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1 de out. de 2014

Herbário ICN integra imagens de 400 espécimes-tipo à rede INCT-Herbário Virtual

Durante visita realizada pela equipe do INCT-HVFF para discutir a qualidade dos dados integrados ao Herbário Virtual, foi realizada a associação de imagens aos registros textuais de cerca de 400 espécimes-tipo do herbário ICN. Em breve mais imagens serão disponibilizadas.

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Integrantes do herbário ICN acompanhando a visita da equipe do INCT-Herbário Virtual.

O Herbário ICN, da UFRGS, é uma das principais referências no Rio Grande do Sul em pesquisa para docentes, pesquisadores e alunos em diferentes áreas do conhecimento. É o maior acervo do estado, com cerca de 160.000 exemplares, abrangendo Angiospermas, Gimnospermas, Monilófitas, Briófitas, Algas, Fungos e Líquens, incluindo 440 espécimes-tipo de plantas, em sua grande maioria da flora do RS. Desde 2011 disponibiliza seus dados online na rede speciesLink de forma livre e aberta. Atualmente cerca de 90.000 (~56%) espécimes estão informatizados e disponíveis para consulta online, incluindo imagens de cerca de 400 espécimes-tipo.

O herbário ICN possui uma excelente infraestrutura para abrigar as coleções de plantas e fungos, além de uma equipe técnica permanente formada por vários biólogos que atuam na curadoria. Durante a visita foram realizadas atividades direcionadas à melhoria da qualidade dos dados diponibilizados utilizando ferramentas desenvolvidas pelo CRIA, como o relatório de data Cleaning, ferramentas geográficas e novidades na interface de busca do speciesLink. A equipe do herbário tem trabalhado ativamente na resolução da maior parte dos problemas do banco de dados da coleção, reduzindo erros de grafias de nomes de autores, nomes científicos, informações gerenciais e dados geográficos, mas até a visita não haviam imagens associadas.

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Densidade de registros do herbário ICN disponibilizados na rede INCT-Herbário Virtual.

O herbário ICN já dispõe de um sistema preparado para digitalizar as exsicatas, contando com uma câmera digital e flashes montados em uma estrutura fixa que permite a obtenção de imagens rapidamente em ótima qualidade, o que contribui para agilizar a obtenção das imagens. O procedimento de envio das imagens foi discutido com a equipe técnica e cerca de 400 imagens dos espécimes-tipo foram integradas à rede, permitindo a consulta das informações de forma aberta e livre por qualquer pessoa interessada.

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O equipamento usado para obtenção das exsicatas é simples, econômico e funcional.

Um ponto que merece destaque é a organização física das exsicatas na coleção, que está baseada sistema APG III, o mais recente utilizado na classificação de plantas. Isso exigiu bastante trabalho para organizar as dezenas de milhares de exsicatas nos armários, mobilizando a equipe técnica para completar a tarefa no menor tempo possível. Entretanto, depois disso as exsicatas ficaram fáceis de serem localizadas de acordo com a família e o gênero. No sistema APG III a tarefa de completar informações de ordem e filo, por exemplo, é facilitada. A inclusão de dados nesses campos melhora a qualidade das informações disponíveis e aumenta a eficácia das buscas na rede (veja mais detalhes aqui). A coleção atualmente utiliza o software Access para gerenciar seus dados, mas pretende começar a utilizar o software BRAHMS. Para isso, um treinamento de pelo menos uma semana está sendo planejado.
ICN logo
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Texto e imagens

  • Ricardo Braga-Neto e Flávia Pezzini

29 de jul. de 2014

Novas funcionalidades do sistema Lacunas de Conhecimento da Flora e dos Fungos do Brasil

O sistema Lacunas (lacunas.inct.florabrasil.net) foi atualizado. Além da informação sobre o status dos dados de determinada espécie, gênero, família ou outro grupo taxonômico, agora também é possível avaliar a evolução qualitativa do Herbário Virtual da Flora e dos Fungos, uma vez que os relatórios anteriores também estão disponíveis online.

FIGURA 1. SCREENSHOT DO WEBSITE DO SISTEMA LACUNAS DE CONHECIMENTO DA FLORA E DOS FUNGOS DO BRASIL. A SETA VERMELHA APONTA O MENU ONDE SE PODE ESCOLHER DIFERENTES VERSÕES DO RELATÓRIO.

