24 de fev. de 2021

Nova coleção de borboletas está disponível online na rede speciesLink

 Kátia Aleixo, Associação Brasileira de Estudo das Abelhas - A.B.E.L.H.A.


Desde janeiro deste ano, mais uma coleção de insetos disponibilizou dados e imagens na rede speciesLink, o acervo de Lepidópteros da Santa Genebra. A fototeca é fruto da parceria entre o Centro de Referência em Informação Ambiental (CRIA) e a Fundação José Pedro de Oliveira (FJPO), com o apoio da associação A.B.E.L.H.A..

Atualmente, podem ser acessados 42 registros online na rede speciesLink, incluindo lindas imagens dos espécimes catalogados.


Borboleta conhecida popularmente como Olho-de-coruja (Caligo illioneus) (cc) Lepidópteros da Santa Genebra (LSG).


Borboleta conhecida popularmente como Borboleta-do-girassol (Chlosyne lacinia saundersi) (cc) Lepidópteros da Santa Genebra (LSG)
 

Lepidópteros da Santa Genebra

A fototeca está sob responsabilidade da FJPO e conta com registros de espécies de borboletas de ocorrência na Unidade de Conservação (UC) ARIE Mata de Santa Genebra, maior fragmento de floresta nativa da região metropolitana de Campinas - SP. É interessante destacar que, ao longo de mais de 30 anos, já foram catalogadas 700 espécies em levantamentos realizados na UC. Os espécimes encontram-se depositados na Coleção de Lepidoptera do Instituto de Biociências da UNICAMP.

A fototeca será continuamente incrementada com os registros realizados na ARIE Mata de Santa Genebra pela equipe da FJPO, gestora da UC, e pelos participantes do Programa de Fotografia da Natureza, que busca aproveitar o potencial da fotografia como ferramenta para educação ambiental e promover o envolvimento da comunidade na divulgação e valorização dessa UC de grande importância regional.


Importantes polinizadores

As borboletas e mariposas compreendem a ordem Lepidoptera, segunda maior em número de espécies do grupo dos insetos, atrás apenas de Coleoptera (besouros). Do total de espécies de lepidópteros conhecidas, 90% visitam flores para se alimentarem de néctar e, assim, polinizam centenas de espécies vegetais no país.

Na agricultura, segundo o Relatório Temático sobre Polinização, Polinizadores e Produção de Alimentos no Brasil, as borboletas visitam as flores de 45 cultivos e polinizam quatro deles: laranjeira, mangabeira, pereira e abacaxizeiro-do-cerrado. Ao todo, 40 espécies de borboletas visitam cultivos, das quais 14 atuam como polinizadores.

Já as mariposas visitam as flores de 12 cultivos e cooperam para a polinização do pequizeiro, piquiazeiro, jaracatiazeiro e mangabeira, atuando como principais polinizadores deste último. Um total de 20 espécies de mariposas são visitantes florais de cultivos, sendo 13 delas identificadas como polinizadores.

A rede speciesLink

A rede speciesLink, mantida pelo Centro de Referência em Informação Ambiental (CRIA), é um sistema que tem por objetivo integrar a informação primária sobre biodiversidade que está disponível em museus, herbários e coleções biológicas, tornando-a disponível, de forma livre e aberta na Internet, para o público em geral. Atualmente, existem mais de 15 milhões de registros online na rede, distribuídos em 534 coleções e subcoleções biológicas.


3 de fev. de 2021

Imagens de plantas coletadas no século XVII no nordeste do Brasil são disponibilizadas no INCT Herbário Virtual via rede speciesLink

João Renato Stehmann, Professor do Departamento de Botânica, ICB, UFMG


O Museu de História Natural da Dinamarca compartilhou com o INCT Herbário Virtual as imagens do Herbarium vivum brasiliense, um livro-herbário que contém as primeiras amostras de plantas do Brasil, coletadas por Georg Marcgrave, geógrafo, astrônomo e  naturalista, que esteve na então colônia holandesa, entre os anos de 1638 a 1644.  São 173 exsicatas, contendo amostras de 149 espécies, representadas por plantas nativas e cultivadas da flora do nordeste brasileiro. 

O livro-herbário e diversos manuscritos foram levados para a Holanda e serviram de base para a publicação da Historia Naturalis Brasiliensis (Piso & Marcgrave 1648), editado por Jan de Laet, que faleceu em 1649.  Após sua morte, o herbário foi comprado por Willian Worm e levado para a Dinamarca. Posteriormente foi adquirido pelo então rei da Dinamarca, Frederico III, e incorporado ao acervo real, hoje no Museu de História Natural da Dinamarca.

