29 de jul. de 2022

Catálogo de Abelhas Moure atualizado

 Gabriel A. R. Melo, UFPR


É com muita satisfação que apresentamos aqui a versão atualizada do Catálogo Moure para as espécies de abelhas neotropicais. Informações taxonômicas, publicadas no período de 2011 a 2021, foram incorporadas à nova versão, bem como correções e adição de táxons omitidos na versão original. Quando disponíveis, dados de distribuição geográfica foram atualizados a partir de revisões taxonômicas publicadas no período. Para as espécies com ocorrência no Brasil, introduzimos a novidade de apresentar a distribuição geográfica a nível de município e não apenas para o estado.

Foram agregados cerca de 500 novos nomes, em nível de espécie, à presente versão, a grande maioria referente a nomes publicados a partir de 2011. A fauna brasileira, que na versão de 2007 era composta por 1678 espécies, contém hoje 1965 espécies, distribuídas da seguinte maneira: 121 pertencentes a Andreninae, 1031 a Apinae (das quais, 251 a Meliponini), 126 a Colletinae, 337 a Halictinae e 350 a Megachilinae.

Alguns táxons novos não foram catalogados na presente versão pela impossibilidade de se acessar o conteúdo original da publicação. Esses casos envolvem periódicos com acesso restrito e que não são assinados pelo Portal de Periódicos da Capes. Foram feitas tentativas de se obter os respectivos arquivos PDF diretamente com os autores, porém sem sucesso. Assim, optou-se por não incluir as informações contidas nos resumos, uma vez que são insuficientes para uma catalogação mais completa dos atos nomenclaturais pertinentes.

Quero chamar atenção aqui também para publicações taxonômicas que se beneficiam da informação disponibilizada livremente pelo catálogo, mas que nem sempre dão os devidos créditos. Há casos, por exemplo, de posicionamento taxonômico que foram apresentados no Catálogo Moure pela primeira vez e que depois foram repetidos em publicações subsequentes como novidades e não indicando o catálogo como fonte da informação.

É importante também alertar que as informações contidas nas versões online do catálogo Moure, em sua maioria, se referem apenas ao que se encontra publicado na literatura. Assim, há uma grande quantidade de informação não publicada, referente a posicionamento taxonômico, sinonímia, existência de material tipo considerado perdido, etc., que não estão sendo incorporadas nas versões online. Há casos, por exemplo, de designações de neótipos, feitos a partir da suposição de que o material tipo encontra-se perdido, que na verdade são inválidas porque há informação não publicada sobre o paradeiro do material e que não tinha sido incluída no catálogo online. O código de nomenclatura zoológica, no seu artigo 75, recomenda que antes de uma designação de neótipo, os autores devam consultar outros especialistas no grupo.

Gostaria de aproveitar para agradecer ao projeto “Consolidação da e-infraestrutura de dados abertos sobre a diversidade das abelhas nativas do Brasil”, na pessoa do seu coordenador, Prof. Eduardo Almeida (USP) e ao CNPq, IBAMA e a Associação Brasileira de Estudos das Abelhas – A.B.E.L.H.A. que por meio do subprojeto “Atualização do Catálogo de Abelhas Moure” permitiu a contratação de bolsistas que auxiliaram na atualização das informações sendo disponibilizadas. Nesse sentido, agradeço ao Dr. Diego Nunes Barbosa pelo grande empenho na compilação de informação e digitação dos dados na base usada para a nova versão. Agradeço também à colaboração do CRIA, em particular ao Sidnei de Souza, pela paciência e pelo empenho para a disponibilização online do Catálogo Moure.
Gostaria também de agradecer ao Prof. Antônio Aguiar (UnB) pela atualização das informações referentes aos Tapinotaspidini e ao Prof. Rodrigo Gonçalves (UFPR) por revisar as informações referentes a Halictinae. Agradeço também a todos aqueles que, desde a publicação da versão original em 2007, chamaram a atenção para incorreções no catálogo e nos enviaram seus comentários.

O Catálogo Moure para as espécies de abelhas neotropicais está disponível online de acesso público e aberto (http://moure.cria.org.br).


24 de jun. de 2022

Matéria publicada no itforum destaca a parceria CRIA - Google Cloud

 Após o evento Google for Brasil 2022, o CRIA participou de uma coletiva de imprensa com a equipe do Google e o jornalista Marcelo Gimenes Vieira do itforum. Vejam a publicação resultante de Marcelo Gimenes Vieira

Com Google Cloud, Cria quer expandir uso de dados sobre biodiversidade

Migração de sistemas e dados do Centro de Referência em Informação Ambiental para a nuvem abre perspectivas para além da academia



Boa leitura!

15 de jun. de 2022

Google for Brasil 2022

 O CRIA foi convidado a participar do Google for Brasil, o principal evento anual do Google no país, realizado no dia 14 de junho. No evento foram apresentadas várias novas ações e desenvolvimentos do Google com parceiros no país, em busca de um Brasil mais inclusivo, socialmente justo e economicamente sustentável. Entre as ações, foi apresentada por Maia Mau, Head de marketing de produtos do Google para a América Latina e co-líder do comitê interno de sustentabilidade, a parceria com o CRIA para a manutenção de seus sistemas públicos de informação online através do Google Cloud Brasil. Acreditamos ser esse um momento de grande alegria para todos nós por representar um grande passo rumo à preservação da rede colaborativa que nos une, a rede speciesLink, e dos demais sistemas públicos de dados.


Vale à pena conferir o post publicado pela Maia Mau no blog do Google  e o Blog do Google Brasil com todas as novas iniciativas apresentadas no evento. 

3 de jun. de 2022

Convite para participação do WBio2022





WBio2022! Inscreva-se no link:


O WBio2022 possibilita identificar iniciativas transformadoras de governança em biodiversidade de governos locais e subnacionais focando cinco temas estruturais iniciais (Governança, Cidades, Serviços Ecossistêmicos, Áreas protegidas e Ciência) – permitindo o conhecimento de diversificadas ações locais e/ou subnacionais que podem ser emuladas para o futuro desenvolvimento de projetos em diferentes regiões do planeta, reforçando o conceito de agir localmente, e pensar globalmente.

O WBio2022 também vai debater maneiras e meios para que esses projetos se sustentem, baseando-se na liderança de governos subnacionais já envolvidos no Processo de Edimburgo do CBD e suas redes, como Regions4, AC-SNG, GoLS e ICLEI. Um dos principais objetivos do evento é dar início à implementação do GBF em nível territorial, subnacional e local, através de reflexões coletivas que pretendem apontar caminhos para o desencadear a implementação de soluções concretas sobre as principais questões transformadoras e potenciais lacunas no Marco Global de Biodiversidade (GBF) a ser adotada pela CBD COP 15.

