28 de jul. de 2023

Catálogo de Abelhas Moure 2022, speciesLink e sistema Lacunas

Equipe do CRIA

O Catálogo Moure para as espécies de abelhas neotropicais, versão 2022, coordenado pelo Prof. Gabriel A. R. Melo, foi atualizado online com novas informações taxonômicas, publicadas no período de 2011 a 2021.

O Catálogo Moure agora apresenta a distribuição das espécies por estados e municípios. O sistema Lacunas de conhecimento das abelhas no Brasil compara a distribuição indicada no Catálogo Moure com os registros de ocorrência de abelhas na rede speciesLink (Fig.1).

Figura 1. Mapa da distribuição da espécie Aparatrigona impunctata no Catálogo Moure e na rede speciesLink


Figura 2. Imagem da espécie Aparatrigona impunctata espécie analisada na Fig.1 (Fonte: Fototeca Cristiano Menezes, speciesLink, 2023)

É importante ressaltar a diferença entre a abrangência geográfica apresentada pelo Catálogo Moure e a do Sistema Lacunas. O Catálogo Moure apresenta como escopo geográfico a região neotropical, por país, estado e município. Utiliza como fonte as informações taxonômicas publicadas. O Sistema Lacunas associa aos nomes científicos do Catálogo Moure, os dados de ocorrência de espécies coletadas/observadas no Brasil, usando dados da rede speciesLink, que tem como fonte, registros de espécimes em coleções biológicas e fototecas. Essas duas fontes são então comparadas para identificar possíveis lacunas de dados ou do conhecimento das abelhas do Brasil.

O Sistema Lacunas tem por objetivo auxiliar a comunidade científica na priorização das espécies a serem pesquisadas, coletadas, digitadas e integradas à rede speciesLink. O Sistema Lacunas usa um banco de dados resultante do cruzamento de todas as espécies do Catálogo de Abelhas Moure com os dados de ocorrência dessas espécies no Brasil, integrados à rede speciesLink.

O sistema Lacunas abelhas foi lançado em julho de 2019, e até o relatório Lacunas de julho de 2021, foi utilizado o Catálogo Moure versão 2012 como referência. A partir de abril de 2022, o relatório Lacunas passou a adotar o Catálogo Moure versão 2022 como referência.

As tabelas a seguir apresentam o número de espécies por subfamília citadas nos Catálogos Moure de 2012 e de 2022 em números totais, número de espécies que não ocorrem no Brasil e o número de espécies que, de acordo com o Catálogo Moure, ocorrem no Brasil. 

Tabela 1. Número de espécies citadas nos Catálogos Moure 2012 e 2022, classificadas de acordo com a sua ocorrência no Brasil


A diferença do número de espécies nos dois Catálogos mostra a evolução do conhecimento sobre as abelhas neotropicais por subfamília.

Tabela 2. Número de novas espécies incluídas no Catálogo Moure versão 2022


São 375 novas espécies incluídas na versão 2022 do Catálogo Moure, um aumento de 7%. Analisando as espécies que ocorrem no Brasil, o aumento foi superior a 10%.

O CRIA agradece ao Prof. Gabriel Melo pelo trabalho e compartilhamento dos dados do Catálogo Moure para a sua publicação online. Também agradecemos às equipes das coleções biológicas que compartilham seus dados com a rede speciesLink e assim possibilitam desenvolver esse sistema que ressalta as lacunas de dados e/ou conhecimento sobre as abelhas no Brasil.

Por fim, agradecemos o apoio dado ao projeto Consolidação da e-infraestrutura de dados abertos sobre a diversidade das abelhas nativas do Brasil que contou com o financiamento do CNPq, MCTIC, IBAMA e a Associação Brasileira de Estudo das Abelhas (A.B.E.L.H.A.) e ajudou a viabilizar esse trabalho.

11 de jul. de 2023

speciesLink, Mapbiomas, INCT-HVFF e filtros da Flora e Funga do Brasil: ferramentas para a restauração ambiental

O INCT-HVFF (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia - Herbário Virtual da Flora e dos Fungos) iniciou seus trabalhos como rede virtual no ano de 2008, sendo o CRIA responsável pela manutenção e desenvolvimento contínuo do sistema de informação on-line com dados dos herbários (rede speciesLink) e das ferramentas para visualização e uso dos dados. Graças ao apoio sem interrupção ao longo desses anos, o número e a qualidade dos registros de ocorrência de espécies botânicas vem aumentando. São mais de 12,6 milhões de registros de mais de 150 mil espécies distintas, todas de acesso livre e aberto.