Herbarium vivum brasiliense, livro-herbário guardado no Museu de História Natural da Dinamarca, com plantas coletadas no nordeste do Brasil por Georg Marcgrave (1638-1644). Ao lado, o Prof. Per Olof Ryding, pesquisador do Herbário C.


Para se ter uma ideia da importância do acervo, devemos lembrar que as outras amostras antigas provenientes do Brasil datam da segunda metade do século XVIII, como aquelas coletadas por Philibert Commerson (e Jeanne Baret), 1767, e de Alexandre Rodrigues Ferreira, entre 1783 e 1792. O acervo digital repatriado pode ser considerado uma verdadeira relíquia!.

O Herbarium vivum brasiliense foi estudado na década de 1970 pelos pesquisadores Dárdano de Andrade-Lima, botânico pernambucano, Anne Fox Maule, Troels Myndel Pedersen e Knud Rahn, dinamarqueses, o que resultou na publicação da lista identificada e comentada das amostras. Quase uma década depois, como forma de divulgar esse importante acervo histórico, o texto do artigo, escrito originalmente em inglês, foi traduzido para o português e publicado como livro, incluindo as fotografias das amostras. 

A divulgação das imagens das plantas coletadas por Marcgrave no INCT Herbário Virtual, em parceria com o Museu de História Natural da Dinamarca, é como a descoberta de um tesouro perdido. Resgata um dos mais importantes patrimônios históricos da flora brasileira, além de possibilitar que a comunidade científica possa, de forma acessível, utilizá-lo na pesquisa e ensino em diversas áreas do conhecimento.

Referências:

Andrade-Lima, D., Maule, A.F., Pedersen, T.M. & Rahn, K. 1977. Marcgrave’s Brazilian Herbarium – Collected 1638-1644. Botanisk Tidsskrift  71: 121–160. 

Andrade-Lima, D., Maule, A.F., Pedersen, T.M. & Rahn, K. 1986. O herbário de Georg Marggraf. Rio de Janeiro: Fundação Nacional Pró-Memória; Recife: Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco. 2 vol.


8 de dez. de 2020

20 anos do Centro de Referência em Informação Ambiental

Hoje, 8 de dezembro de 2020, celebramos o vigésimo aniversário do CRIA, uma instituição constituída para disseminar o conhecimento científico e, dessa forma promover a conservação e uso sustentável dos recursos naturais do país. 

Temos muito o que celebrar! Ao longo do tempo estabelecemos importantes parcerias com instituições de ensino e pesquisa, com destaque às instituições mantenedoras de coleções biológicas do país e do exterior. Juntos, desenvolvemos a rede speciesLink, uma e-infraestrutura de dados sobre a ocorrência de espécimes de acesso livre e aberto a todos os interessados. A rede teve início em 2001 com o apoio do programa Biota Fapesp para integrar os acervos das coleções paulistas. Ao longo dos 19 anos de desenvolvimento, com o apoio das agências de fomento federais como CNPq, CAPES e Finep, e das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa como a Facepe, Fapesp, Fapes e Fapemig a rede conta com pelo menos uma coleção em cada estado da União e do Distrito Federal.

Essa rede provê dados de mais de 15 milhões de ocorrências de espécimes, sendo mais de 90% associados a amostras físicas do material coletado. São coletas desde o período Holandês com o herbário Marcgrave (1637-1644) passando por vários naturalistas como Saint-Hilaire, Martius & Spix, Glaziou e inúmeros outros. 

Inclui também coletas de grandes nomes de pesquisadores brasileiros como o botânico Gerdt Hatschbach, fundador do Museu Botânico de Curitiba e o maior coletor botânico da rede speciesLink, e o Prof. João M. F. Camargo, um naturalista dedicado às abelhas, o maior coletor de espécimes de abelhas na rede speciesLink.

A força da rede é o trabalho coletivo e colaborativo das equipes associadas às 158 instituições com coleções biológicas do país e do exterior que compartilham mais de 15 milhões de registros e 4 milhões de imagens de forma livre a aberto a todos. Aproveitamos essa data para agradecer a esses milhares de pesquisadores que colocam o seu conhecimento a serviço da sociedade.