Outros objetivos do WBio2022 são:

-Preparar o debate visando estruturar uma plataforma de governança de ações concretas a partir de territórios sustentáveis, destacando iniciativas locais e subnacionais de vários países - dentro do Marco Global de Biodiversidade, com prazo até 2030. 

-Criar um grupo de gestão multicêntrico com pessoas e organizações interessadas para acompanhamento e implantação da plataforma 

-Mobilizar recursos e negócios para a plataforma cooperativa para auxiliar os   principais SNGs e parceiros, para geração de conhecimento, matchmaking e aceleração do desenho de projetos, buscando gerar avanços concretos até 2030, a Década da Ação, sugerida pela ONU;

-Estabelecer acordos com redes líderes e atores internacionais;

-Formar grupos de trabalho nos 5 temas que serão tratados: 

Tema 1. Implementação e governança de comunicação, educação ambiental e sensibilização da sociedade (CEPA).

Tema 2. As cidades: otimizando soluções baseadas na natureza, abordagens baseadas em ecossistemas e restauração de ecossistemas urbanos.

Tema 3. Os territórios subnacionais: economia verde&azul e instrumentos financeiros e de incentivo para projetos e ações em escalas de paisagens marinhas e terrestres, no contexto dos benefícios de serviços ecossistêmicos, considerando integração vertical e horizontal.

Tema 4. Áreas protegidas e outras medidas eficazes de conservação baseadas em área (OECMs) – identificando sinergias público-privadas para conectividade, destacando áreas marinhas e costeiras.

Tema 5. Ciência, geração de conhecimento e monitoramento: intercâmbio de pilotos, estabelecimento de indicadores baseados em ciência, reportes e construção de capacidades em transferência de tecnologia para as atividades desta plataforma de governança, priorizando Florestas Tropicais, destacando em áreas urbanas a restauração, florestas e agricultura, e em energia renovável sensível à natureza.



23 de fev. de 2022

Artigo no Estadão: A retomada do desenvolvimento nacional requer protagonismo da sociedade civil

 Rubens Naves, Presidente do Conselho Deliberativo do CRIA



Diante do declínio acentuado do país, as Organizações da Sociedade Civil tornam-se atores ainda mais estratégicos para a retomada do desenvolvimento. Entretanto, o tema dificilmente tem o destaque necessário no debate público. "Quando cumpre seu papel, mantendo-se distinto tanto do Estado quanto da iniciativa privada, combinando a vocação e a missão públicas do primeiro com a flexibilidade focada em resultados do segundo, o Terceiro Setor não combina com as visões de mundo e os discursos da direita privatista e da esquerda estatizante, que ainda dominam o debate político", explica Rubens Naves.

CONFIRA A ANÁLISE COMPLETA


31 de jan. de 2022

Tributo à Barbara Kirsop

 Dora Ann Lange Canhos em nome da equipe do CRIA




No dia 26 de janeiro de 2022, o CRIA perdeu uma grande amiga, fonte de inspiração e colaboração, uma referência, Barbara Kirsop. Nas décadas de 1980 a 1990 foi pioneira no trabalho de curadoria e informatização da NCYC – National Collection of Yeast Cultures da Grã-Bretanha. Como presidente da Federação Mundial de Coleções de Culturas (WFCC), contribuiu para a implantação de redes colaborativas em diversas regiões do planeta. Vanderlei Canhos e eu a conhecemos em 1985 em uma viagem de visitas técnicas a coleções microbiológicas britânicas e francesas, estabelecidas com modelos distintos de organização. A visita teve como meta estabelecer parcerias para implementar um programa de treinamento com foco na estruturação da rede de coleções microbiológicas no Brasil.  

Realizada com o apoio da Finep e Conselho Britânico, a visita da Barbara Kirsop ao Brasil em 1986, resultou na estruturação de um programa de capacitação de recursos humanos para a organização, gerenciamento e informatização de coleções microbiológicas. Ao longo de uma década foram oferecidos cerca de 50 cursos de treinamento e eventos internacionais abertos a curadores e técnicos de coleções microbiológicas do país. Vanderlei Canhos foi eleito secretário e vice-presidente da WFCC nas gestões de Barbara Kirsop, sendo depois eleito presidente. Tudo isso fomentou a articulação internacional e contribuiu para que a Coleção de Culturas Tropical, CCT, se tornasse uma Coleção de Serviços de reconhecimento internacional.

Em 1985, a Base de Dados Tropical, BDT, publicou o primeiro Catálogo Nacional de Linhagens online através do serviço Cirandão da Embratel. Em 1988 se tornou ponto focal do MSDN (Microbial Strain Data Network) e em 1993 desenvolveu o sistema Bioline International, uma proposta da Barbara apresentada à equipe. A colaboração da Barbara com editores de revistas científicas internacionais resultou na estruturação de um sistema de informação integrador para disseminação on-line dos resumos de artigos publicados em periódicos científicos no Bioline de forma livre e aberta a todos. Aos poucos, essa ideia inicial foi mudando e o interesse do Bioline, ou seja, da Barbara, passou a ser o de disponibilizar a plataforma Bioline para que os países do hemisfério sul pudessem divulgar a sua ciência, publicando artigos de interesse para os seus países nas suas revistas locais.

No processo ela também trouxe o Dr. Leslie Chan da Universidade de Toronto para trabalhar nessa iniciativa junto com a sua equipe. Enquanto o CRIA é responsável por manter e desenvolver o sistema, a Universidade de Toronto é responsável pelo gerenciamento do conteúdo.

Em 2021 foram requisitados em média 1,3 milhão de artigos completos por mês. Alguns indicadores do conteúdo são:


Número de artigos por país (Bioline, Jan, 2022)

Número de artigos por língua (Bioline, Jan, 2022

Em 2013 Barbara esteve no Brasil, no CRIA juntamente com o Dr. Leslie Chan da Universidade de Toronto, nosso parceiro no Bioline, para celebrar os 20 anos dessa iniciativa. 

Foto tirada no evento com Dora Canhos, Sidnei de Souza, Vanderlei Canhos e Leslie Chan (de pé) e sentada, a homenageada Barbara Kirsop (CRIA, 2013).

Para a celebração dos 20 anos do Bioline, a Barbara, sempre muito ativa, fez um levantamento junto aos editores das revistas participantes e constatou o seu impacto e importância. Alguns depoimentos foram registrados e estão no vídeo do evento que conta um pouco da história do Bioline e da homenagem à Barbara que gostaríamos de compartilhar no nosso Blog para que todos possam se recordar dela ou conhecer um pouco da sua história.

https://www.youtube.com/watch?v=8OhdZFZ9x0w

Barbara Kirsop uma verdadeira cidadã do mundo a quem devemos muito.




30 de dez. de 2021

Um ótimo 2022 para todos nós!

Aproveitamos o último post do ano para agradecer a todos os colaboradores e financiadores pela confiança e dedicação no compartilhamento de dados e conhecimento via rede, de forma aberta e livre.