O sistema Lacunas foi desenvolvido integrando dados e informações da rede speciesLink, da Lista de Espécies da Flora do Brasil (ed. 2012), da Instrução Normativa MMA no. 06 e da Lista de Espécies Ameaçadas de Extinção da Fundação Biodiversitas e produzindo relatórios sobre o status da informação disponível online (Fig. 2).

FIGURA 2. DIAGRAMA ILUSTRANDO COMO O RELATÓRIO LACUNAS É GERADO.
Os dados de ocorrência de plantas da rede speciesLink, a Lista da Biodiversitas e os Anexos I e II da Instrução Normativa MMA no. 06 são filtrados pela Lista de espécies da flora do Brasil, edição 2012, isto é, apenas registros com nomes de espécies presentes na Lista são considerados na preparação do relatório (mais detalhes em http://blog.cria.org.br/2013/06/lacunas.html).

Assim, por um lado tem-se uma rede de herbários altamente dinâmica que apresenta uma média de duas atualizações por mês por provedor e por outro lado tem-se o sistema Lacunas que demanda tempo de processamento, o que inviabiliza que seja disponibilizado de forma dinâmica, em tempo real. Como um dos objetivos do sistema é facilitar a identificação de lacunas de dados online e dessa forma contribuir para a definição de estratégias de pesquisa e fomento, foi definido um intervalo de seis meses para a produção de novas versões do relatório. Assim, quando se faz uma busca no sistema Lacunas, o resultado obtido traz os registros que estavam disponíveis na rede speciesLink na data em que o relatório foi gerado (mais detalhes em Canhos et al. 2013).

O primeiro relatório data de setembro de 2012, utilizando a versão dinâmica da Lista de Espécies da Flora do Brasil. A partir de janeiro de 2013 os relatórios foram gerados utilizando a Lista de Espécies da Flora do Brasil edição 2012 como base, que apresenta 4.222 espécies de Algas, 31.900 Angiospermas, 1.531 Briófitas, 4.557 Fungos, 26 Gimnospermas e 1.212 Pteridófitas, totalizando 43.448 nomes aceitos de espécies.

Comparando os resultados do relatório Lacunas de janeiro de 2013 com o de julho de 2014, utilizando como filtros a seleção de nomes aceitos e seus sinônimos, a comparação fonética dos nomes e a inclusão de registros com ou sem coordenadas geográficas (ou seja, os critérios que procuram recuperar o maior número possível de registros), tem-se que mais de 1.600 espécies, anteriormente sem nenhum registro, passaram a ter dados online. Em termos percentuais o número de espécies sem registros caiu de 19% (8.176 de um total de 43.448) para 15%.

Analisando os dados considerando registros com coordenadas geográficas consistentes e distintas, incluindo sinônimos e realizando a comparação fonética dos nomes, tem-se que mais de 2.500 espécies, antes sem nenhum registro com coordenadas consistentes, passaram a ter pelo menos um ponto de ocorrência online, com coordenadas consistentes. Em termos percentuais o número de espécies sem registros com coordenadas geográficas consistentes caiu de 26% (11.188) para 20% (8.684). Além disso, o número de espécies com mais de 20 pontos com coordenadas consistentes e distintas, para as quais bons modelos de nicho ecológico podem ser gerados, aumentou em 5%. Trata-se, portanto, de uma avaliação qualitativa dos avanços na disponibilização de dados de herbários online.

Referências
Canhos, D. A. L., Sousa-Baena, M. S., Souza, S., Garcia, L. C., De Giovanni, R., Maia, L. C., & Bonacelli, M. B. M. (2014). Lacunas: a web interface to identify plant knowledge gaps to support informed decision-making. Biodiversity and conservation 23(1): 109-131.

21 de jul. de 2014

Interface de busca e dicas de uso da rede speciesLink

O INCT-Herbário Virtual da Flora e dos Fungos preparou uma série de vídeos para auxiliar os usuários a explorar melhor os sistemas de informação. O primeiro vídeo traça um panorama sobre a rede speciesLink, explorando a interface de busca e fornecendo dicas de uso. Veja a seguir.

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3 de jul. de 2014

INCT-HVFF promove a inclusão de imagens de fungos na rede speciesLink

Visando ampliar a qualidade das informações associadas aos registros textuais de fungos disponíveis na rede speciesLink, o INCT-Herbário Virtual da Flora e dos Fungos está promovendo a inclusão de imagens macro e microscópicas de espécimes de fungos, ampliando a utilidade do sistema de informação para os micólogos.