Agradecemos ainda o Comitê Gestor do INCT-Herbário Virtual da Flora e dos Fungos em nome da Profa. Leonor Costa Maia, coordenadora desse INCT, por todo apoio e parceria nos últimos 10 anos. Incluímos um agradecimento especial à Dra. Ana Lúcia Assad, que nos últimos cinco anos tem trabalhado no fomento às ações de organização e disseminação de informações sobre abelhas, um grupo tão importante para a agricultura e manutenção das nossas áreas naturais.

Outro parceiro fundamental é a RNP,  Rede Nacional de Ensino e Pesquisa, cuja infraestrutura possibilita a participação plena das coleções de todo território nacional na rede speciesLink. A RNP também é responsável pelos serviços em nuvem utilizados pelo CRIA para todo o seu desenvolvimento e manutenção dos sistemas públicos de informação.

Por fim, agradecemos aos membros dos nossos Conselhos Deliberativo e Fiscal, extremamente envolvidos nessa trajetória e parceiro na busca da nossa sustentabilidade institucional.

Equipe do CRIA, 2020 


Aproveitamos a oportunidade para sugerir a visita a outros produtos do CRIA.

  • Flora brasiliensis, a magnífica obra produzida entre 1840 e 1906 pelos editores Carl Friedrich Philipp von Martius, August Wilhelm Eichler e Ignatz Urban, com a participação de 65 especialistas de vários países.
  • Herbário Virtual A. de Saint-Hilaire, apresenta a coleção botânica de Auguste de Saint-Hilaire, incluindo seus cadernos de campo e as plantas do Brasil coletadas durante suas viagens de exploração de 1816 a 1822.
  • Catálogo de Abelhas Moure, produto do trabalho do Padre Jesus Santiago Moure com as espécies de abelhas neotropicais, que teve continuidade por especialistas brasileiros sob a coordenação do Prof. Gabriel Melo.
  • Sistema de Informação Científica sobre Abelhas Neotropicais, uma plataforma de pesquisa que tem por objetivo facilitar o acesso à informação científica disponível em diferentes sistemas on-line.


8 de out. de 2020

O CRIA adere ao movimento Coalizão Brasil

 

A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura é um movimento multissetorial que se formou com o objetivo de propor ações e influenciar políticas públicas que levem ao desenvolvimento de uma economia de baixo carbono, com a criação de empregos de qualidade, o estímulo à inovação, à competitividade global do Brasil e à geração e distribuição de riqueza a toda a sociedade. O CRIA acaba de aderir a esse movimento. Veja a nota "Coalizão Brasil chega a 250 membros".

Trata-se de uma oportunidade para que setores com interesses imediatos distintos como o agronegócio, siderurgia, madeira, cosméticos, papel e celulose, meio acadêmico, organizações da sociedade civil de interesse público como o CRIA entre tantos outros, possam dialogar e se unir em torno de questões maiores como as mudanças climáticas, o desmatamento, a recuperação de áreas degradadas, o desenvolvimento sustentável e a proteção social. 

"Na prática, a Coalizão defende políticas e incentivos econômicos que aproveitem as vantagens comparativas do Brasil e posicionem o país como protagonista global de um novo modelo de desenvolvimento, mais próspero, justo e sustentável, gerador de emprego e renda."

Para mais informações, acesse o site da Coalizão Brasil.


13 de ago. de 2020

Análise do Relatório Lacunas – subfamília Adreninae – julho 2020

Dora Canhos (CRIA), Sidnei de Souza (CRIA) e  Eduardo Almeida (FFCLRP, USP)


Figura 1. EY25663 Rhophitulus pygidialis (Vachal J., 1909) holotype (Fonte: The Hymenoptera collection (HY) (RECOLNAT_MNHN_EY) na rede speciesLink - http://www.splink.org.br, 12/08/2020)


Em julho de 2019 divulgamos nesse Blog o lançamento de uma nova ferramenta para evidenciar as lacunas de dados e conhecimento das abelhas neotropicais que ocorrem no Brasil. O desenvolvimento desse sistema é um produto do projeto "Consolidação da e-infraestrutura de dados abertos sobre a diversidade das abelhas nativas do Brasil" (Processo: 400580/2018-7), financiado pelo CNPq e pela associação A.B.E.L.H.A. e coordenado pelo Prof. Eduardo Andrade Botelho de Almeida da USP, Ribeirão Preto.