2021 foi um ano muito complexo para o CRIA, que teve sua terceira grande transferência de todos os seus sistemas para outro centro de dados. A primeira ocorreu em 2013, quando os equipamentos do CRIA, em Campinas, foram fisicamente transferidos para o Internet Data Center da RNP em Brasília. Ganhamos muito com essa transferência, um ambiente mais seguro com infraestrutura profissional, incluindo excelente conectividade, além do fortalecimento da parceria com a RNP que também proporcionou a integração do CRIA à Redecomep em Campinas.

A segunda, em 2019, envolveu a transferência dos sistemas do IDC/RNP de Brasília para uma nova plataforma, o Centro de Dados Compartilhados da RNP (CDC/RNP) em Recife. O motivo foi a obsolescência dos nossos equipamentos e, com essa transferência, passamos a contar com os serviços em nuvem da RNP. Novamente o ganho foi grande, uma infraestrutura compatível com as nossas necessidades e uma despreocupação em relação à infraestrutura física necessária para manter nossos sistemas online.

Em setembro de 2020 fomos informados pela RNP da impossibilidade de manter os serviços do CDC por questões orçamentárias. Assim, em 2021 todos os sistemas foram transferidos para o Google Cloud Platform (CGP), dessa vez, numa mudança muito mais complexa por envolver a reestruturação de toda a infraestrutura do CRIA. Isso foi possível por termos recebido um crédito emergencial do Google para garantir que o sistema fosse mantido online enquanto buscamos uma solução mais perene. Portanto, além da transferência propriamente dita, nos preocupamos pela otimização do uso dos recursos para que o crédito concedido dure mais tempo. Novamente ganhamos muito nesse processo. Os grandes destaques são as parcerias com o Google e o MapBiomas, e o desenvolvimento do novo speciesLink, lembrando que a parceria com a RNP continua sendo fundamental.

Em relação ao novo speciesLink, gostaríamos de agradecer também às mais de 200 pessoas que responderam ao questionário lançado online em 2020 com o objetivo de receber um feedback com críticas e sugestões sobre o sistema. Acreditamos que a maior parte das sugestões foram atendidas no novo speciesLink cuja nova interface de busca foi lançada em agosto de 2021, mas continua em franco desenvolvimento. Outros componentes da rede serão lançados em 2022.

Com o uso de novas ferramentas, o sistema de busca ficou muito mais rápido, o que possibilitou a inclusão de filtros geográficos e diferentes formas de visualizar o resultado da busca. Com isso, o uso dos dados, que apresentava uma média de 680 milhões de registros por ano (1,9 milhão por dia), em 2021 apresenta um uso superior a 71 bilhões de registros, o que representa uma média de 195 milhões de registros por dia. A rede hoje disponibiliza 15,7 milhões de registros, portanto o sistema serve mais de 12 vezes o seu acervo por dia.

O número de imagens visualizadas praticamente dobrou, de 3,4 milhões de imagens em 2020 para 6,8 milhões, o que representa cerca de 19 mil imagens visualizadas por dia.

2022 certamente também será um ano desafiador para todos nós, mas acreditamos que a base construída através do trabalho colaborativo e em rede prosperará.

Desejamos um ótimo 2022 para todos!

Equipe do CRIA



17 de dez. de 2021

Race to Zero - Race to Resilience

 Dora Ann Lange Canhos
Centro de Referência em Informação Ambiental - CRIA


No dia 14 de dezembro pp celebramos o 21º. aniversário do CRIA com uma reunião dos nossos Conselhos Deliberativo, Fiscal e Consultivo, Diretoria e equipe. Na ocasião pudemos contar com a palestra da Dra. Jussara de Lima Carvalho, coordenadora da Assessoria Internacional da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente (SIMA) do governo do Estado de São Paulo e presidente do Conselho Consultivo do CRIA. O papel da Dra. Jussara na Secretaria, além da atribuição usual das Assessorias Internacionais, é internalizar as Políticas Globais de Mudanças Climáticas, Biodiversidade e de Desenvolvimento Sustentável (ODS) em todas as estruturas da SIMA e empresas e instituições vinculadas.

Em julho de 2021 São Paulo aderiu às campanhas da ONU “Race to Zero” e “Race to Resilience” para zerar a emissão de poluentes até 2050. A Dra. Jussara participou da comitiva do governo de São Paulo que foi à COP26 em Glasgow, de 31 de outubro a 12 de novembro de 2021, onde apresentaram o documento “Plano de Ação Climática do Estado de São Paulo, Diretrizes e Ações Estratégicas – PAC NET ZERO 2050”.


Dra. Jussara apresentou as principais diretrizes do Plano de Ação Climática Net Zero 2050 para atingir, até o ano 2050, a neutralidade das emissões de gases de efeito estufa – GEE. Apresentou as linhas gerais do plano de ação que inclui a recuperação de 1,5 milhão de hectares com florestas nativas (Refloresta SP); um programa agronômico de produção eficiente combinado com proteção ambiental (Agrolegal) e o novo ICMS Verde que projeta a transferência de um bilhão de dólares norte americanos para municípios com administração ambiental eficiente, nos próximos 10 anos. Também apresentou programas existentes como o programa Nascentes, o de produção agrícola de baixo carbono, mobilidade urbana, arquitetura e engenharia de construções sustentáveis e o zoneamento ecológico-econômico do Estado de São Paulo.

Na reunião em Glasgow, São Paulo reafirmou o seu compromisso com as metas do acordo de Paris, demonstrou que:
  • de acordo com o inventário florestal de 2020, houve um aumento da cobertura vegetal do estado em 5% nos últimos 10 anos; 
  • há um controle do desmatamento legal do estado desde 2008; e que,
  • 62% da energia de São Paulo é renovável.
Durante a reunião foi lançado o projeto Amazônia + 10, uma ação conjunta entre São Paulo e os nove estados da Amazônia legal (Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins) em prol da Amazônia. Será investido um valor mínimo de R$ 100 milhões pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) para a resolução de desafios de mudanças climáticas da Amazônia Legal.

Esse programa terá quatro grandes áreas de atuação:
  1. conservação da biodiversidade e mudanças climáticas;
  2. proteção de populações e comunidades tradicionais;
  3. desafios urbanos da Amazônia legal; e,
  4. bioeconomia como política de desenvolvimento econômico.
O Governo de SP em breve publicará decretos para aprimorar o programa de Compras Públicas Sustentáveis, Madeira Legal e Pagamento por Serviços Ambientais, além da própria regulamentação da PEMC.

Os Governadores pelo Clima lançaram na COP26 o Consórcio Brasil Verde que tem por objetivo fortalecer a governança socioambiental e climática do país, além de buscar financiamentos internacionais.

É importante também destacar o Acordo Ambiental, um compromisso voluntário com as empresas para redução de emissão de gases de efeito estufa. 