Panorama geral

O sistema speciesLink é a base utilizada pelo INCT-Herbário Virtual da Flora e dos Fungos (INCT-HVFF) para integrar e tornar disponíveis dados primários sobre plantas e fungos no Brasil. Atualmente a rede INCT-HVFF possui mais de 4,7 milhões de registros online, dos quais mais de 90% são plantas. Embora os fungos tenham sido historicamente menos estudados, nas últimas décadas houve um aumento bastante significativo no interesse pela Micologia no Brasil, dada sua imensa importância para todos os ecossistemas terrestres. Jovens pesquisadores recentemente contratados por universidades públicas vem contribuindo para formar dezenas de novos alunos em muitos centros de pesquisa distribuídos pelo país e a produção de conhecimento, refletido pela qualidade e quantidade de artigos publicados, é muito expressiva.
Captura de tela do resultado da busca dos registros de fungos no herbário FLOR com imagens associadas.
Captura de tela do resultado de uma busca dos registros de fungos no herbário FLOR com imagens associadas.
Investimentos estratégicos em programas de pós-graduação, cursos de capacitação, infraestrutura das coleções e atividades de coleta em campo, aliados a oportunidades de bolsas de estudo no exterior, são etapas cruciais do desenvolvimento da Micologia no Brasil. Contudo, igualmente importantes são os investimentos na modernização e informatização das coleções, permitindo o desenvolvimento de sistemas que podem contribuir para acelerar a produção de conhecimento. A rede speciesLink reúne em um mesmo sistema informações básicas sobre os espécimes, com dados taxonômicos, geográficos e temporais, além de permitir a associação de imagens com cada espécime através do serviço Exsiccatae.
A inclusão de imagens de fungos é muito importante porque o processo de desidratação necessário para o acondicionamento nos herbários causa a perda de característicasmacroscópicas relevantes para o reconhecimento das espécies. Imagens que retratem a forma e coloração dos esporóforos são importantes, assim como detalhes de estruturas efêmeras e frágeis. Por outro lado, a maioria dos caracteres morfológicos que são determinantes para a identificação das espécies são estruturas celulares e as imagens microscópicas também são muito importantes  para a taxonomia dos fungos. Visando padronizar o processo de integração das imagens e orientar os micólogos interessados, o INCT-HVFF está desenvolvendo um procedimento para melhorar a gestão das imagens de fungos, descrito no guia abaixo.
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Um aspecto importante da obtenção das imagens está relacionado à calibração e inclusão de escalas. Incluir uma régua na foto garante uma referência, mas é possível calibrar as imagens sem régua se algum objeto for conhecido ou mensurado.
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Guia de envio de imagens de fungos para a rede INCT-HVFF

O guia visa orientar curadores, técnicos, pesquisadores e alunos a adotar um procedimento padronizado para enviar imagens de espécimes de fungos para a rede INCT-HVFF/speciesLink. As imagens compartilhadas pelos herbários são armazenadas em servidores localizados no CRIA e na RNP (Rede Nacional de Ensino e Pesquisa) e gerenciadas por sistemas especializados em servir imagens na rede em diferentes formatos e tamanhos. O guia cobre aspectos básicos relacionados à qualidade e obtenção das imagens, calibração e inclusão de escalas, além da preparação e procedimentos de envio dos metadados para a equipe do CRIA, responsável pela gestão das imagens. 
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A resolução tem um impacto direto na qualidade da imagem. Quanto maior a resolução, maior a densidade de pixels e de informação que a imagem contém. O tamanho do pixel variou nas diferentes resoluções para manter a mesma dimensão entre as imagens.
É importante ressaltar que as imagens devem ser exclusivamente dos espécimes depositados nos herbários. Além das fotos, podem ser enviadas também ilustrações científicas baseadas nos espécimes. O acesso às imagens pode ser feito pelo formulário de busca da rede, pela interface administrativa do sistema Exsiccatae ou por meio de serviços web para uso pelas coleções. Além de permitir algumas operações básicas com as imagens, como medir uma distância, aproximar ou salvar a imagem, o sistema speciesLink permite ainda que as imagens de diferentes espécimes sejam comparadas diretamente a partir de resultados de buscas!
Captura de tela da interface de buscas do speciesLink usando o menu imagens para comparar diferentes espécimes de fungos arbusculares.
Captura de tela da interface de buscas do speciesLink usando o menu imagens para comparar diferentes espécimes de fungos micorrízicos arbusculares do herbário URM.
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Primeiras imagens disponíveis