A rede speciesLink associa, a cada registro, informações sobre o nome científico, indicando se é um nome aceito, sinônimo, ambíguo ou não encontrado nas listas de referência utilizadas. Atualmente são utilizadas as seguintes referências para nomes botânicos: Algaebase, MycoBank, Flora e Funga do Brasil e GBIF.

Como produto do projeto "Informação digital de herbários para a restauração florestal na Amazônia Oriental", em parceria com a Embrapa Amazônia Oriental e financiamento do CNPq, novas informações da Flora e Funga do Brasil foram associadas aos registros botânicos da rede speciesLink. Foram indexados dados sobre endemismo (sim ou não), origem (nativa, naturalizada, cultivada) e forma de vida (erva, arbusto, árvore, etc.).

Para o uso dessas novas informações, novos filtros foram acrescentados ao formulário de busca e novos inventários foram desenvolvidos e podem ser produzidos online para esses campos. 

É possível, por exemplo, buscar registros de ocorrência de espécies arbóreas endêmicas do Brasil e nativas da Amazônia e expressar o resultado em números (Fig. 1). 

Figura 1. Busca por registros de ocorrência de espécies arbóreas nativas e endêmicas do Brasil, coletadas no bioma  Amazônia, com o resultado expresso em números (Fonte speciesLink, 10/07/2023).

O resultado indica que a rede speciesLink oferece 46.706 registros de 2.677 espécies arbóreas nativas e endêmicas do Brasil no bioma Amazônia. Mantendo esses critérios de busca e acrescentando mais dois critérios: espécies coletadas em áreas naturais da Amazônia que hoje são áreas antrópicas (interface com o MapBiomas) obtém-se uma potencial lista de espécies arbóreas nativas e endêmicas que podem ter sido afetadas pela mudança na cobertura e uso do solo, mas que também podem ser importantes para a restauração dessas áreas antropizadas.

Figura 2. Busca por espécies arbóreas nativas e endêmicas, coletadas em áreas naturais no bioma Amazônia, cujos pontos de coleta em 2021 são áreas antrópicas (Fonte: MapBiomas Col. 7.1, 1985 - 2021, speciesLink, 10/07/2023).

Como o critério utilizado é o ano de coleta, essa busca está restrita às coletas realizadas entre 1985 a 2021, período da análise do MapBiomas. O resultado dessa busca expresso em números apresenta 916 registros de 326 espécies de 731 coletas distintas, indicando que 110 registros são de espécies ameaçadas de extinção (Fig. 3).

Figura 3. Resultado da busca por espécies arbóreas nativas e endêmicas, coletadas em áreas naturais no bioma Amazônia, cujos pontos de coleta em 2021 são áreas antrópicas expresso em números (Fonte: speciesLink, 10/07/2023).

A Figura 4 a seguir, apresenta um inventário das espécies arbóreas nativas e endêmicas, coletadas em áreas naturais no bioma Amazônia, cujos pontos de coleta em 2021 são áreas antrópicas,indicando o número de registros recuperados para cada espécie na rede speciesLink.


Figura 4. Espécies arbóreas endêmicas e nativas da Amazônia, cuja coleta foi realizada em áreas naturais que em 2021 se tornaram áreas antrópicas (Fonte: speciesLink, 10/07/2023).

A partir dessas ferramentas, especialistas podem selecionar as espécies mais adequadas para a restauração de áreas degradadas nos diferentes biomas brasileiros ou para escalas menores, com a utilização de alguns filtros clássicos de coleta do speciesLink (estado, município, unidade de conservação, ou terra indígena).

Esses novos filtros fornecem ferramentas que podem facilitar o trabalho de análise de especialistas na seleção de espécies para a recuperação de áreas antropizadas, entre outros possíveis usos que serão revelados por nós e pelos usuários à medida que as ferramentas forem utilizadas.