A ferramenta produz relatórios semestrais com o objetivo de acompanhar a evolução qualitativa do projeto. O sistema tem como usos esperados:
  • Auxiliar na identificação de abelhas dos grupos taxonômicos pouco estudados e indicar a necessidade de formação de taxonomistas
  • Orientar o trabalho de novas coletas, tanto em relação às espécies como também aos estados prioritários
  • Auxiliar na identificação de grupos prioritários para digitação ou georreferenciamento dos dados
  • Auxiliar na avaliação do status de conservação de espécies.

A presente análise do relatório do sistema Lacunas de conhecimento das abelhas do Brasil  compara os resultados produzidos nos meses de julho de 2019, janeiro de 2020 e julho de 2020 usando como critérios de busca:

Opção 1: busca fonética, incluindo sinônimos de todos os registros com ou sem coordenadas geográficas. Essa é a opção mais inclusiva. A opção “fonética com inclusão de sinônimos” consegue recuperar registros com pequenos erros de digitação e com nomenclatura desatualizada. Ao indicar “todos os registros”, a busca não irá considerar se o registro possui ou não coordenada, nem se é consistente.

Opção 2: busca fonética, incluindo sinônimos de todos os registros com coordenadas geográficas consistentes e distintas. Essa opção continua inclusive em relação ao nome da espécie, mas apresenta restrições quanto à coordenada geográfica, exigindo que ela seja consistente e distinta. No entanto não exige a coordenada na origem, ou seja, informada pela coleção e aceita coordenadas atribuídas pela ferramenta de georreferenciamento automático por município.

Resultados


Opção 1. Busca: fonética, incluindo sinônimos, todos os registros

O sistema classifica as espécies de acordo com o número de registros disponíveis online na rede speciesLink. Essa classificação (I) sem registros no speciesLink; (II) com 1 - 5 registros; (III) com 6 – 20 registros; e, (IV) com mais de 20 registros, procura indicar o potencial do uso dos dados disponíveis online na elaboração de modelos de distribuição geográfica exploratórios, preliminares ou consistentes. É evidente que a qualidade do modelo depende não só do número de registros, mas também da espécie em estudo e da precisão das coordenadas, mas dá uma ideia do esforço de coleta.

Adotamos como estratégia incluir todas as espécies citadas no Catálogo Moure, tanto as que têm indicação de ocorrência no Brasil, como as que não têm. Dessa forma o relatório Lacunas pode indicar as espécies que têm amostras coletadas no Brasil, mas que não têm essa informação no Catálogo Moure. É uma oportunidade para que os editores do Catálogo possam validar essa informação.

Nas tabelas 1 e 2 a seguir:
  • não Brasil significa espécies que não têm indicação de ocorrência no Brasil no Catálogo de Abelhas Moure, edição de julho de 2012.
  • sim Brasil significa espécies que têm indicação de ocorrência no Brasil no Catálogo de Abelhas Moure, edição de julho de 2012.

Tabela 1. Busca: fonética, incluir sinônimos, todos os registros

De acordo com o Catálogo Moure (versão online de julho de 2012), existem 109 espécies dessa subfamília que ocorrem no Brasil. Em um ano de projeto, o número de espécies sem registros na rede speciesLink caiu de 56 para 48, ou seja, de 51% de espécies sem registros em junho de 2019, a rede agora não apresenta dados de ocorrência para 44% das espécies da subfamília Adreninae que ocorrem no Brasil de acordo com o Catálogo Moure. A seguir á apresentada a lista das espécies da subfamília Adreninae que, de acordo com o Catálogo Moure, ocorrem no Brasil e não têm registros na rede speciesLink

O sistema também identificou espécies com registros de ocorrência no Brasil que, segundo os dados do Catálogo Moure, não se distribuem no país. De 10 espécies em julho de 2019 passou a 13 espécies em julho de 2020. 


Essas espécies podem representar registros novos para o Brasil (o que é possível, uma vez que os dados de ocorrência no Catálogo Moure são incorporados apenas quando há grande segurança sobre os registros e identidade taxonômica destes), mas podem ser também indicativos de um equívoco de identificação. Em ambos os casos, o Sistema Lacunas mostra-se importante para averiguação futura de informações taxonômicas e distribucionais de táxons.

Opção 2. Busca: fonética, incluir sinônimos, com coordenadas consistentes distintas

Essa busca inclui a análise dos dados geográficos, que, nessa opção de busca avalia somente os registros com coordenadas consistentes distintas. Podemos observar um maior número de espécies sem registros que ocorrem no Brasil, mas no período de um ano do projeto houve uma queda expressiva de 74 espécies (68%) em julho de 2019 para 56 espécies (51%) em julho de 2020.