As primeiras imagens incluídas na rede foram contribuições do herbário URM (Recife), que integrou aos registros textuais imagens de fungos endomicorrízicos do filo Glomeromycota e de fungos decompositores de madeira do filo Basidiomycota. O próximo a participar foi o herbário FLOR (Florianópolis) e os alunos do Micolab da UFSC, que enviaram imagens macro e microscópicas e nos ajudaram a discutir todo o processo, incluindo o sistema de tags usado para classificar as imagens. Em seguida, pesquisadores associados ao herbário INPA (Manaus) integraram imagens de fungos decompositores de serrapilheira e fungos gasteróides do filo Basidiomycota. Durante o segundo semestre de 2014 uma equipe do INCT-HVFF e do CRIA visitará as principais coleções de fungos no Brasil para divulgar a iniciativa e oferecer suporte para a integração das imagens aos dados dos espécimes de fungos que ocorrem no país. Ainda que o sistema esteja em fase experimental, a revolução que isso representará para a taxonomia e estudo dos fungos dependerá exclusivamente da participação ativa da comunidade científica. Participe!
Alunos do Micolab em Florianópolis na bancada mostrando o dia-a-dia no laboratório.
Alunos do Micolab em Florianópolis na bancada mostrando o dia-a-dia no laboratório.
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24 de abr. de 2014

Rede speciesLink supera 6,5 milhões de registros online

O sistema que integra dados de centenas de provedores de dentro e fora do Brasil é a maior referência nacional sobre informações primárias sobre a biodiversidade. Sua força está essencialmente na competência e atuação de cada componente da rede.

Número total de registros online (verde), de registros georreferenciados com dados originais (azul) e de provedores de dados (vermelho) ao longo do tempo. 

O Brasil é um dos países com maior diversidade biológica no mundo, mas a maioria das informações científicas que está em museus, herbários e coleções microbiológicas se encontrava dispersa e fragmentada, limitando a compreensão sobre a biodiversidade no país. A rede speciesLink foi idealizada e implementada pelo CRIA há mais de 10 anos para suprir essa carência e promover a geração de conhecimento. Desde então vem contribuindo para a integração de dados de diferentes provedores, oferecendo aplicativos e ferramentas que auxiliam os provedores na melhoria da qualidade dos dados. Em meados de abril, a rede superou o marco histórico de 6,5 milhões de registros disponíveis online, com acesso livre e aberto. "O desafio do trabalho em rede, a única forma possível de se trabalhar com as coleções biológicas distribuídas por todo o território nacional, é marcante, mas representa a base do sucesso da iniciativa", enfatiza Dora Canhos, diretora do CRIA. Assim, é extremamente importante reconhecer a força de cada elemento que compõe a rede, sejam provedores de dados, equipes de TI, comitês de coordenação, agências de fomento ou usuários.

Mapa com a localização dos provedores de dados no Brasil que compõe a rede speciesLink, destacando Brasília onde está o Internet Data Center (IDC) da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). É lá onde estão todos os equipamentos e servidores  que hospedam dados, informações, imagens, mapas, sistemas, ferramentas e serviços web de interesse e de acesso público.

Atualmente, existem 335 provedores de dados - 324 coleções e subcoleções biológicas e 11 coleções de dados de observação. Mais de 70% de dados são de herbários, o que reflete o apoio dado nos últimos 5 anos pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio do CNPq, ao INCT-Herbário Virtual da Flora e dos Fungos. Quanto aos 30% restantes, cerca de 25% são de animais, 0,2% de microrganismos 0,1% de fósseis e 4,7% de coleções abrangentes, como OBIS-Br e SinBiota. Mais de 93% dos registros têm material testemunho associado e mais que 240 mil registros têm imagens associadas. Destacamos o trabalho da RNP, garantindo a conectividade necessária tanto para prover dados como também para usar essa infraestrutura aberta de dados e ferramentas de interesse público.

O sucesso da rede é também refletido pelo seu uso. Em 2013, por meio da interface de busca foram recuperados cerca de 387 milhões de registros, o que representa mais de 60 vezes o tamanho total do acervo disponível no ano passado. Em 2014, apenas entre janeiro e meados de abril, foram recuperados cerca de 169 milhões de registros pelos usuários. Por recuperados entende-se registros que foram visualizados um a um, plotados em mapas, utilizados em gráficos ou baixados (download). É importante ressaltar que esses números não incluem os registros servidos via serviços web (máquina - máquina).

http://www.splink.org.br/index?lang=pt&action=openform
A interface de busca da rede speciesLink permite grande flexibilidade nas buscas.