Na era do Antropoceno, num mundo cada vez mais modificado pelas atividades humanas, o CRIA acredita que dados e ferramentas como essas, de acesso livre e aberto, serão preciosas para várias pesquisas científicas comprometidas com a restauração ambiental.

Como sempre, toda crítica e sugestões são bem-vindas.

Equipe do CRIA


1 de jun. de 2023

Evento na UFMG discute as coleções biológicas e divulga a integração dos dados das plataformas speciesLink e MapBiomas

 João Renato Stehmann

O Centro de Coleções Taxonômicas da UFMG (CCT-UFMG) comemorou seus oito anos de existência no dia 26 de maio pp, realizando um workshop para discutir as ações de documentação e difusão do conhecimento sobre Biodiversidade. O evento contou com palestras e mesas-redondas incumbidas de discutir tópicos relacionados às coleções biológicas.

O CCT-UFMG se destaca como o maior repositório de amostras da biodiversidade de Minas Gerais e um dos maiores do Brasil, possuindo 26 coleções e um número estimado de cerca de dois milhões de organismos. Cerca de 20% do acervo encontra-se digitalizado e grande parcela desse montante está disponibilizada na plataforma speciesLink do Centro de Referência em Informação Ambiental - CRIA.

A palestra de abertura intitulada “Coleções biológicas, speciesLink e MapBiomas: tudo em todo lugar ao mesmo tempo”, proferida pela Dra. Dora Canhos, diretora de Projetos do CRIA, enfatizou a integração de dados do speciesLink com a base de dados da plataforma MapBiomas, uma novidade que permite a análise das mudanças da paisagem ocorridas de 1985 a 2021 nos locais onde as amostras foram coletadas. A ferramenta permite verificar se a vegetação onde muitos registros foram coletados ainda é a mesma ou se foi substituída, podendo representar nestes casos a extinção de populações associadas ao local de registro. A novidade foi objeto de muita discussão e possivelmente terá muitos usos a partir de sua divulgação.

As mesas-redondas versaram sobre as experiências de digitalização de diferentes acervos (Botânicos, Microbiológicos e Paleontológicos) e sobre a documentação existente sobre a biodiversidade das áreas verdes da UFMG, que são importantes no contexto da cidade. Além das palestras e mesas-redondas, houve exposição de pôsteres e sorteio de livros. O evento contou com a presença de 67 participantes, em sua maioria da UFMG, mas com destaque para representantes da PUC-Minas, Fiocruz, Universidade Estadual de Minas Gerais e Empresas de Consultoria e Gestão Ambiental.



18 de abr. de 2023

Novo relatório na saída "INVENTÁRIO" da rede speciesLink

 Equipe do CRIA

Na interface de busca da rede speciesLink, graças à parceria com o MapBiomas, os usuários da rede speciesLink agora podem produzir um inventário do uso e cobertura da terra nos pontos das coletas realizadas entre 1985 a 2021 das suas coleções ou no resultado da sua busca. 

Usaremos como exemplo o Herbário Pe. Camille Torrend - URM de fungos herborizados, que possui cerca de 93 mil registros online. A figura a seguir mostra o resultado da busca do acervo representado na rede speciesLink em NÚMEROS.



São mais de 8.500 espécies distintas. No entanto, para a análise dos dados do MapBiomas, só são utilizados os dados com coordenadas originais, portanto não são utilizadas as coordenadas obtidas por georeferenciamento automático por município. Ainda, como o MapBiomas possui dados de uso e cobertura da terra de 1985 a 2021, as coletas realizadas antes de 1985 ou depois de 2021 também não são consideradas.

Ao selecionar INVENTÁRIO como opção para visualizar o resultado da busca e optando por visualizar o uso e cobertura da terra no ano da coleta, o sistema encontra informações para 8.507 registros do acervo URM, representados no gráfico e tabela a seguir



O gráfico indica que a maioria das coletas foram feitas em áreas de formação florestal, seguida de pastagem, áreas urbanizadas, formação savânica e em áreas com mosaico de usos, conforme os dados de uso e cobertura da terra do MapBiomas, coleção 7. A tabela indica o número de registros para cada tipo de uso e cobertura da terra.