Tabela 2. Busca: fonética, incluir sinônimos, com coordenadas consistentes distintas

O resultado indica que essa subfamília tem lacunas importantes de dados ou, possívelmente de conhecimento.

Lacunas Geográficas 

O sistema também apresenta as lacunas geográficas por estado da União. A busca nesse caso é fonética por nomes aceitos e sinônimos e pelo estado de ocorrência. Ao clicar no estado, o sistema apresenta a lista de espécies sem registros de ocorrência naquele estado.
Figura 2. Lacunas geográficas por estado da União e Distrito Federal (Fonte: Lacunas Moure, julho 2020)

A tabela a seguir compara o número de espécies sem nenhum registro nos estados de ocorrência do Catálogo Moure, nos relatórios de julho de 2019, janeiro de 2019 e julho de 2020 

Tabela 3. Comparação do número de espécies com lacunas geográficas por Estado

O relatório mostra que uma espécie deixou de ser lacuna no estado de Minas Gerais (Rhophitulus dubium (Vachal, 1909)), outra espécie para o estado de Santa Catarina (Callonychium petuniae Cure & Wittmann, 1990) e 5 espécies deixaram de ter lacunas no estado do Rio Grande do Sul (Anthrenoides admirabilis Urban, 2005; Anthrenoides francisci Urban, 2008; Anthrenoides gibbosus Urban, 2008; Anthrenoides sulinus Urban, 2008; Rhophitulus hamatus (Schlindwein & Moure, 1998)). Como o Catálogo Moure online ainda não sofreu nenhuma alteração, a redução das lacunas reflete a entrada de novos registros na rede speciesLink. A despeito da redução de sete lacunas de dados de ocorrência em estados brasileiros, resultado do aumento do número de registros compartilhados na rede speciesLink, a Tabela 4 mostra que ainda existem 96 lacunas de dados de ocorrência em estados brasileiros para Andreninae.

Tabela 4. Espécies com lacunas geográficas por Estado

Apesar desse post falar sobre as lacunas de dados das espécies da subfamília Adreninae, é importante destacar que, graças ao apoio do CNPq e da associação A.B.E.L.H.A. e ao trabalha das coleções de abelhas do país e do exterior, a rede speciesLink disponibiliza  mais de 13 mil registros dessa subfamília. Assim, fechamos esse post com um mapa com a distribuição geográfica dessas espécies na rede speciesLink.



8 de jun. de 2020

Field Museum of Natural History (Botany) Bryophyte Collection

Kátia Porto, UFPE, membro do Comitê Gestor INCT-Herbário Virtual



A Coleção de Briófitas da América do Sul do Herbário F - Field Museum está sendo compartilhada com o INCT-Herbário Virtual via rede specieslink. São 21.562 registros, dos quais 2.137 possuem imagens associadas, de espécimes coletadas em doze países da América do Sul com destaque para a Bolívia (17.332), Chile (2.180) e Venezuela (1.228).


São 246 registros de tipos, sendo o espécime Entosthodon puiggarii Geh. & Hempe, coletado no Brasil por J.I.Puiggari em 1833, o registro de tipo com data de coleta mais antiga.


Há 218 registros do Brasil referentes a coletas realizadas desde o início do século XIX até a atualidade, representados por táxons das hepáticas Cephaloziaceae, Frullaniaceae, Lejeuneaceae, Lepidoziaceae, Plagiochilaceae e dos musgos Calymperaceae, Dicranaceae, Fissidentaceae, Polytrichaceae, Sematophyllaceae e Sphagnaceae, bem como de outras famílias. A procedência dos espécimes é principalmente dos estados do Amazonas, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina, Bahia e Goiás.

Trata-se de mais uma importante fonte de consulta e estudo a dados de coleções de Herbários de grande referência mundial, que veem sendo reunidos e compartilhados via INCT-Herbário Virtual, fundamentais ao conhecimento da biodiversidade e de uma ampla gama de áreas da ciência. 

Algumas imagens de espécimes tipo coletados no Brasil

2 de jun. de 2020

Dados da coleção entomológica de himenópteros do Museu Nacional de História Natural de Paris na rede speciesLink

Kátia Aleixo, Associação Brasileira de Estudo das Abelhas (A.B.E.L.H.A.)