Desafios e incentivos
Ao mesmo tempo que se comemora esse novo marco, é importante ressaltar que ainda existe um longo caminho a percorrer. O número de registros online hoje representa somente 27% dos acervos das coleções participantes da rede, com um número estimado de mais de 24 milhões de registros. Trata-se de um desafio não só para as coleções que precisam digitar, disponibilizar e atestar a qualidade de seus acervos, mas para as equipes de TI que precisam trabalhar com uma quantidade cada vez maior de informações, com diferentes tipos de dados (textuais, imagens, sons, etc.), além de desenvolver novos aplicativos atendendo às demandas tanto dos provedores como dos usuários. Contudo, alguns depoimentos indicam que estamos no caminho certo e que a estratégia de integração dos provedores em escala nacional está sendo proveitosa e efetiva.
"É uma honra para o HERBAM participar dessa rede de disponibilização de dados sobre a biodiversidade brasileira. Realmente, neste aspecto foi primordial o apoio do INCT Herbário Virtual e também do Reflora que contribuiu com bolsistas, cursos de aperfeiçoamento, equipamentos, permitindo que um herbário situado no extremo norte do estado de Mato Grosso passe a ser conhecido e reconhecido mundialmente, bem como, permitindo apresentar ao mundo as espécies que fazem parte da flora de nosso estado" afirma a curadora, Célia Soares Lopes. 
Outro depoimento vem de Teresa Fernandes Silva do Nascimento, curadora no Instituto Oswaldo Cruz/Fiocruz-RJ. "A equipe da Coleção de Culicídeos da Fiocruz também se sente honrada por fazer parte dessa rede. Sabemos que muito trabalho ainda precisa ser realizado, entretanto já visualizamos os resultados e progresso desse sistema"
Se você está envolvido de alguma forma com a rede e tem algum comentário a fazer, não deixe de contribuir comentando este post!


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16 de abr. de 2014

Coleção de Fungos do Instituto de Botânica de SP incorpora dados à rede INCT-Herbário Virtual

Considerada uma das maiores coleções de fungos do Brasil, o herbário SP possui um longo histórico de pesquisa em Micologia neotropical. Desde abril de 2014, dados sobre cerca de 24.500 espécimes podem ser consultados pelo sistema speciesLink.

Alguns pesquisadores e alunos de pós-graduação associados ao Núcleo de Pesquisas em Micologia do IBt-SP.

A Coleção de Fungos do Herbário Maria Eneyda Pacheco Kauffmann Fidalgo (SP-Fungi) possui cerca de 35.000 exemplares de fungos e 400 espécimes-tipo, a maioria pertencente ao grupo dos basidiomicetos e fungos liquenizados. O herbário abriga a segunda maior coleção de fungos macroscópicos do Brasil, mas até pouco tempo ainda não estava integrada à rede INCT-Herbário Virtual da Flora e dos Fungos (INCT-HVFF). A partir do começo de abril, cerca de 24.500 registros de espécimes foram integrados à rede, o que representa 70% do acervo. "A integração de dados de herbários que possuem espécimes de fungos é importante para ampliar o acesso às informações existentes sobre a diversidade micológica no Brasil, um passo essencial para avaliar o estado de conhecimento nessa área e, sobretudo, para fomentar a geração de políticas públicas que estimulem a conservação dos fungos no estado", ressalta a Dra. Adriana de Mello Gugliotta, curadora do herbário de fungos.

Acervo total e histórico da inclusão do número de registros online do herbário SP-Fungi.

A Micologia no Instituto de Botânica de São Paulo
Pesquisas em Micologia são desenvolvidas no Instituto de Botânica de São Paulo (IBt-SP) desde a metade do século XX, tendo início com a criação da Seção de Criptógamos em 1956 e a contratação do Dr. Alcides Ribeiro Teixeira, que convidou o Dr. Oswaldo Fidalgo e a Dra. Maria Eneyda P. Kauffmann Fidalgo para desenvolver pesquisas em basidiomicetos a partir do início dos anos 60. Logo em seguida foram contratados os doutores João Salvador Furtado, que deu mais impulso ao estudo dos basidiomicetos, e Adauto Ivo Milanez, que iniciou pesquisas em fungos aquáticos. Nos anos seguintes foram contratadas mais duas doutoras, Vera Bononi, que prosseguiu com estudos sobre basidiomicetos, e Sandra Trufem, que se especializou no grupo dos zigomicetos e mais tarde em micorrizas. Em 1969, os fungos passaram a ser tratados de forma diferenciada das plantas e foi criada a Seção de Micologia e Liquenologia (SML), que chegou a contar com oito pesquisadores científicos em 1988 e onze em 1996, trabalhando com diferentes grupos de fungos.