Trata-se, portanto, de mais um elemento para análise dos dados de acervos específicos ou do resultado de qualquer busca realizada no speciesLink, seja por país, regiões, estados, municípios, biomas ou unidades de conservação. 

Como sempre, toda crítica ou sugestão é bem vinda. 

13 de abr. de 2023

Sustentabilidade com o Google - Amazônia

O CRIA, representado por sua diretora Dora Canhos, foi convidado para participar do evento "Sustentabilidade com o Google: ajudando a preservar a Amazônia e a construir um futuro mais sustentável". O evento foi realizado no dia 04 de abril de 2023 na cidade de Belém, no Pará. 

Google está apoiando várias iniciativas no uso de tecnologias e inovação, em particular inteligência artificial e aprendizado de máquina, para combaterem o desmatamento, capacitarem comunidades locais e indígenas e promoverem a bioeconomia na floresta amazônica brasileira. Essas iniciativas foram apresentadas no evento. 

Patrícia Florissi, diretora do escritório do Chief Technology Officer (CTO), Google Cloud, primeiro anunciou as ações junto ao MapBiomas, que utiliza a plataforma de análise geoespacial o Earth Engine e o Looker, convidando Tasso Azevedo, Coordenador Geral do MapBiomas para apresentar alguns de seus produtos. MapBiomas é um parceiro muito importante para o CRIA que agora conta com os dados de uso e cobertura da terra, MapBiomas coleção 7, acessíveis através da interface de busca da rede speciesLink.

Em seguida Patrícia apresentou o apoio dado ao CRIA na migração de todos os seus sistemas públicos de informação para a nuvem do Google Cloud. Apresentou também a nova fase do projeto que está estudando o uso de computação virtual, baseada em modelos de inteligência artificial, para pré-classificar imagens de espécimes em herbários, cujo processo será validado por uma rede de taxonomistas, do país e do exterior, participantes do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia – Herbário Virtual da Flora e dos Fungos (INCT-HVFF).


Imagens de exsicatas da rede speciesLink

Para mais informações sobre o evento, acesse o Blog do Google Brasil Sustentabilidade com o Google: ajudando a preservar a Amazônia e a construir um futuro mais sustentável

30 de mar. de 2023

speciesLink e MapBiomas

Equipe do CRIA

É com enorme satisfação que comunicamos a inclusão dos dados de uso e cobertura da terra do MapBiomas (Coleção 7) à rede speciesLink. A importância do MapBiomas, responsável pelo mapeamento anual da cobertura e uso da terra, é notória. Assim como é a rede speciesLink na integração de dados de ocorrência de espéces. Outra característica importante dessas iniciativas é o trabalho em rede e seus objetivos. 

O MapBiomas tem como propósito “Revelar as transformações do território brasileiro por meio da ciência, com precisão, agilidade e qualidade, e tornar acessível o conhecimento sobre a cobertura e o uso da terra, para buscar a conservação e o manejo sustentável dos recursos naturais, como forma de combate às mudanças climáticas”.

A rede speciesLink tem por objetivo fomentar a pesquisa, a educação e a formulação de políticas para promover a conservação e o uso sustentável da biodiversidade.

Os resultados alcançados também contaram com a participação de equipes do ICMBio, no Grupo de Trabalho da Biodiversidade, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia – Herbário Virtual da Flora e dos Fungos (INCT-HVFF) e sua rede de herbários, do Google Cloud Platform no apoio técnico e concessão de créditos para o uso da plataforma e do apoio financeiro do Instituto Clima e Sociedade (iCS), uma organização filantrópica que apoia projetos e instituições dedicadas ao enfrentamento das mudanças climáticas no Brasil.

A primeira etapa do projeto envolveu a inclusão dos dados de uso e cobertura da terra do MapBiomas (1985 a 2021) como metadados em cada registro da rede speciesLink, coletado no Brasil, com coordenadas originais (informadas pelo provedor de dados). Como resultado, na visualização do registro online, é apresentado um diagrama com o histórico de uso e cobertura da terra do ponto da coleta no período de 1985 a 2021. No sistema online, ao passar o mouse no diagrama o usuário identifica o uso e cobertura da terra em cada ano.