Em maio de 2020 foram incorporados à rede speciesLink 487 registros de himenópteros distribuídos em famílias de abelhas, vespas e formigas, da coleção entomológica do Museu Nacional de História Natural (Muséum National d'Histoire Naturelle - MNHN) de Paris, França. Os dados compartilhados com a rede speciesLink são de coletas realizadas em países da América do Sul e representam uma parte de um total de cerca de 1 milhão de espécimes de himenópteros depositados na coleção. Os dados da coleção EY restritos a coletas realizadas na América do Sul estão disponíveis na coleção RECOLNAT_MNHN_EY na rede speciesLink.

Aproximadamente 350 registros possuem imagens digitalizadas online, que incluem diferentes vistas dos espécimes da coleção bem como suas etiquetas de identificação.

O grupo das abelhas está representado por 98 registros, distribuídos nas famílias Colletidae (47% dos registros), Halictidae (24%), Apidae (18%), Megachilidae (7%) e Andrenidae (4%).


 Espécime de Xylocopa subcyanea (família Apidae), em vista dorsal e frontal, acompanhado de suas etiquetas de identificação. Fonte: The Hymenoptera collection (EY) of the Muséum national d'Histoire naturelle (MNHN - Paris)



Com ocorrência no Brasil, foram compartilhados 187 registros de himenópteros, dos quais 19 são abelhas. Os registros de abelhas estão distribuídos em 9 gêneros nas cinco famílias que ocorrem naturalmente no país. Apidae é a família com maior número de registros compartilhados, totalizando sete, seguida de Colletidae (6 registros), Halictidae (4) e Andrenidae e Megachilidae com um registro de abelha em cada.

Distribuição dos registros de abelhas coletadas no Brasil, por gênero, compartilhados pela coleção entomológica do MNHN. Fonte: speciesLink.

A coleção de himenópteros do MNHN de Paris tem sob sua guarda 6 mil registros de tipos, dos quais 231 estão compartilhados na rede speciesLink. Dos registros de tipos compartilhados, 63 foram coletados no Brasil. Desses, 19 são de abelhas e 13 possuem imagens online.

É válido destacar que os dados compartilhados pela coleção do MNHN para as espécies de abelha Hylaeus arsenicus, Hylaeus transversus e Rhophitulus dubium correspondem aos primeiros registros dessas espécies na rede speciesLink. Além disso, correspondem aos holótipos, ou seja, aos espécimes que basearam a descrição das espécies.


Espécime de Hylaeus arsenicus, da família Colletidae. O registro corresponde ao holótipo. Fonte: The Hymenoptera collection (EY) of the Muséum national d'Histoire naturelle (MNHN - Paris).

Integração com o Sistema de Informação Científica sobre Abelhas Neotropicais (infoA.B.E.L.H.A.)


Os 19 registros de abelhas da coleção de himenópteros do MNHN coletados no Brasil estão distribuídos em 15 espécies, sendo 11 com nomes científicos aceitos de acordo com a classificação do Catálogo Moure e quatro sinônimos. 


Lista das espécies de abelhas com registros de espécimes coletados no Brasil disponibilizados pela coleção entomológica de MNHN. Em verde são os nomes científicos aceitos de acordo com o Catálogo Moure e em cinza, os sinônimos. Fonte: speciesLink (acessado em 29/05/2020).

Os dados dos registros na rede speciesLink estão integrados ao Sistema de Informação Científica sobre Abelhas Neotropicais e podem ser acessados ao digitar o nome científico da abelha no campo de busca. O sistema também retornará informações sobre as espécies de abelhas disponíveis nos demais sistemas que integram o infoA.B.E.L.H.A., incluindo trabalhos científicos em temas variados e espécies de plantas que visitam para a  coleta de alimento.


29 de mai. de 2020

A importância da coleção de Fungos do Field Museum para o Brasil

Tatiana Gibertoni, Professora Associada UFPE

O Herbário John G. Searle do Field Museum de Chicago (EUA) tem a 5a. maior coleção do hemisfério ocidental e inclui aproximadamente 3 milhões de espécimes de angiospermas, gimnospermas, pteridófitas, briófitas, fungos (incluindo ascomicetes liquenizados) e algas. O Herbário foi fundado em 1894 com a aquisição da World's Columbian Exposition de 1893. Várias expedições botânicas permitiram ao Herbário se estabelecer como um dos mais proeminentes repositórios de plantas da América Central e Sul.