Dra. Adriana de Mello Gugliotta, atual curadora da coleção de fungos, mostrando alguns espécimes de fungos macroscópicos.

Em 2009 houve uma reorganização estrutural e a SML passou a ser chamada de Núcleo de Pesquisa em Micologia (NPM). Atualmente conta com nove pesquisadores qualificados a orientar alunos de mestrado, doutorado e pós-doutorado, tanto do Programa de Pós-Graduação do Instituto de Botânica quanto de outras instituições de ensino superior no Brasil, o que representa um diferencial para agregar mais alunos e aumentar a produção científica. O NPM abriga e é responsável pelo Herbário de Fungos (SP-Fungi), parte do Herbário Científico Maria Eneyda P. Kauffmann Fidalgo (SP). Além das 35.000 exsicatas de fungos, o NPM preserva parte da Coleção de Culturas de Algas, Cianobactérias e Fungos (CCIBt), constituída por cerca de 1.500 espécimes de fungos terrestres e aquáticos, que estão disponíveis para fins didáticos e científicos. A Dra. Adriana de Mello Gugliotta, especialista em fungos poliporóides, é a curadora do herbário SP-Fungi desde março de 2013, mas desde janeiro de 2006 já vem atuando na coleção ao lado do Dr. Michel Navarro Benatti, especialista em liquens. A produção acadêmica está aumentando com a participação de alunos de pós-graduação, dada a existência de pesquisadores experientes que podem orientar e a excelente infraestrutura para análises microscópicas e moleculares.

Dr. Michel Navarro Benatti, pesquisador do IBt-SP especialista em liquens.

Integração com o Herbário Virtual
A integração da coleção de fungos de SP foi efetivada durante uma visita da equipe do INCT-HVFF em parceria com o CRIA, que é responsável pela criação e manutenção da rede speciesLink, uma iniciativa pioneira que forma a base do sistema de informação adotado pelo INCT-Herbário Virtual. O sistema disponibiliza os dados providos pelas coleções, integrando tudo em uma plataforma de acesso livre e aberto, permitindo que os dados sejam trabalhados de várias formas de acordo com o interesse do usuário. Mapas, listas e gráficos podem ser obtidos facilmente com base nas buscas realizadas, ampliando ainda mais sua utilidade para a comunidade acadêmica e tomadores de decisão. A rede conta com ferramentas que auxiliam os curadores e pesquisadores a prezar pela qualidade dos dados, contribuindo para reduzir problemas nomenclaturais, geográficos e gerenciais da coleção.

Proporção de registros online (70,2%, verde), registros online georreferenciados (2,3% verde escuro) e registros offline (29,8% vermelho) do herbário SP-Fungi na rede speciesLink.

Embora ainda exista muito trabalho a ser feito para melhorar a qualidade dos dados disponíveis e incorporar os dados remanescentes da coleção (cerca de 30%), a integração em rede nacional deve contribuir para ampliar o interesse nos espécimes de fungos depositados no herbário SP, a melhorar a qualidade dos dados e a ampliar a geração de conhecimento desse grupo tão importante e pouco conhecido. O número de espécimes depositados e disponibilizados online pelo herbário SP-Fungi por ano de coleta variou consideravelmente desde sua origem, mas quando se considera como unidade temporal um período maior, como uma década, é possível observar que houve uma atividade relativamente regular no volume de espécimes depositados a partir dos anos 50, com uma leve tendência à diminuição nos últimos anos. Em parte essa queda reflete uma mudança no critério de inclusão de espécimes visando incorporar ao acervo apenas espécimes identificados. Entretanto, uma grande parte dos dados dos alunos que estão terminando suas teses e dissertações ainda não foi depositada, então é esperado que esses valores aumentem em um futuro próximo devido às coletas mais recentes.

Número de espécimes de fungos depositados e disponibilizados online pelo herbário SP-Fungi por ano de coleta.

Os espécimes de fungos depositados e disponibilizados online pelo herbário SP-Fungi foram coletados principalmente no Brasil (cerca de 75% do acervo), mas existem espécimes coletados em mais de 200 países. A distribuição geográfica das coletas está concentrada principalmente na região Sudeste, seguida das regiões Sul e Norte. Os estados com maior representatividade de coletas são: São Paulo (64,7%), Rio Grande do Sul (8%), Minas Gerais (6,8%) e Rio de Janeiro (4,6%), mas existem coletas espalhadas por todo o país.