Mais de 1.300 entidades, empresas e municípios já aderiram a esse acordo que pretende induzir a redução de gases de efeito estufa nos próximos 10 anos e incentivar a implementação de novas tecnologias e soluções inovadoras, realçando o protagonismo do Estado na agenda climática.

Por fim, Dra. Jussara destacou a importância do papel dos governos subnacionais na adaptação climática e no fomento científico. Também destacou o ativismo de jovens e dos povos originários na COP26.

A apresentação foi seguida de um debate cujo principal foco foi a sociedade:

Como envolver e engajar a sociedade na questão ambiental?

21 de out. de 2021

O Herbário Fernando Cardoso da Silva (HFC) integra seus dados à rede speciesLink

Antonio A. Carpanezzi, curador do HFC

O Herbário Fernando Cardoso da Silva-HFC situa-se na base física da Embrapa Florestas, na zona suburbana, quase rural de Colombo-PR. Sua primeira coleta é de 1978 e sua trajetória foi lenta e irregular, melhorando nos últimos dez anos. Hoje, a estrutura física é adequada, contando com prédio próprio e um sistema automatizado de climatização simples e eficiente (≤ 18°C e ≤ 50% UR). O acervo soma 10.608 exsicatas, cujos dados estão inseridos em um banco do programa BRAHMS. A equipe é reduzida e experiente, embora não conte com profissionais formalmente instruídos em botânica. As determinações mais complexas têm sido feitas por pessoas externas, destacando-se o corpo técnico do herbário MBM de Curitiba-PR.

O banco de dados do HFC foi incorporado ao speciesLink em setembro de 2021. Não há imagens de exsicatas, pois o HFC não dispõe de mesa fotográfica apropriada. Todavia, imagens constituem um objetivo importante do HFC, seja para auxiliar na identificação, seja para fins didáticos em palestras ou cursos junto ao público leigo. Por isso, como norma de procedimento nos últimos anos, nas coletas botânicas realizadas pela equipe do HFC as plantas vivas ou frescas são fotografadas, originando uma fototeca dentro do BRAHMS ora abrangendo c.450 registros. Tais imagens (três por registro, em média) devem integrar o speciesLink em novembro de 2021.

O objetivo principal do HFC é assessorar a pesquisa florestal da Embrapa Florestas e seus parceiros, voltada à produção sustentável e à restauração de ecossistemas. Assim, tanto a flora nativa como espécies comerciais introduzidas ou asselvajadas são objetos de interesse. Para coletas, há ênfase no sul do Brasil, por aspectos financeiro e de conexão com os projetos em andamento.


a) Prédio do herbário, que ocupa o piso inferior. b) Vista parcial interna. c) Sala de exsicatas, mostrando parte do conjunto de climatização. d) Painel de controle da climatização



Coletas no campo: e) em Barracão/RS, setembro 2012. f) Em Cerro Azul/PR, agosto 2017. Imagens no BRAHMS de plantas vivas de amostras tombadas: exemplos de 2021: g) Solanum atropurpureum e h) Erythroxylum argentinum.

18 de out. de 2021

Madeiras e suas imagens

Carmen Regina Marcati
Laboratório de Anatomia de Madeira
UNESP, FCA, Depto. Ciência Florestal, Solos e Ambiente
Botucatu, SP

A Xiloteca tem como principal objetivo apoiar estudos científicos em madeiras. É fonte importante de informações para a pesquisa, fornecendo possibilidades de identificação e resgate de dados sobre procedência, coletores, local onde estão depositadas as exsicatas e outras informações que auxiliam em estudos.

Sendo a madeira um material heterogêneo, constituído por células organizadas em diferentes direções, o melhor meio de se entender a sua estrutura é através de imagens das suas três secções: transversal, longitudinal tangencial e longitudinal radial. Desta forma, podemos visualizar as mesmas células em diferentes posições.

Estamos alimentando o banco de imagens das amostras da Xiloteca “Profa Dra Maria Aparecida Mourão Brasil” (BOTUw) e esperamos que isso contribua não apenas aos estudiosos da madeira, mas também para aproximar o público em geral a esse universo fantástico que é a madeira.


Registro online da amostra BOTUw 1322 da Xiloteca "Profa. Dra. Maria Aparecida Mourão Brasil"

Para acessar todas as imagens disponíveis da xiloteca BOTUw é só acessar a interface de busca da rede speciesLink e digitar o acrônimo BOTUw.


28 de set. de 2021

Evento: Biodiversity Digitization - Celebrating a decade of progress

 Dora Ann Lange Canhos, Diretora Associada do CRIA



As instituições iDigBio (Integrated Digitized Biocollections), GBIF (Global Biodiversity Information Facility), U.S. National Museum of Natural History (Smithsonian) e National Science Foundation (NSF) organizaram o evento “Biodiversity Digitization: Celebrating a Decade of Progress” nos dias 22 e 23 de setembro de 2021. Mais de mil pessoas de 53 países se registraram para o evento. 

Ao longo de dois dias foram 36 panelistas representando 12 países. O CRIA teve a honra de ser convidado para apresentar a sua experiência na rede speciesLink sobre qualidade e limpeza de dados (Data Cleaning Strategies). 

Os temas discutidos foram:

·      Inovações: Estratégia e Coordenação. Nesse tema foram apresentados trabalhos de produção de imagens 3D, digitalização de grandes coleções de insetos, entre outros.

·    Comunidade. Alguns trabalhos nesse tema foram a mobilização de coleções paleontológicas nos Estados Unidos, exemplos de Crowdsourcing, WeDigBio, automação e mobilização de dados para pequenas coleções regionais, o sistema distribuído Europeu de coleções e a colaboração regional na América do Sul e Caribe do GBIF.

·    Coleções de História Natural e os Grandes Desafios. As apresentações incluíram: Porque precisamos de digitação, machine learning, inteligência artificial em um momento de mudança global; Conectando coleções de história natural e genômica; Como coleções podem contribuir na pandemia; Valoração de dados digitais de coleções; Digitalização de coleções nos EUA nos últimos 10 anos; e, Estratégias de limpeza de dados do speciesLink.

·    What’s next? Para discutir esse tema, as apresentações incluíram: O Mecanismo Coordenador para a Gestão da Informação sobre Biodiversidade na África: Fortalecimento da Ciência, Tecnologia e Inovação; Inovação com participação; Novos fatores que impulsionam a digitalização no Museu de História Natural; Manejo de abelhas: estabelecimento da primeira coleção de referência de Abelhas da África Ocidental; Paleo, µCT, canais de aprendizado profundo e aplicações de pesquisa; Uso automatizado de espécimes digitalizados na botânica; Coleções biológicas como infraestrutura de pesquisa e desenvolvimento; Saltando de espécimes e amostras do projeto NEON em uma teia de dados vinculados; A comunidade falou: agora, como podemos traduzir palavras em ações?

