23 de jul. de 2015

Artigo publicado na PLOS Biology destaca e-infraestruturas de interesse público sobre biodiversidade e a necessidade da criação de estratégias e políticas públicas de longo prazo para a sua manutenção e desenvolvimento contínuo

A equipe do CRIA e colaboradores, têm o prazer de comunicar a publicação do artigo The importance of biodiversity e-infrastructures for megadiverse countries na PLOS Biology. O artigo coloca em pauta a necessidade da definição de políticas e estratégias que garantam a contínua evolução de e-infraestruturas de apoio ao desenvolvimento científico e políticas públicas, com mecanismos de financiamento de longo prazo com avaliações periódicas. Foca no exemplo da rede speciesLink, que hoje integra e dissemina mais de 7,5 milhões de registros on-line de dados primários de biodiversidade. Além do acesso aos dados via web, essa rede provê uma gama de serviços e ferramentas computacionais de apoio a análises da biodiversidade, compartilhadas de forma livre e aberta a todos os interessados.

O artigo destaca a média de 1,4 milhões de registros visualizados por dia em 2014, com 95% dos acessos feitos por usuários do Brasil. Estes resultados mostram a importância da estruturação de redes colaborativas com o envolvimento de desenvolvedores, coleções biológicas e usuários. O artigo ressalta os excelentes resultados dos investimentos do governo federal no programa de capacitação em taxonomia e no desenvolvimento do INCT-Herbário Virtual da Flora e dos Fungos com o crescimento da quantidade e qualidade de dados on-line, e sua correlação com o avanço científico. A ausência de estratégias e políticas que garantam a manutenção e o desenvolvimento contínuo das e-infraestruturas de interesse público é um problema local e global, que coloca em risco uma gama de iniciativas de sucesso em várias disciplinas.


21 de jul. de 2015

A Encíclica Laudato Si’, a rede speciesLink e a política municipal: podemos desenvolver políticas mais igualitárias e ambientalmente sustentáveis?

A encíclica “Laudato Si” do Papa Francisco Sobre O Cuidado da Casa Comum pode contribuir para uma maior conscientização sobre o tema. O documento estabelece uma relação direta entre a pobreza e a degradação ambiental e discorre sobre a poluição, perda da biodiversidade, água potável e mudanças climáticas, mas também sobre a cultura do descarte, o imediatismo e a importância da educação.




A ação do CRIA em parceria com coleções biológicas do país e do exterior visando o compartilhamento de dados e ferramentas para a análise da biodiversidade através da rede speciesLink, tem contribuido para ampliar o conhecimento da nossa diversidade de plantas, animais e microrganismos, subsidiando ações de conservação de espécies e o avanço da pesquisa científica.

O uso de tecnologias de informação e comunicação torna a informação e o conhecimento científico sobre biodiversidade acessíveis on-line, viabilizando também o desenvolvimento de ambientes de interação e redes colaborativas. Portanto, não só é possível, como também é necessário ampliar essa rede de provedores e usuários de dados para além da comunidade científica, envolvendo setores organizados da sociedade e gestores públicos, principalmente gestores municipais.

Hoje vários prefeitos brasileiros participam de uma audiência com o Papa Francisco para discutir o desenvolvimento sustentável nas cidades. Trata-se de um importante passo para promover verdadeiras mudanças locais, mudanças no dia-a-dia de cada cidadão.

Convidamos todos a lerem a carta que os prefeitos brasileiros entregarão ao Papa Francisco. Esperamos que isso não seja só um gesto, mas o início de um novo modelo de desenvolvimento participativo, que integre as dimensões social, ambiental e ética, baseado em uma economia verde e responsável.


Declaração dos prefeitos brasileiros

A dificuldade na construção de um acordo internacional entre os chefes de Estado que contemple diretrizes mais audaciosas e efetivas no enfrentamento às mudanças climáticas já tem reflexos na piora da qualidade de vida das pessoas, em especial dos mais pobres. Essa situação coloca em risco os avanços conquistados no enfrentamento da miséria e das desigualdades nas últimas décadas, refletindo-se no dia-a-dia das cidades que governamos.

Em sintonia com a Encíclica “Laudato Si”, reconhecemos a urgência de atender as necessidades dos mais pobres. Para enfrentar esse injusto cenário de desigualdades os 5.570 prefeitos brasileiros estão empreendendo esforços para que os excluídos possam superar a situação de vulnerabilidade. São políticas públicas estratégicas de inclusão social abrangendo educação, saúde, habitação, saneamento, transporte público, geração de renda, emprego, empreendedorismo e cooperativismo.