Mapa com a distribuição das coordenadas geográficas dos espécimes de fungos de SP-Fungi presentes na rede speciesLink. Em azul, coordenadas georreferenciadas pelo município; em vermelho, coordenadas originais informadas pela coleção.

Contudo, alguns pontos relacionados ao georreferenciamento merecem atenção especial por parte da curadoria. Cerca de 10.000 registros não possuem informações sobre o município ou coordenada geográfica e apenas 818 (2,3%) registros foram georreferenciados na coleta e registrados pela coleção, o que representa uma proporção extremamente baixa de espécimes com coordenadas geográficas originais. Dentre os registros disponibilizados, 13.748 (56%) possuíam informações textuais sobre o município e foram georreferenciados a posteriori automaticamente com base no centróide do município. Entretanto, esse é um tipo de coordenada que apresenta grandes chances de ter baixa acurácia, pois o centróide do município provavelmente está localizado a uma distância considerável do ponto real da coleta.

Proporção do número de registros de fungos do herbário SP-Fungi por estado.


Perspectivas futuras
A coleção de fungos SP-Fungi abriga um acervo importantíssimo com concentração de coletas no bioma Mata Atlântica, cujos remanescentes não chegam a somar 10% da área original de cobertura. A existência de um programa de pós-graduação favorece a atração de alunos de mestrado, doutorado e pós-doutorado responsáveis pelo aumento na produtividade acadêmica e pela inclusão de novos espécimes no herbário. Contudo, para aumentar a utilidade desses dados é preciso prezar pela inclusão de informações completas sobre os espécimes, inclusive as geográficas, um passo fundamental para orientar políticas públicas que levarão à conservação dos fungos na região. O sistema speciesLink está sendo aprimorado para ampliar a utilidade para a comunidade acadêmica e em breve a integração de imagens dos espécimes de fungos estará disponível, o que representa um estímulo a mais para acelerar a geração de conhecimento sobre as espécies de fungos que ocorrem no Brasil.



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Créditos
Texto e fotos - Ricardo Braga-Neto

7 de abr. de 2014

Herbários IRAI, MBM e UPCB recebem visita para discutir a melhoria da qualidade dos dados

A visita da equipe do INCT-HVFF/REFLORA teve como objetivo discutir a qualidade dos dados e realizar uma análise conjunta do relatório dataCleaning disponível na rede speciesLink. A visita faz parte das atividades para melhoria da qualidade dos dados das coleções participantes do INCT-HVFF.


Desde o início de 2013, uma bolsista do REFLORA/INCT-Herbário Virtual da Flora e dos Fungos (INCT-HVFF) no Centro de Referência em Informação Ambiental (CRIA) vem trabalhando com a melhoria da qualidade dos dados disponibilizados na rede speciesLink. As visitas individuais têm se mostrado bastante eficientes para a melhoria da qualidade dos dados dos herbários e para apresentar detalhadamente as ferramentas aos seus usuários.

A ferramenta dataCleaning procura evidenciar os dados que podem conter erros em relação às informações gerenciais de curadoria (número de tombo/catálogo, registros repetidos), aos dados taxonômicos (erros de grafia, diferentes nomes de autor para a mesma espécie), à data (ano de identificação anterior ao da coleta, ano de coleta maior do que a última atualização) ou aos dados de georreferenciamento (ausência de sinal em latitudes ou longitudes negativas, coordenadas que caem no mar, coordenadas que não caem no município indicado).

Mesmo que muitos usuários já tenham visto o relatório dataCleaning em palestras, a revisão dos dados suspeitos no próprio sistema do herbário e a consulta às exsicatas in loco facilita o entendimento do sistema e a identificação de possíveis melhorias no processo de informatização. Da mesma forma, ao visualizar os dados de todas as coleções na rede, os técnicos, bolsistas e curadores notam a importância da qualidade e da padronização das informações fornecidas por eles. Esse fato é especialmente relevante quando se trata da qualidade das coordenadas geográficas e da completude das informações taxonômicas.



Famílias mais representativas nos três herbários visitados: IRAI, MBM e UPCB


Herbários Visitados: IRAI, MBM e UPCB

A visita aconteceu entre os dias 10 e 14 de março de 2014. Os três herbários da região de Curitiba juntos disponibilizam cerca de 350 mil registros online, sendo 280 mil de espécimes coletados no Brasil. Das amostras coletadas no Brasil, mais de 50% são do estado do Paraná. São mais de 26 mil espécies distintas, 235 registros de typus e mais de 3 mil registros de espécies ameaçadas de extinção (Instrução Normativa MMA no. 06). Esses acervos disponibilizam cerca de 1.300 imagens de exsicatas associadas à base textual.