A figura da exsicata do herbário do Cenargen mostra o registro da espécie Lessingianthus venosissimus coletada em Luziania, Goiás em 2003 em área de formação campestre que, a partir de 2004, passou a ser área de plantio de soja. 


Na interface de busca do speciesLink foi implementado um filtro para uso dos dados do MapBiomas coleção 7, destacado na figura a seguir.


O usuário pode optar por buscar os diferentes usos e cobertura da terra pelo ano da coleta do espécime (entre 1985 a 2021) ou pela coordenada da coleta nos diferentes anos dos mapas apresentados, inclusive comparando diferentes situações de cobertura da terra em áreas Naturais ou Antrópicas entre 1985 a 2021. Portanto pode recuperar registros coletados em áreas naturais que em 2021 são antrópicas. 

A seguir são apresentados dois exemplos de busca. A primeira inclui espécies botânicas coletadas entre 1985 e 2021 em áreas naturais do bioma Amazônia (A) que em 2021 são áreas antrópicas (B).


                                                   A                                                             B
Nesse exemplo a busca (A) recuperou 308.540 registros de 15.518 espécies distintas e a busca (B) 32.705 registros de 5.677 espécies distintas. Pode-se concluir que 10,6% dos registros e 36,5% das espécies foram potencialmente afetadas pela perda de área natural.

No segundo exemplo a seguir, foram incluídos todos os registros cuja coordenada de coleta se encontra em áreas naturais em 1985, independente do ano de coleta (A) e que em 2021 são áreas antrópicas (B).


                                                    A                                                             B
Nesse exemplo, a busca (A) recuperou 655.595 registros de 27.863 espécies distintas e a busca (B) 84.442 registros de 9.518 espécies distintas. Pode-se concluir que 13% dos registros e 34% das espécies foram potencialmente afetadas pela perda de área natural.

Esses são alguns exemplos. Pedimos que os usuários interessados testem essa interface e apresentem suas críticas e sugestões entrando em contato com a equipe através do email: contato@cria.org.br 

Obrigada!

Equipe do CRIA

Link para a interface de busca da rede speciesLink: https://specieslink.net/search

Link para o site do MapBiomas: https://mapbiomas.org









31 de jan. de 2023

Novidades no speciesLink

 Equipe do CRIA

Em dezembro de 2022 anunciamos a integração dos mapas da Coleção 7 do MapBiomas, sobre a transformação do uso e cobertura da terra entre 1985 a 2021, na interface de busca da rede speciesLink. Esses dados são usados como filtros na busca por registros de ocorrência de espécies. É importante lembrar que só são indexados com os dados do MapBiomas os registros com coordenadas geográficas originais, portanto com coordenadas informadas pelo provedor de dados. Pouco mais de 8,2 milhões de registros atendem esse critério.

No post de dezembro, também procuramos explicar o processo de indexação de cada registro da rede, mostrando a transformação do uso e cobertura da terra entre 1985 a 2021 no ponto de coleta, indicando o ano de coleta. A figura a seguir apresenta um local de coleta que até 1993 era uma formação florestal que, a partir de 1994, passou a ser pastagem. O registro mostra que a coleta em 2011 foi realizada em uma área de pastagem.


A novidade agora é a possibilidade de buscar registros que atendem os critérios de uso da terra no ano da coleta dos espécimes. A busca por espécimes coletados ou observados em áreas naturais é obtida usando como filtro o Ano da Coleta e as categorias de uso da terra de áreas naturais, segundo dados do MapBiomas.


O sistema recuperou mais de 2 milhões de registros de coletas realizadas entre 1985 e 2021 com coordenadas originais. O usuário também pode visualizar a quantidade de registros na rede speciesLink com coletas em diferentes áreas naturais.

 A mesma busca foi feita para áreas antrópicas, com a recuperação de mais de 1,3 milhão de registros. As duas tabelas com a quantidade de registros por uso e cobertura da terra no ano da coleta são apresentadas a seguir.