Reconhecemos também a responsabilidade dos governos locais em contribuir com a reversão da atual crise climática global. Há prefeitos brasileiros adotando metas para desatrelar o desenvolvimento das cidades do aumento de emissões de Gases de Efeito Estufa em seus territórios e nos padrões de produção e consumo. E, sabendo que esses esforços iniciais ainda são insuficientes, trabalharemos para incorporar a visão do desenvolvimento urbano de baixo carbono e resiliente às mudanças climáticas nos planejamentos das cidades brasileiras.

Cientes de que as mudanças climáticas são um desafio global, pleiteamos que os governos nacionais, e em especial o governo brasileiro, envide esforços na construção de acordos na cúpula do clima em Paris no final deste ano (COP21) que mantenham o aquecimento global induzido pelo homem abaixo de 2ºC, e tenham como objetivo avançar para níveis mais seguros.

Globalmente, como estratégia para enfrentar esse cenário desastroso, propomos a transferência de recursos e tecnologias dos países desenvolvidos aos países em desenvolvimento, em especial aos mais pobres, e diretamente às cidades, visto que os primeiros são os que historicamente mais consomem recursos naturais e contribuem para o agravamento das mudanças climáticas.

Diante disso, reivindicamos ainda o reconhecimento, pela Organização das Nações Unidas (ONU), dos governos locais como atores fundamentais na promoção da sustentabilidade global e do desenvolvimento humano.

Roma, 20 de Julho de 2015.

Marcio Lacerda – Prefeito de Belo Horizonte (MG) e Presidente da FNP
Fernando Haddad – Prefeito de São Paulo (SP)
Eduardo Paes – Prefeito do Rio de Janeiro (RJ)
ACM Neto – Prefeito de Salvador (BA)
Gustavo Fruet – Prefeito de Curitiba (PR)
José Fortunati - Porto Alegre (RS)
Paulo Garcia – Prefeito de Goiânia (GO)

2 de jul. de 2015

JC Notícias da SBPC divulga nota sobre o compartilhamento de registros do Herbário Virtual da Flora e dos Fungos

O compartilhamento de mais de 3 milhões de registros do INCT Herbário Virtual da Flora e dos Fungos com a rede global GBIF (Global Biodiversity Information Facility) e com o SiBBr (Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira) é divulgado pelo JC Notícias da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência). Para conferir veja a notícia:

19 de jun. de 2015

Dados do INCT- Herbário Virtual da Flora e Fungos integrados ao GBIF

Com grande satisfação divulgamos a nota Major increase in Brazilian plant and fungus data shared through GBIF (http://www.gbif.org/newsroom/news/brazil-flora-fungi) publicada hoje no portal do Global Biodiversity Information Facility.O informe destaca a contribuição do INCT- Herbário Virtual da Flora e Fungos na disseminação livre e aberta de mais de três milhões de registros de amostras depositadas em coleções biológicas brasileiras.

Um fato a ser comemorado pelos colaboradores desta empreitada, pois envolveu a articulação e trabalho de equipes de curadores, pesquisadores,  técnicos e bolsistas empenhados na consolidação  do INCT-HVFF. O resultado abre novas perspectivas não apenas para o compartilhamento, uso e reuso dos dados do INCT-HVFF, com o apoio do CNPq e CAPES, mas também para a contínua evolução da qualidade dos dados de  herbários distribuídos pelas 27 unidades da Federação. É importante destacar o papel da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) não apenas na provisão da infraestrutura de rede, mas também na hospedagem dos sistemas e aplicativos desenvolvidos pelo CRIA no Internet Data Center (IDC) da RNP, com o endosso formal do CNPq.

A equipe técnica do CRIA, responsável pelo desenvolvimento, manutenção da plataforma speciesLink, e suporte aos provedores de dados, se sente honrada pelos resultados alcançados.  É importante destacar que os esforços de consolidação de redes colaborativas estão contribuindo para a definição do modelo conceitual da infraestrutura digital de dados e e-serviços para apoiar o desenvolvimento da e-ciência e inovação no Brasil. É também importante ressaltar a necessidade de desenvolver mecanismos de apoio à sustentabilidade e perenidade de e-infraestruturas exitosas, para não perdermos as conquistas alcançadas.

20 de mai. de 2015

Impacto do Herbário Virtual da Flora e dos Fungos na e-Infraestrutura Rede speciesLink


O desafio de conhecer e utilizar de forma sustentável os recursos naturais demanda o acesso dinâmico e aberto a dados digitais de diferentes áreas do conhecimento, ferramentas de análise e capacidade computacional crescente em um ambiente colaborativo e cooperativo. A era da ciência intensiva em dados é uma realidade e o seu sucesso depende da consolidação de e-infraestruturas como bens públicos.