IRAI - Herbário do Parque da Ciência Newton Freire Maia

O IRAI está localizado nas dependências do Parque da Ciência Newton Freire Maia em Pinhais, Paraná e participa do INCT-HVFF desde maio de 2010. Seu acervo de 8.530 espécimes está 100% online, com 87% dos dados georreferenciados. A gestão do banco de dados é feita pelo curador Rony Ristow. O herbário utiliza o software BRAHMS 7.3.6 para manejo dos dados.



Rony Ristow, curador do Herbário IRAI em Pinhais (PR)
  

Histórico de movimentação de dados do IRAI, desde sua entrada na rede speciesLink em abril de 2010
  


Infraestrutura do herbário IRAI, que utiliza caixas de metal para armazenar suas exsicatas. Destaque para as mini-exsicatas (imagens inferiores) que funcionam como um guia de espécies

O IRAI é um herbário novo, inaugurado em 2007, e com acervo ainda relativamente pequeno. Desde o início mostra cuidado com a qualidade dos dados, e procura atualizar as determinações de acordo com as duplicatas enviadas para herbários com especialistas. O curador mantém mini exsicatas, que são exsicatas menores, com o objetivo de ser um guia de referência para as espécies já identificadas.

MBM – Herbário do Museu Botânico Municipal

O MBM é um dos maiores herbários do país e o maior da flora sul brasileira, com um acervo de cerca de 400 mil amostras sendo mais de 60% informatizado! Possui 2.700 typus nomenclaturais, sendo que mais de 1.200 possuem imagens disponíveis na rede speciesLink. A coleção do Museu Botânico Municipal é reconhecida por sua importância, estando credenciada como Instituição Fiel Depositária de Componentes do Patrimônio Genético junto ao (CGEN). O MBM disponibiliza seus dados na rede speciesLink desde 2006 e atualmente mais de 250 mil registros (~64%) estão online.


Equipe do MBM com o curador Osmar dos Santos Ribas

Histórico de movimentação de dados do MBM, desde sua entrada na rede speciesLink em abril de 2006


Infraestrutura do herbário MBM
O MBM apresenta um programa de permuta de duplicatas de material botânico, mantendo intercâmbio com 207 instituições congêneres, sendo 53 brasileiras e 154 internacionais. Anualmente o acervo é incrementado em cerca de 15.000 novos espécimes, sendo uma das maiores referências do país.

O herbário possui uma funcionária formada em Gestão da Informação e apresentou como monografia de conclusão de curso o trabalho intitulado: Mapeamento do fluxo informacional do Herbário do Museu Botânico Municipal de Curitiba, que pode ser usado como referência para outros herbários. O trabalho está disponível online

UPCB – Herbário do Departamento de Botânica – Universidade Federal do Paraná

O acervo conta hoje com cerca de 70.000 amostras de plantas (Angiospermas, Gimnospermas, Pteridófitas, Briófitas, Líquens, Macroalgas em coleções secas e Microalgas em coleções líquidas), com forte ênfase sobre a Flora do Paraná. É a segunda maior coleção do estado. O UPCB disponibiliza seus dados na rede speciesLink desde 2006, e atualmente mais de 90% do acervo está online.

 
Equipe do UPCB















Histórico de movimentação de dados do UPCB, desde sua entrada na rede speciesLink em abril de 2006


Infraestrutura do UPCB, que recentemente trocou as caixas de metal por armários


Exemplos de exsicatas no UPCB, no sentido horário: fungos, macroalgas e microalgas em via líquida


O UPCB disponibilizará em breve cerca de 200 imagens dos tipos, associados aos dados textuais já online.

Biogeografia da Flora e Fungos do Brasil:
Durante as visitas, também foi apresentada uma palestra aos pesquisadores e alunos sobre o sistema Biogeografia da Flora e Fungos do Brasil - Biogeo, que visa ampliar o conhecimento sobre a biogeografia de plantas e fungos do Brasil. O sistema foi desenvolvido para modelar a distribuição potencial das espécies, e conta com a participação ativa de especialistas. O Biogeo possui hoje 80 especialistas cadastrados e mais de 1700 espécies com modelos.


Saiba mais!