O evento foi muito bem organizado e todas as apresentações e discussões foram gravadas. Também foram previamente preparados resumos e gravações individuais de cada apresentação. Recomendo o acesso ao wiki da conferência


24 de set. de 2021

Participação do CRIA no evento Setembro Botânico

Em comemoração ao dia do biólogo (dia 3), dia da Amazônia (dia 5) e dia da árvore (dia 21), o Herbário da Universidade Federal do Amazonas (HUAM) organizou o evento Setembro Botânico 2021, com o apoio dos principais Herbários do Amazonas (INPA, EAFM  e HERBIT).

O evento online ocorreu entre os dias 20 e 24 de setembro, com palestras, mesas redondas, oficinas e uma série de vídeos. A Dra. Helba Cirino, representando o CRIA, apresentou a palestra “Digitalizar para preservar e difundir” em que discorreu sobre a importância da integração e disponibilização dos registros das coleções biológicas online através da rede speciesLink. Na ocasião, a Dra. Helba mostrou alguns produtos derivados da integração de dados de herbários e procurou incentivar a participação das coleções que ainda não compartilham seus dados online, na rede speciesLink.

Ao longo da semana, o evento proporcionou a divulgação do trabalho de herbários e de temas importantes como paisagismo urbano e valorização dos polinizadores. Procurou incentivar a geração de estudantes e futuros pesquisadores a serem cada vez mais conscientes quanto à importância da botânica para a conservação e preservação ambiental.

O vídeo com a participação do CRIA no evento está disponível no YouTube pelo link https://www.youtube.com/watch?v=2VI7SY31htw.




20 de set. de 2021

A Coleção de Referência de Ovos e Larvas de Peixes do Laboratório de Ecologia do Ictioplâncton e Pesca em Águas Interiores (CROLP-LEIPAI) disponibiliza dados do seu acervo no CRIA.

Diego Maia Zacardi, Dr. Ciência Animal - Ecologia Aquática e Aquicultura, Coord. Laboratório de Ecologia do Ictioplâncton e Pesca em Águas Interiores - LEIPAI, Instituto de Ciências e Tecnologia das Águas - ICTA, Universidade Federal do Oeste do Pará - UFOPA

A Coleção de Referência de Ovos e Larvas de Peixes do Laboratório de Ecologia do Ictioplâncton e Pesca em Águas Interiores (CROLP-LEIPAI) da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) foi pensada e criada para atender as determinações de inúmeros projetos de pesquisa, além de disponibilizar os dados para diversos outros pesquisadores. A coleção oferece apoio a pesquisas ecológicas e inventários ictioplanctônicos. Também procura divulgar a importância de coleções científicas, seja para produção de conhecimento ou em ações de extensão junto à comunidade local e/ou científica. Outras informações do LEIPAI podem ser encontradas e acessadas via: https://leipaiufopa.com

A coleção está preparada para receber amostras de várias bacias hidrográficas e estados brasileiros. Atualmente contempla mais de 80 espécies identificadas, compreendendo mais de 210.000 espécimes de larvas de peixes da Amazônia. É um acervo de expressão regional composto majoritariamente de material recente, principalmente de exemplares capturados em sistemas fluviais provenientes da região norte do Brasil (rio Solimões, rio Japurá, rio Amazonas, rio Tapajós, rio Trombetas, rio Xingu, rio Guamá, rio Pará, e suas zonas adjacentes como lagos, furos, canais, entre outros), além de amostras da região estuarina e costeira.

O processo de catalogação e informatização da coleção está em andamento, entretanto, os espécimes e os dados da coleção estão disponíveis a pesquisadores bem como a consulta por estudantes de graduação e pós-graduação, devidamente autorizados e acompanhados pelo curador ou técnico responsável. Destaca-se que dentre as coleções ictioplanctônicas reconhecidas no Brasil, apenas essa situa-se na Amazônia. Em curto espaço de tempo pretendemos disponibilizar, por meio do formulário de busca do speciesLink, arquivos de imagens em cores e com escala de tamanho, contemplando os diversos estágios de desenvolvimento larval de cada espécie catalogada.


a) Catalogação das larvas. b) Amostras tombadas

c) Espaço físico. d) Armários superiores de armazenamento das amostras tombadas

e) Amostras em via de tombamento



15 de set. de 2021

A importância do speciesLink para milhares de usuários

 Giselda Durigan, pesquisadora científica do Instituto de Pesquisas Ambientais do Estado de SP

Quando comecei minha carreira de cientista na década de 1980, estudando a vegetação nativa, sua ecologia e restauração, não existia um livro sequer com ilustrações das espécies onde eu pudesse confirmar a identificação de uma planta que tivesse em mãos, etapa fundamental de qualquer estudo em ecologia vegetal. Para chegar a essa informação, era preciso enfrentar a saga de visitar as coleções botânicas, nem sempre acessíveis, e encarar todas as limitações decorrentes de identificações incompletas, desatualizadas, ou pior, equivocadas. Um trabalho lento, cansativo, insalubre e, muitas vezes, infrutífero.

A existência, hoje, de bases de dados como o speciesLink, mantido pelo CRIA, tornou a minha vida e a de todos os que dependem da identificação de plantas (entre outros seres vivos) extremamente mais fácil. Esse gigantesco avanço geralmente não é percebido pelas novas gerações, que aprenderam a acessar a internet antes mesmo de aprender a ler e escrever. Por isso, é preciso falar sobre o assunto, pois a continuidade da existência dessas bases de dados depende de sua valorização por toda a sociedade. 

É preciso que se compreenda que o gigantesco acervo das coleções de biodiversidade no Brasil, construídos pelos taxonomistas ao longo de séculos, não teria a extraordinária utilidade que tem hoje se não existissem profissionais dispostos a viabilizar a disponibilização das imagens e informações por meio de um sistema ágil e inteligente de busca, como é hoje o speciesLink. 

   





  






14 de set. de 2021

Biodiversity Digitization: Celebrating a Decade of Progress

 Vale a pena conferir!


A agenda detalhada está disponível na página: 

https://www.idigbio.org/wiki/index.php/Biodiversity_Digitization:_Celebrating_a_decade_of_progress 

A conferência irá destacar experiências de sucesso na digitação e mobilização de dados sobre biodiversidade, apresentando diferentes estratégias para diferentes grupos taxonômicos.  O CRIA foi convidado para participar do evento para apresentar as estratégias adotadas pela rede speciesLink em relação à limpeza de dados (speciesLink's data cleaning strategies). Esse trabalho será apresentado pela Dora Canhos no segundo dia do evento, na 5a. feira dia 23 de setembro às 11:30, horário do Brasil.