Esperamos que essa ferramenta possa atender novas demandas de análise e uso dos dados. Por favor usem essas ferramentas e mandem suas críticas e sugestões para speciesLink@cria.org.br

23 de jan. de 2023

Novas ideias para a rede speciesLink

Recentemente o CRIA foi provocado a pensar numa ideia de projeto que pudesse ter grande impacto, tendo como ponto de partida a rede speciesLink em seu estágio atual. Ou seja, sem deixar de fazer e de continuar melhorando o que já fazemos bem. Por outro lado, a ideia deveria ser capaz de expandir os horizontes da rede speciesLink, talvez alcançando novos públicos, talvez ampliando os tipos de dados com os quais já trabalhamos, talvez incorporando estratégias que possibilitem um influxo muito maior de dados, criando condições para novas aplicações e análises.

Gostaríamos de envolver toda a comunidade nesse tipo de discussão, e nesse sentido preparamos uma pesquisa que encontra-se aberta a todos que possam participar: https://forms.gle/3rHzXdM2MYu2PT5o9 Se você tem boas ideias, não deixe de compartilhar conosco!

Quem sabe a gente consiga encontrar uma forma de torná-la realidade.


Novidade na rede speciesLink

Esse post tem por objetivo informar sobre o uso dos dados do backbone taxonômico do GBIF (GBIF Backbone Taxonomy) que utiliza os dados do Catálogo da Vida para a classificação superior completa, acima das famílias. O CRIA checa o gênero e indica a classificação desde o reino até o gênero proposto pelo GBIF em um campo específico. Os dados enviados pelos provedores de dados não são alterados.

A seguir apresentamos um exemplo de um registro da rede speciesLink, indicando a classificação do GBIF:



Esperamos que essa nova referência possa facilitar o trabalho de correção e atualização dos nomes científicos pelos curadores.

Obrigada e um ótimo 2023 para todos nós!

Equipe do CRIA


15 de dez. de 2022

Novidade na interface de busca da rede speciesLink

 

 Sidnei de Souza, Renato De Giovanni e Dora Ann Lange Canhos - CRIA

É com enorme satisfação que anunciamos que a coleção 7 do MapBiomas sobre uso e cobertura da terra a partir de imagens de satélite está online na interface de busca da rede speciesLink como novo filtro geográfico. São 37 anos mostrando o processo de conversão de vegetação nativa em áreas antrópicas. De acordo com o MapBiomas, “as alterações causadas pela ação do Homem entre 1985 e 2021 correspondem a um terço de toda área antropizada do país. Nesse período, o Brasil passou de 76% de cobertura da terra de vegetação nativa (florestas, savanas e outras formações não florestais), para 66%. Por outro lado, a área ocupada por agropecuária cresceu de 21% para 31% do país, com destaque para o crescimento de 228% das áreas de agricultura e que agora representam 7,4% do território nacional”. 

A coleção 7 do MapBiomas apresenta os mapas de uso da terra dos anos, de 1985 a 2021. Para cada ano o usuário pode escolher o tipo de uso e cobertura da terra que deseja analisar. A figura a seguir mostra as opções existentes, tanto para áreas naturais, como antrópicas.


Uma busca na rede speciesLink por registros botânicos coletados no bioma Cerrado em áreas que em 1985 eram naturais, retorna cerca de 428 mil registros de aproximadamente 17,5 mil espécies distintas. A mesma busca em áreas naturais do Cerrado em 2021, retorna cerca de 388 mil registros de 17 mil espécies distintas. 

A interface também permite fazer a mesma busca comparando diferentes anos e diferentes usos do solo. Podemos, por exemplo, buscar espécies coletadas em áreas do cerrado que eram naturais em 1985 e que são pastagens em 2021. Essa busca recuperou mais de 26 mil registros de mais de 5 mil espécies distintas. A mesma busca substituindo o mapa de uso do solo em 2021 de pastagem para plantação de soja retorna cerca de 6 mil registros de mais de 2 mil espécies distintas. Os resultados são um indicativo de como a biodiversidade pode ser afetada com a mudança do uso e cobertura da terra.

Para viabilizar esse tipo de busca, cada registro com coordenadas originais consistentes foi indexado com os dados do MapBiomas. Portanto, cada um apresenta a informação sobre o histórico do uso da terra do local da coleta, indicando o ano de coleta.


Passando o mouse no diagrama de uso e cobertura da terra para esse registro, vimos que o mesmo foi coletado em 1995 um uma área de formação savânica que em 2002 e 2003 era um mosaico de agricultura e pastagem e que, a partir de 2004, é uma área de plantação de soja.