Além das plantas, o Herbário conta com uma coleção de cerca de 350 mil fungos e líquens, dos quais 137 mil registros estão disponíveis online e 5400 representam espécimes-tipo. A coleção de fungos - Field Museum of Natural History (Botany) Fungi Collection (FMNH-Fungi)  compartilha seus dados de coletas realizadas na América do Sul com o INCT – Herbário Virtual através da rede speciesLink. São dados de 4.816 espécimes de 901 espécies distintas. Mais de 3 mil registros têm imagens associadas e 818 são tipos. Em relação a material coletado no Brasil, são 1.218 espécimes (783 com imagens associadas) de 293 espécies distintas, sendo que 306 registros são de tipos.

A maior parte dessa coleção micológica é formada por fungos liquenizados e agaricoides, coletados principalmente por Rolf Singer no fim da década de 1970, Greg Mueller em 1987, Marcela Cáceres e Andre Aptroot em 2012. Na coleção brasileira, destacam-se os espécimes-tipo, especialmente de fungos fitopatogênicos, coletados por E.H.G. Ule no Amazonas, Rio de Janeiro e Santa Catarina e descritos por diversos autores (Fig 1) e os fungos agaricoides coletados e descritos por Rolf Singer (Fig. 2).

Figura 1. Fungos fitopatogênicos coletados por E.H.G. Ule no Amazonas e Santa Catarina (Fonte: FMNH-Fungi, http://inct.splink.org.br, acessado em 27/05/2020)

Figura 2. Fungos agaricoides coletados e descritos por Rolf Singer ((Fonte: FMNH-Fungi, http://inct.splink.org.br, acessado em 27/05/2020)

Referências:

Field Museum. Focus: Fungi and Lichens (www.fieldmuseum.org/science/research/area/focus-fungi-and-lichenshttps://www.fieldmuseum.org/science/research/area/focus-fungi-and-lichens)

INCT - Herbário Virtual da Flora e dos Fungos online (inct.splink.org.brhttp://inct.splink.org.br/)


26 de mai. de 2020

Dados do Herbário da Universidade de Montpellier na rede speciesLink

Mariângela Menezes (Museu Nacional, Comitê Gestor INCT-Herbário Virtual)


O herbário da Universidade de Montpellier (MPU), pelo volume e valor histórico de suas coleções, é considerado o segundo mais importante da França e está entre os 20 maiores herbários do Mundo. Embora, algumas amostras da coleção geral sejam atribuídas a P.R. de Belleval (1564-1632), o herbário MPU foi criado no início do século XIX (1809) sob a direção de A.P de Candolle, associado à Faculdade de Medicina. Posteriormente, o herbário da Faculdade de Medicina foi agregado aos herbários da Faculdade de Farmácia e de Ciências em um único local, formando o Instituto de Botânica, em 1889. O prédio do Instituto de Botânica foi destruído e substituído pelo prédio atual, inaugurado em 1959.

O herbário detém aproximadamente 2,5 milhões de espécimes de plantas vasculares, criptógamos, fungos e líquens. Suas coleções mais antigas datam do séc. XVII e o número de tipos é estimado em mais de 50.000 amostras. Trata-se de um herbário muito representativo em termos da biodiversidade vegetal, uma vez que agrega material oriundo de inúmeros países, com destaque para amostras coletadas na Europa, região do Mediterrâneo e Oriente Próximo, e em menor número, amostras oriundas da América do Norte e do Sul (incluindo o Brasil), Oceania (incluindo a Austrália), África e Ásia.

Dentre as várias e importantes coleções de plantas fanerogâmicas se destacam as de Chirac, Broussonet, Boissier de Sauvages, Braun-Blanquet, Cambessèdes, Delile, Saint-Hilaire. As coleções de criptógamos, também, são particularmente importantes e incluem, p.ex. coletas de cianobactérias feitas por Ch. Flahault, de musgos e líquens por M. B.de Lesdain, além de outras coletas de samambaias e fungos.

Rollinia longifolia A.St.-Hil. typeDet: Saint-Hilaire
MPU010754 Coleta: Saint-Hilaire, A. de 
Loc: cueuilli auprès du lac de Fretas près Rio de Janeiro Brésil

Cerastium rivulare Cambess. lectotypeDet: Cambessèdes
MPU010806 Coleta: Saint-Hilaire, A. de 
Loc: Brésil
O herbário conta com um acervo de botânica tropical, cujas amostras foram coletadas na segunda metade do século XX, durante a exploração de florestas equatoriais pelas missões da “Operation Canopy”, coordenada por Francis Hallé, na África, América Latina, Ásia e Oceania; além de uma carpoteca, uma xiloteca e várias caixas com lâminas de pólens, esporos, tecidos, etc.