Hoje fomos informados que já existem cerca de 700 pessoas inscritas no evento e o limite é de 1.000 inscrições. Daí esse anúncio para que as pessoas interessadas não deixem de se inscrever no endereço https://bit.ly/3zDMcQS 

3 de set. de 2021

Um campo de futebol não traduz a perda ocorrida em tragédias ambientais

 Dora Ann Lange Canhos, Centro de Referência em Informação Ambiental

Quando ocorre alguma tragédia ambiental, como uma queimada, por exemplo, o noticiário divulga a perda em área equivalente a tantos campos de futebol. Informar a área é importante, como também é interessante traduzir metros ou quilómetros quadrados usando um valor que o cidadão comum tenha como referência. Mas normalmente fica nisso. Perde-se, com essa imagem, o fator fundamental por trás da tragédia, além do fator humano. Qual foi a perda da biodiversidade? Quais ecossistemas foram afetados? Qual é o impacto dessa destruição em termos de serviços ambientais? Que espécies foram afetadas? Como recuperá-las?



Visualizar uma queimada em termos de campos de futebol pode passar uma ideia errada da dimensão da perda, uma vez que, no nosso imaginário de "campos de futebol", visualizamos apenas gramados extensos. A perda é muito maior e sua verdadeira dimensão deve ser divulgada.

A divulgação dos incêndios no pantanal, no ano passado, tocou as pessoas porque foram exibidas imagens de animais mortos e feridos, causando muita empatia. No entanto, até nesse caso, pouco se falou da perda de outros animais, plantas, fungos, algas e microrganismos importantíssimos para a cadeia alimentar, para a polinização, para a proteção dos rios, etc. etc. Sem falar no potencial uso de novas moléculas para diversos fins, como fármacos, por exemplo. Potencialmente também perdemos o que sequer conhecemos.

Exemplos de imagens online de espécimes coletados no pantanal (speciesLink, 03/09/2021)

A rede speciesLink hoje compartilha cerca de 15,5 milhões de registros de espécimes coletados ou observados no Brasil e em outros países da América do Sul. Os primeiros registros são do século 17, com coletas realizadas por Georg Marcgrave, geógrafo, astrônomo e naturalista, que esteve na então colônia holandesa, entre os anos de 1638 a 1644

A interface de busca da rede speciesLink possui filtros geográficos que facilitam a análise de áreas como unidades de conservação (federais, estaduais e municipais), terras indígenas, bacias hidrográficas além de biomas, regiões, estados e municípios brasileiros. Usando essa interface para obter registros de ocorrência de espécies no Pantanal, obtém-se mais de 100 mil registros e 13 mil imagens de mais de 6 mil espécies distintas de animais, plantas, algas, fungos e microrganismos, de amostras coletadas e depositadas em coleções biológicas do país e do exterior. 

É fundamental que as perdas resultantes de tragédias causadas ou não por ações humanas, sejam dimensionadas, "traduzidas" e comunicadas à população em sua dimensão real. É fundamental também ressaltar o trabalho cientifico de coleta, identificação e conservação desse material nas coleções mantidas por Universidades e instituições de pesquisa, verdadeiras bibliotecas da vida. 

Nota: Todos os dados e imagens da rede speciesLink são de acesso público e aberto, apenas solicitamos a citação à fonte dos dados.


19 de ago. de 2021

A Coleção de Briófitas do HUNI: beleza em miniatura

 Sandra Zorat Cordeiro, Curadora do HUNI

A Coleção de Briófitas do Herbário Prof. Jorge Pedro Pereira Carauta, o HUNI, começou a ser montada por sugestão e iniciativa do doutorando Erick Alves Pereira Lopes Filho (Museu Nacional/UFRJ), um ativo coletor e colaborador do HUNI, ao perceber que muitas coletas realizadas por alunos, dentro de atividades didáticas da disciplina de Vegetais Criptogâmicos do curso de Ciências Biológicas da UNIRIO, não tinham identificação. A partir do seu contato com o Prof. Dr. Denilson F. Peralta, do Instituto Botânico de São Paulo (IBt), iniciou-se uma intensa permuta de materiais entre o HUNI e o SP (Herbário Maria Eneyda P. K. Fidalgo do IBt). O saldo foi mais que positivo: conseguimos a identificação das nossas amostras pelo Prof. Denilson, recebemos centenas de amostras de vários estados brasileiros (AC, AL, AM, BA, DF, ES, GO, PA, PE, PR, RJ, RO, SP), mais de 70 amostras do Parque Nacional do Caparaó, em Alto Caparaó (MG) e ainda duas amostras internacionais, uma da Finlândia e outra da Polônia. 

Com a chegada ao HUNI, em 2019, de um microscópio estereoscópico (lupa) com câmera fotográfica acoplada, montamos um projeto de captura de imagens da nossa Coleção de Briófitas. Contatando o pessoal do REFLORA, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, descobrimos que precisaríamos, antes das imagens detalhadas obtidas pela lupa, de uma imagem com o aspecto geral da amostra, com foto da etiqueta, escala de tamanho e de cores. E aí, a colaboração do nosso estagiário Matheus Gimenez Guasti, (aluno do Curso de Bacharelado em Ciências Biológicas/UNIRIO) foi fundamental: ele adaptou um antigo arquivo sem uso em um mini estúdio fotográfico e, assim, conseguimos começar a fotografar o aspecto geral das amostras. Ao mesmo tempo, iniciamos a obtenção de imagens das briófitas com a lupa - estava dada a largada para uma das atividades mais prazerosas do herbário: se surpreender com os detalhes de cada amostra. 

O processo de captura de imagens das briófitas, tanto no mini estúdio adaptado como na lupa, estava num ótimo ritmo, mas com a chegada da pandemia, as atividades presenciais foram interrompidas. Até o momento, conseguimos disponibilizar imagens de, aproximadamente, 20% do acervo de briófitas, que contém pouco mais de 300 amostras. As imagens foram inicialmente disponibilizadas online no REFLORA e agora estão acessíveis também através do formulário de busca do speciesLink.

Através da lupa é possível se deslumbrar com a quantidade de detalhes e beleza contidos em cada uma das amostras: filóides minúsculos e brilhantes dispostos num arranjo minucioso, esporófitos com cápsulas e caliptras nos mais incríveis formatos e em diversas fases de amadurecimento - da sua formação até após a liberação dos esporos. É inacreditável a quantidade de informação contida numa pequena amostra de briófita: tanta minúcia e beleza assim tão escondidas dos olhos. 

Desde nosso ingresso na Plataforma speciesLink, o acesso e utilização do nosso acervo vêm alcançando marcas cada vez maiores: de 2018 até agora, já somamos mais de 6,5 milhões de registros utilizados, o equivalente a ter quase todo nosso acervo com cerca de 6500 amostras consultado mais de mil vezes. E isso porque nosso acervo ainda não está digitalizado. O início da disponibilização de imagens da nossa pequena Coleção de Briófitas é a nossa primeira experiência com digitalização de imagens do acervo e ela tem sido gratificante. Esperamos, com o fim da pandemia e a retomada das atividades presenciais, continuar nosso projeto de fotografar esse incrível mundo invisível e disponibilizá-lo para que todos tenham acesso não apenas à informação de qualidade, mas que também possam se encantar com a beleza em miniatura que estas plantinhas escondem.