Gostaríamos muito de receber o feedback dos usuários em relação ao uso e usabilidade do sistema. Esse tipo de busca responde alguma pergunta? Que outras perguntas podem ser atendidas? Como seria a melhor forma de mostrar o resultado da busca?

Como sempre, toda sugestão e comentários são bem vindos. Envie seus comentários para speciesLink@cria.org.br.

O desenvolvimento desse trabalho é fruto da parceria do CRIA com o MapBiomas e conta com a doação de recursos do Instituto Clima e Sociedade (iCS).



25 de ago. de 2022

Mais um artigo sobre a experiência do INCT-Herbário Virtual da Flora e dos Fungos

 Dora Ann Lange Canhos

A equipe responsável pela coordenação do Herbário Virtual da Flora e dos Fungos, um dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia, liderada nesta publicação pela Maria Regina de V. Barbosa, publicou o resumo do trabalho preparado para o simpósio "A Global Collections Network: building capacity and developing community" promovido pelo TDWG 2022 na Bulgária.

O título do trabalho é:
"Building Networks to Promote Knowledge of Brazil’s Biodiversity: The experience of the INCT - Virtual Herbarium"

com autoria de: 

Maria Regina de V. Barbosa, Ana Odete Vieira, Ariane L Peixoto, Dora Ann Lange Canhos, João R Stehmann, Mariângela Menezes e Leonor C Maia.

O trabalho foi publicado no: Biodiversity Information Science and Standards 6: e91462. https://doi.org/10.3897/biss.6.91462.

Boa Leitura!

Para quem ainda não assistiu, o INCT também apresenta um novo vídeo sobre 
"Boas práticas na produção de imagens" 

oferecido pela:

  • professora Maria Candida Henrique Mamede, curadora do Herbário do Estado "Maria Eneyda P. Kaufmann Fidalgo" do Instituto de Botânica de São Paulo, 
  • com a produção e edição de Caio Herique Mamede.

Boa Aula!



20 de ago. de 2022

São Paulo School of Advanced Science on Sustainable and Inclusive Amazon (SPSAS)

 Carlos A. Joly

The objective of this SPSAS is to provide young post-docs with a multi and interdisciplinary vision, including the vision of indigenous and traditional populations, of the main problems that have historically hindered sustainable development, conservation, and social inclusion in the Amazon Basin, as well as to discuss the existing alternatives and jointly build new proposals for the solutions to these problems.

The SPSAS Sustainable and Inclusive Amazon will take place from November 21th to December 4th in a Hotel/Resort in the countryside of the State of São Paulo, that allows isolation from the urban and day-to-day hustle, promoting a greater focus and strong interaction between all participants.

The course will be based on lectures, discussions, work groups, and the development of a draft paper with a problem-solving perspective, where groups of students will be challenged to create scenarios for a certain issue/situation, to be defined by each group, or offered by the teachers. Through this challenge, students should develop possible scenarios/visions, indicate what data is required, and what models are available or need to be developed to test the scenarios. Participants will interact with renowned scientists, seeking the solution to the challenges presented in a multidisciplinary and multicultural context.

The program will be divided into 3 main axes:

Axis 1 - The Amazonian territory and its sustainability

Axis 2 - Amazonians as protagonists of biodiversity conservation and climate change mitigation

Axis 3 - The Amazon and its inhabitants in harmony with its environment and the Sustainable Development Goals (SDG)

Who can apply: SPSAS Amazon is for early career researchers that have earned his/her PhD from 2015 onward. Exceptionally PhD candidates (graduate students, currently registered in the last year of their Doctoral/PhD courses), can also be accepted. We encourage applications from students from different academic disciplines (natural, social, and human sciences, engineering, communication) provided their academic work and study is related to the themes of the school and related topics.

Application deadline: August 31th, 12:00 (GTM-03)

To promote the diversity of the School’s participants, equity in ethnic and gender representation will also be considered.