O herbário MPU tem sob a sua guarda inúmeras pranchas originais históricas, em geral acompanhadas de documentos, igualmente preciosos como: os desenhos em aquarela das plantas de Broussonet; as anotações e os manuscritos sobre cogumelos de Delile, complementados por aquarelas de Node-Véran; os manuscritos, os desenhos e as aquarelas sobre fungos do norte da África de G. Malençon e R. Maire; três coleções de ilustrações de plantas e fungos de Node-Véran (1773-1852), além de dezenas de esboços botânicos, notas e correspondências de diferentes pesquisadores.

É importante destacar que a rede nacional da França - RECOLNAT foi responsável pela organização e financiamento da digitalização do acervo.

O Herbário MPU compartilha com o INCT-Herbário Virtual 5.079 registros de 1.352 espécies aceitas de amostras coletadas na América do Sul entre 1767 e 2009. 

São 4.761 registros de tipos, sendo 1.959 coletados no Brasil. Desses, 477 possuem imagens online.


Agradecemos à Universidade de Montpellier por compartilhar, de forma livre e aberta, os dados de seu acervo de grande relevância para a botânica do Brasil. Acessem o Herbário da Universidade de Montpellier - Acervo América do Sul e enviem seus comentários.

14 de mai. de 2020

Coleções históricas da América do Sul disponibilizados no INCT-Herbário Virtual via rede speciesLink

O Muséum national d'Histoire naturelle de Paris compartilha dados de coletas realizadas no Brasil com a rede speciesLink desde 2009, quando foi estabelecida uma parceria entre o Museu, o Instituto de Botânica de São Paulo e o CRIA para o desenvolvimento do site do Herbário Virtual A. de Saint-Hilaire, com o apoio da Fapesp. Novas parcerias foram estabelecidas em 2015 com o compartilhamento dos dados das coletas de Glaziou, resultando no Herbário Virtual Auguste Glaziou. Esse projeto teve o apoio do CNPq e contou com o envolvimento do Museu Nacional e do INCT-Herbário Virtual, além do MNHN e do CRIA.

Em 2020 iniciamos uma nova etapa dessa parceria. Com as coleções de história natural disponibilizadas na e-infraestrutura ReCOLNAT, foram incorporados ao INCT-Herbário Virtual, via rede speciesLink, os dados da América do Sul da Coleção de plantas vasculares e da Coleção de Criptógamas do Muséum national d'Histoire naturelle de Paris e os dados da América do Sul do Herbário da Universidade de Montpellier. Nesse post apresentamos os dados da coleção de plantas vasculares de Paris.

O acervo das coletas da América do Sul do herbário do Muséum national d’Histoire naturelle de Paris inclui importantes coleções históricas como as de Balansa, Blanchet, Bonpland, Burchell, Claussen, Hassler, Riedel, Saint-Hilaire, Sellow, entre outros.

A Coleção de plantas vasculares da América do Sul possui mais de 253 mil registros e cerca de 262 mil imagens de 24.772 espécies. Um total de 156.705 registros e 164.384 imagens são de amostras coletadas no Brasil, associadas a 14.975 espécies da nossa flora.

Ilex paraguariensis A.St.-Hil.

Desse montante, 30 mil são registros de typus nomenclaturais e suas respectivas imagens. São 14.514 registros de typus nomenclaturais e 2.542 de espécies ameaçadas de extinção da flora brasileira.


A figura destaca a amostra de Ilex paraguariensis (erva mate) coletada e descrita por Auguste de Saint-Hilaire em sua viagem ao Brasil entre 1816 a 1821. Trata-se do holótipo, espécime único usado na descrição original da espécie. O herbário P América do Sul possui 3.943 holótipos, 935 dos quais coletados no Brasil.




Grande parte dos registros é histórico (ver figura abaixo), datado do século XIX, período em que os 
naturalistas europeus viajaram pelo país.


A figura a seguir apresenta o montante de exsicatas de Pteridophyta e das 14 famílias de Angiospermas com o maior número de registros de coletas no Brasil, no herbário P.


Esse aporte de novos registros e imagens ao acervo do INCT-Herbário Virtual amplia o alcance e as possibilidades de usos dos dados, tanto do ponto de vista taxonômico, com registros históricos e materiais tipos, como fitogeográfico, permitindo acesso a amostras de plantas coletadas em outros países da América do Sul.