O CRIA é uma associação civil sem fins lucrativos que tem por objetivo disseminar o conhecimento científico e promover a educação visando a conservação e utilização sustentável dos recursos naturais e a formação da cidadania. Tem como ação referencial oferecer apoio à comunidade científica na organização, estruturação e disseminação de dados e informações de forma livre e aberta. Desde julho de 2002 é qualificada pelo Ministério da Justiça como uma Organização da Sociedade Civil de Interesse público – OSCIP.
Em 2001, como parte do programa Biota/Fapesp o CRIA iniciou o desenvolvimento da rede speciesLink, como uma e-infraestrutura pública de dados, informações e ferramentas de livre acesso a serviço da pesquisa, educação e políticas públicas. Antes restrito às coleções biológicas do Estado de São Paulo, a partir de 2004 a rede foi ampliada para integrar acervos de outros estados e, a partir de 2006, dados sobre espécimes coletados no Brasil, mantidos em coleções do exterior. A figura a seguir mostra a rede em 2003, restrita a coleções do estado de São Paulo, e em 2015, com pontos de presença em todos os estados da União.




Distribuição geográfica dos provedores de dados da rede speciesLink nos anos de 2003 e 2015

O grande salto no desenvolvimento da rede speciesLink nos últimos 6 anos é resultante do apoio do CNPq ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia – Herbário Virtual da Flora e dos Fungos (INCT-HVFF). O INCT-HVFF hoje é responsável por mais de 70% dos dados disponibilizados na rede speciesLink. Os demais dados são procedentes de coleções zoológicas (24,4%), microbiológicas (0,2%), fósseis (0,1%) e dados de observação de plantas e animais (4%).

Evolução do compartilhamento on-line de dados sobre a ocorrência de espécies


Desenvolvimentos realizados no escopo do INCT-HVFF


e-Taxonomia

Um importante avanço do Herbário Virtual foi o desenvolvimento do serviço de imagens (exsiccatae) que permite a inclusão de imagens das exsicatas dos registros on-line. O serviço é uma importante ferramenta para a comparação e identificação de material à distância.


Ferramenta Exsiccatae

Com a meta inicial de disponibilizar 50 mil imagens, a ferramenta exsiccatae hoje integra quase 1 milhão de imagens, 600 mil de exsicatas, 11 mil de material vivo, 2 mil de pólen, 300 mil imagens de etiquetas de amostras, e todas as imagens da obra Flora Brasiliensis[1] com 3.828 pranchas e 10.215 páginas com a descrição de 22.550 espécies.


Modelagem da distribuição geográfica de espécies (BioGeo[2])

O sistema permite a geração e compartilhamento de modelos da distribuição geográfica potencial de espécies sob a supervisão de especialistas voluntários.

Modelagem da distribuição geográfica da espécie Passiflora actinia

O sistema conta com 117 especialistas cadastrados, responsáveis pela publicação de modelos de distribuição geográfica para 3.465 espécies. O grupo das Angiospermas possui 3.765 modelos – algumas espécies possuem mais de um modelo. Assim, já existem modelos de distribuição potencial para cerca de 10% das Angiospermas que ocorrem no Brasil.

Identificação de lacunas de dados e conhecimento

O sistema Lacunas[3] indica o status dos dados de todas as espécies da Lista da Flora e dos Fungos do Brasil. Apresenta a relação das espécies sem registros no Herbário Virtual, auxiliando o Comitê Gestor do INCT-HVFF na definição de estratégias para incluir novos acervos e dados à rede. Em janeiro de 2013 o sistema Lacunas indicou que 21% das espécies conhecidas de briófitas, 64% dos fungos e 10% das samambaias e licófitas não tinham nenhum registro no Herbário Virtual. O Comitê Gestor do INCT-HVFF definiu estratégias para diminuir essa lacuna como a contratação de bolsistas para a digitação de dados de acervos desses grupos, a inclusão de novos acervos à rede e a visita de especialistas a herbários com material não identificado. O resultado foi a queda do número de espécies sem registros no herbário virtual para 12% (briófitas), 41% (fungos) e 5% (samambaias e licófitas) em janeiro de 2015.
O sistema também aponta as lacunas geográficas por gênero e espécie, e indica quais espécies estão ameaçadas de extinção. Por fim, integra ao relatório as fichas de análise e avaliação de risco de extinção através do serviço web disponibilizado pelo CNCFlora (Centro Nacional de Conservação da Flora), os dados da Lista de Espécies da Flora do Brasil e os modelos de distribuição geográfica disponibilizados pelo BioGeo.