Deixamos aqui o nosso "muito obrigada" a todos que fazem parte desta história.

Para maiores informações sobre o HUNI e nosso acervo: http://www.unirio.br/ccbs/ibio/herbariohuni

Algumas das imagens obtidas com lupa, e disponíveis nas plataformas speciesLink e REFLORA, a partir de amostras da Coleção de Briófitas do HUNI. 






9 de ago. de 2021

Evolução qualitativa dos dados da subfamília Andreninae

 Dora Ann Lange Canhos (1), Sidnei de Souza (1) e Eduardo Almeida (2)

(1) CRIA, (2) FFCLRP, USP

Em julho de 2021 foi produzido o novo relatório Lacunas de conhecimento das abelhas no Brasil, relatório rodado a cada semestre desde julho de 2019. Portanto, hoje podemos analisar a evolução qualitativa dos dados disponíveis online na rede speciesLink no período de dois anos. Como exemplo iremos analisar a subfamília Andreninae com 483 espécies no Catálogo de Abelhas Moure, sendo que 374 não têm registro de ocorrência no Brasil e 109 espécies têm referências sobre a sua ocorrência no Brasil.

Sempre de acordo com o Catálogo Moure, o relatório analisa dois grupos de espécies: (1) as espécies que não têm registro de ocorrência no Brasil e (2) as espécies que ocorrem no Brasil.

A ideia de incluir a análise de todas as espécies de abelhas, com ou sem registros de ocorrência no Brasil, é permitir uma análise do próprio Catálogo Moure, o que poderá futuramente auxiliar na análise de espécies que poderão ser incorporadas ao catálogo como com ocorrência no Brasil.

Esse post utilizou os critérios mais inclusivos do Lacunas, ou seja, busca fonética por nomes aceitos e seus sinônimos, de registros com ou sem coordenadas geográficas.

I.  Espécies sem registro de ocorrência no Brasil de acordo com o Catálogo Moure

A ferramenta Lacunas, em julho de 2019 encontrou 10 registros desse grupo com ocorrência no Brasil e 12 em 2021. As 12 espécies encontradas no Lacunas de julho de 2021 com coletas no território nacional são:
  • 5 da tribo Calliopsini: Arhysosage flava Moure, 1958 com 2 registros; Calliopsis hondurasica Cockerell, 1949 com 1 registro; Callonychium flaviventre (Friese, 1906); Callonychium mandibulare (Friese, 1916) com 2 registros e Callonychium minutum (Friese, 1906) com 1 registro.
  • 2 da tribo Oxaeini: Oxaea fuscescens Sichel, 1865 com 1 registro e Oxaea stenocoryphe Moure, 1947, com 1 registro.
  • 5 da tribo Protandrenini: Parapsaenythia paspali (Schrottky, 1909), com 2 registros; Parapsaenythia puncticutis (Vachal, 1909), com 5 registros; Psaenythia demissa Holmberg, 1921, com 3 registros; Psaenythia magnifica Holmberg, 1921, com 1 registro; Psaenythia superba Friese, 1908, com 1 registro.
São informações de possível interesse para os especialistas em abelhas, que poderão avaliar se esses dados de ocorrência estão corretos.

II.  Espécies com registros de ocorrência no Brasil de acordo com o Catálogo Moure

Para essa análise foi utilizado o mesmo critério, a busca fonética, por nomes aceitos e seus sinônimos, de registros com ou sem coordenadas geográficas. A tabela a seguir traz a evolução dos dados das espécies desse grupo.


Em julho de 2019 somente 48,6% das espécies da subfamília Andreninae citadas no Catálogo Moure como tendo ocorrência no Brasil, tinham pelo menos um registro na rede speciesLink. Em dois anos esse número evoluiu para 55%, o que representa um aumento importante e significa que 7 novas espécies passaram a ter registros na rede speciesLink.

III.  Lacunas geográficas

Para as espécies que ocorrem no Brasil, o Catálogo Moure também apresenta as lacunas geográficas, indicando as espécies sem registros por estado.

Comparação entre os meses de Julho de 2019 e Julho de 2020 das lacunas geográficas por estado da união e Distrito Federal

O número de espécies sem registros de ocorrência no estado de São Paulo, aumentou de 13 para 14. A espécie Cephalurgus atriventris (Schrottky, 1906)  passou a ser uma lacuna geográfica para o estado na rede speciesLink. No período analisado, os seguintes estados diminuiram o número de espécies sem registros de ocorrência: Goiás, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. 

Em julho de 2019 não havia registros para a espécie Oxaea flavescens Klug, 1807 no estado de Goiás, sendo que em julho de 2021 essa lacuna não existe mais. A ocorrência dessa espécie em Goiás está documentada no acervo da Coleção Entomológica da Universidade de Brasília (DZUB) com 41 registros de ocorrência. Nesse período também foram integrados os dados do acervo da Coleção de Hymenoptera do Museu da Biodiversidade (HyMB) da Universidade Federal da Grande Dourados que compartilhou imagens de seu acervo. As imagens a seguir são de dois registros da espécie Oxaea flavescens coletadas em Dourados, MS.

Imagens dos registros Hymb00003-A e Hymb00013-A da Coleção de Hymenoptera do Museu de Biodiversidade da Universidade Federal da Grande Dourados, HyMB

Em julho de 2019 não havia registros para as espécies Anthrenoides meridionalis (Schrottky, 1906) e Rhophitulus dubium (Vachal, 1909) no estado de Minas Gerais. Essa lacuna, em julho de 2021, não existe mais.

A ocorrência da espécie Athrenoides meridionalis em Minas Gerais está documentada no acervo da Coleção Entomológica da Universidade de Brasília (DZUB) com 9 registros de ocorrência. O Museu de História Natural de Paris compartilha um holótipo da espécie Rhophitulus dubium com a rede speciesLink.

Imagem do registro EY25566 (holotipo) do MNHN - Museum national d'Histoire naturelle (2020). The Hymenoptera collection (EY) of the Muséum national d'Histoire naturelle (MNHN - Paris).

Em relação ao estado do Paraná, em julho de 2019 não havia registros para as espécies Anthrenoides rodrigoi Urban, 2005 e Psaenythia quadrifasciata Friese, 1908. No relatório Lacunas de julho de 2021 essas lacunas não existem mais.

A ocorrência da espécie Athrenoides rodrigoi no estado do Paraná está documentada no acervo da Coleção Entomológica da Universidade de Brasília (DZUB) com 2 registros de ocorrência com o mesmo local e data de coleta. A ocorrência da espécie Psaenythia quadrifasciata no estado do Paraná também está documentada no acervo da Coleção Entomológica da Universidade de Brasília (DZUB) com 1 registro de ocorrência.

