuários do openModeller Desktop e o Sistema de Biogeografia da Flora e dos Fungos do Brasil. Todos os workflows desenvolvidos no projeto encontram-se publicamente acessíveis na plataforma MyExperiment, bem como os respectivos serviços que estão todos registrados no BiodiversityCatalogue onde podem inclusive ser monitorados.

Veja abaixo um vídeo de apresentação do projeto.