Página do relatório Lacunas para a espécie Adenocalymma dichilum


Uso e Reuso dos Dados e Ferramentas

Em 2014, o número médio de registros visualizados na rede speciesLink (plotados em mapas, gráficos, listados, downloads) foi de 1,4 milhão por dia. Mais de 95% dos acessos à rede foram realizados por usuários do Brasil, seguido pelos dos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Argentina, Portugal, Itália, México, Holanda e Colômbia. Como o objetivo da e-infraestrutura é promover a e-ciência e apoiar a formulação de políticas públicas e processos de tomada de decisão no Brasil, esse resultado é muito importante e indica que a e-infraestrutura está atingindo uma de suas principais metas que é a apropriação local dos dados e conhecimento.

 Acesso à rede speciesLink (2014)

A avaliação dos acessos no país indica as cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Campinas, Brasília, Curitiba, Porto Alegre e Salvador como as que mais utilizam a e-infraestrutura. Isso coincide com os grandes centros de pesquisa e ensino superior do país, as redes metropolitanas instaladas pela RNP e a existência das coleções biológicas participantes da rede.


Impacto


No Desenvolvimento Científico

95% dos herbários do INCT-HVFF, estão associados a programas de pós-graduação e incluíram temas como o uso dos dados e ferramentas da rede speciesLink nas disciplinas oferecidas. Como consequência dessa ação, acervos foram ampliados graças ao depósito de material associado à pesquisa de pós-graduação. Outro resultado foi a crescente participação de alunos no sistema BioGeo, aumentando o número de modelos de distribuição geográfica de espécies compartilhados on-line. Graças a essa interação, hoje cerca de 10% das espécies de Angiospermas do país citadas na Lista de Espécies da Flora do Brasil possuem modelos de distribuição geográfica on-line.

Em relação à produção científica, outro indicador importante é a evolução do número e da qualidade das publicações. A figura a seguir mostra um nítido aumento da quantidade de publicações de maior impacto na comparação entre os períodos de 2007 a 2009 e 2010 a 2012.

Número de publicações por tipo de publicação


Nas Coleções Biológicas

Em abril de 2015, como parte da avaliação do projeto do INCT-HVFF, foi enviado um questionário que foi respondido por 39 dos 100 herbários da rede. Além das questões mais objetivas em relação aos itens que receberam apoio direto como digitação dos dados, digitalização das imagens e melhora da qualidade dos dados, buscou-se saber se o fato de participar da rede e compartilhar os dados on-line trouxe outros benefícios.
  • 82% indicaram um maior reconhecimento institucional;
  • 72% indicaram um maior envolvimento com a pós-graduação;
  • 85% indicaram um aumento nas visitas ao herbário; e,
  • 74% indicaram um aumento do acervo pelo maior envolvimento com alunos da pós-graduação e através da permuta de material, graças à visibilidade do acervo on-line.


Em Políticas Públicas

Indicadores importantes em termos de políticas públicas relacionados à evolução da e-infraestrutura de dados são representados na figura a seguir e incluem:
  • Preparação e apresentação do trabalho “Diretrizes e estratégias para a modernização de coleções biológicas brasileiras e a consolidação de sistemas integrados de informação sobre biodiversidade” (MCT, 2006), mais conhecido como Livro Laranja, que foi base para o desenvolvimento do INCT-HVFF;
  • Programa PROTAX, fundamental para a formação de novos taxonomistas;
  • Flora Brasiliensis on-line, importante referência para estudos taxonômicos;
  • Aprovação do projeto INCT-HVFF;
  • Desenvolvimento da Lista de Espécies da Flora do Brasil como um trabalho em rede e on-line; e,
  • Portaria No. 443/14 do MMA sobre espécies ameaçadas de extinção do país, que utilizou os dados da rede speciesLink no processo de avaliação.

    Evolução dos dados compartilhados na rede speciesLink e alguns marcos históricos

A e-infraestrutura como referência para os especialistas responsáveis pela elaboração da Lista de Espécies da Flora do Brasil e para o Projeto Lista Vermelha que avaliou o risco de extinção de espécies da flora brasileira mostra também a sua importância para políticas públicas.
Assim, a e-infraestrutura speciesLink é resultante das estratégias e políticas desenvolvidas ao longo dos últimos 14 anos e da articulação da comunidade científica (principalmente botânica) do país. A rede social desenvolvida, atuando de forma integrada, é o principal fator de sucesso, sendo diretamente responsável pelos excelentes resultados alcançados.

Referências 


Egler, I., Santos, M.M. & Canhos, V.P.. (Org.). Diretrizes e estratégicas para a modernização de coleções biológicas brasileiras e a consolidação de sistemas integrados de informação sobre biodiversidade. 1aed.Brasília, DF: Ministério da Ciência e Tecnologia, 2006