Havia 10 espécies que, de acordo com o Catálogo Moure, ocorrem no estado de Santa Catarina sem registros de ocorrência na rede speciesLink em julho de 2019. No entanto, a ocorrência da espécie Callonychium petuniae Cure & Wittmann, 1990 hoje está documentada nos acervos da Coleção Entomológica da Universidade de Brasília (DZUB) e na Coleção de Abelhas do Museu de Ciência e Tecnologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (MCP-Abelhas), ambas com um registro cada.

No Rio Grande do Sul, em julho de 2019 não havia registros para 8 espécies. O relatório Lacunas de julho de 2021 indica que cinco dessas espécies passaram a ter dados online do acervo da Coleção de Abelhas do Museu de Ciência e Tecnologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (MCP-Abelhas). São elas: 
  • Anthrenoides admirabilis;
  • Anthrenoides francisci;
  • Anthrenoides gibbosus; 
  • Anthrenoides sulinus; e, 
  • Rhophitulus hamatus.
Ao evidenciar as lacunas de dados taxonômicos, geográficos e temporais através da análise dos dados das coleções biológicas integradas à rede speciesLink, espera-se identificar as espécies e estados prioritários para pesquisas e novas coletas, além de incentivar o trabalho das coleções de abelhas do país na digitação e integração de seus dados à rede speciesLink.

Esse trabalho é um produto da Chamada Pública CNPq/MCTIC/IBAMA/Associação ABELHA Nº 32/2017

Linha de Pesquisa: Monitoramento e avaliação da situação das abelhas nativas no Brasil

Instituições parceiras:
  • Centro de Referência em Informação Ambiental (Cria)
  • Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária: – Embrapa Amazônia Oriental (Pará) e Embrapa Meio Ambiente (São Paulo)
  • Museu Nacional – Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
  • Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)
  • Universidade de Brasília (UnB)
  • Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)
  • Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
  • Universidade Federal do Paraná (UFPR)
  • Universidade de São Paulo (USP)

23 de jun. de 2021

GIN TAX - Goiás

Ana Odete Santos Vieira (UEL, INCT-HVFF)


Gincana de identificação e atualização de nomes de espécies coletadas em Goiás



Ao longo dos Congressos Nacionais de Botânica, sempre é costume a abertura dos acervos do(s) herbário(s) dos municípios que sediam os eventos, para visitas e estudo dos especialistas. Muitos exemplares são identificados nesta atividade, enriquecedora tanto para os especialistas quanto para as coleções.

Os herbários virtuais, integrando imagens das coleções on-line, vêm sendo organizados e ampliados nos últimos anos. Recentemente, passaram a ser objeto de estudo por especialistas, direcionados em ações como a comemoração do Dia da Botânica e as Gincanas de Identificação Virtual do Herbário VIES, que ocorreram em 2020.

Devido à atual situação da pandemia de Covid-19, que levou o 71º Congresso Nacional de Botânica, sediado em Goiás, para a modalidade virtual, os herbários de Goiás não poderão contar com a visita de especialistas aos seus acervos, no período do evento. Diante disso e das experiências positivas obtidas nas ações de identificação virtual mencionadas, propõe-se a realização de uma gincana para identificação e correção de dados de espécimes coletados no Estado de Goiás, com imagens online. 

Assim, estamos propondo a GIN TAX - Goiás, para incentivarmos os botânicos a conhecerem mais sobre as coleções e a flora e funga deste Estado. Sabemos que nem todas as imagens poderão ser identificadas, assim também será uma forma dos especialistas reconhecerem exemplares que merecerão outros estudos no futuro.

PERÍODO

26 de junho (8h) até 1º de julho de 2021 (18h) – horários de Brasília.

OBJETIVO

Ampliar o número de registros de coletas do estado de Goiás identificados corretamente nos herbários.

FORMAS DE PARTICIPAÇÃO

Os botânicos poderão enviar suas identificações ou atualizações como anotação ao registro disponível na rede speciesLink https://specieslink.net/search através da ferramenta “anotação” disponível junto a cada registro. Dessa forma, mesmo que os dados ainda não tenham sido atualizados pelos herbários, os usuários terão acesso às anotações com as novas identificações.

Se não forem usar o speciesLink, os botânicos poderão submeter suas identificações ou atualizações por meio do formulário Google.

PREMIAÇÃO

Serão premiados com livros os três botânicos que efetuarem o maior número de correções e/ou identificações no período da gincana. O resultado da premiação será anunciado na sexta-feira, dia 2 de Julho de 2021.

Também serão sorteados exemplares de livros, na sexta-feira, dia 2 de julho de 2021, entre todos os participantes da GIN TAX - Goiás.

REALIZAÇÃO:

71º Congresso Nacional de Botânica

APOIO:

Herbário VIES – Universidade Federal do Espírito Santo

INCT – Herbário Virtual da Flora e dos Fungos do Brasil

CRIA – Centro de Referência em Informação Ambiental

Segue um passo-a-passo de como contribuir nessa ação de identificação de espécimes online.

1.      O primeiro passo ao acessar a página de busca da rede speciesLink (https://specieslink.net/search/) é clicar na opção “Entrar” na barra superior azul para se cadastrar no sistema ou para digitar o seu email e senha. Somente pessoas cadastradas podem usar a ferramenta de Anotações.

2.      Uma vez cadastrado e “logado” no sistema, abra o formulário de busca.

3.      Escolha como parâmetros de busca: estado=Goiás; rede=INCT – HVFF; Base de Registro = espécime preservado; e imagens = com imagens.

4.      Faça a busca e abre a opção NÚMEROS e verá o seguinte resultado, ou algo semelhante, uma vez que a rede speciesLink é uma base dinâmica com a entrada diária de novos dados.



São 67 conjuntos de dados com cerca de 116 mil registros com amostras coletadas em Goiás, com imagens associadas aos dados. São 2.395 registros identificados até o nível de família; 11,6 mil até gênero, mais de 101 mil registros identificados até espécie e 158 sem qualquer identificação.

5.      Supondo que você é especialista do gênero Mimosa. Voltando ao formulário de busca, no campo nome científico digite Mimosa embranco, além de manter os outros elementos da busca. A seguir é apresentada uma imagem do formulário preenchido.


O sistema recuperou 192 registros de 18 conjuntos de dados que atenderam esses critérios de busca.

Analisando os números em relação a duplicatas (coletor + número de coleta + data de coleta iguais), o sistema achou 13 duplicadas nesse conjunto de dados e 34 com toda a rede que podem auxiliar no processo de identificação.

6.      Clique na opção REGISTROS para analisar os registros encontrados

7.      Ao analisar um registro específico, basta clicar na opção nova anotação logo abaixo do registro, lembrando novamente que o usuário precisa estar cadastrado. O sistema devolverá o seguinte formulário a ser preenchido e enviado:

As opções de assunto são nome científico, identificação, geografia e outros. Faça a sua anotação e clique em ENVIAR. Sua anotação será enviada ao curador responsável por aquele registro e será anexada ao registro online como anotação.