Expected number of students: 90

  • 15 From the Brazilian Amazon Post Docs/Doctoral candidates who did their undergraduate studies in the Amazon Region.
  • 15 Post Docs/PhD from AMAZONIA COUNTRIES (Bolivia, Colombia, Ecuador, Guyana, French Guyana, Peru, Suriname and Venezuela). 
  • 15 Post Docs/Doctoral Fellows from OTHER REGIONS OF BRAZIL 
  • 30 Post Docs from Institutions from the state of São Paulo (usually FAPESP requires 50% from São Paulo Institutions)
  • 15 Post Docs from OTHER COUNTRIES. 

More information including the full program and how to apply is available at https://spsas-amazonia.biota.org.br/.


19 de ago. de 2022

Novo filtro por uso e cobertura da terra no speciesLink

Renato De Giovanni

Como produto da parceria CRIA/MapBiomas, patrocinada pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS), a rede speciesLink oferece uma nova possibilidade de filtragem em sua interface de busca com base no uso e cobertura da terra. Os dados são provenientes do MapBiomas, uma iniciativa pioneira que desde 2015 vem produzindo mapas anuais da cobertura e uso da terra no Brasil através de uma rede colaborativa de ONGs, universidades e startups de tecnologia.

Nesta versão inicial, é possível filtrar os registros disponíveis na rede speciesLink por categoria de uso e cobertura da terra nos anos 1985 e/ou 2020 da coleção 6 do MapBiomas. Apenas registros coletados no Brasil e georreferenciados na origem são considerados. As categorias disponíveis para filtragem são as mesmas da legenda do MapBiomas, que estão divididas em dois grandes grupos: áreas naturais, com subcategorias como formação florestal, formação savânica, rios, lagos, mangue, entre outros, e áreas antropizadas, com subcategorias como pastagem, mineração, agricultura, etc. É possível utilizar dois filtros simultâneos, permitindo buscas, por exemplo, por registros coletados em locais onde em 1985 havia cobertura natural mas que em 2020 o mesmo local encontra-se antropizado.

Novo filtro por uso e cobertura da terra.

A visualização dos resultados em mapa agora oferece também a possibilidade de ativar camadas de sobreposição relativas ao uso e cobertura da terra, permitindo selecionar o ano e as categorias desejadas. Registros do speciesLink coletados no Brasil e georreferenciados na origem agora incluem informações sobre as categorias de uso e cobertura da terra.

Novas camadas de sobreposição com base no uso e cobertura da terra.

Nas próximas versões os dados do MapBiomas na rede speciesLink deverão ser atualizados para a nova coleção 7, a ser lançada no final de agosto de 2022. Também serão incorporados os mapas de todos os anos intermediários. Além disso, em breve, os dados da rede speciesLink também estarão disponíveis através da interface do MapBiomas.

Tratando-se de uma versão inicial, ideias e sugestões são sempre bem-vindas! Esperamos, com esta nova funcionalidade, estimular novas pesquisas e diferentes tipos de busca unindo dados de biodiversidade a dados de uso e cobertura da terra.

17 de ago. de 2022

Artigo sobre a rede speciesLink

Dora Ann Lange Canhos


Em outubro de 2021 recebemos o convite do Prof. Carlos A. Joly, coordenador do programa Biota-Fapesp, para escrever um artigo sobre a rede speciesLink para um volume especial da revista Biota Neotropica, em comemoração aos 60 anos da Fapesp. 

Membros da equipe do CRIA participaram do grupo responsável pela formulação da proposta do programa Biota para a Fapesp entre 1996 a 1999. No início do programa, fomos responsáveis pelo desenvolvimento da primeira versão do SinBiota e da revista Biota Neotropica. Assim, foi com muito entusiasmo que recebemos esse convite para escrever sobre a rede speciesLink, cujo desenvolvimento teve início em 2001, graças ao apoio da Fapesp.

Como o próprio nome indica, a rede speciesLink é uma rede de provedores de dados, usuários e de vários colaboradores no Brasil e no exterior. Queríamos que o artigo refletisse esse trabalho em rede. Portanto, para escrever sobre o speciesLink foi criada uma “rede” de autores do Brasil e do exterior.

O artigo está disponível online: Biota Neotropica, Volume 22, Issue: spe, Published: 2022: 


Aproveito a oportunidade para agradecer a todos os provedores de dados que disponibilizam seus dados, informações e conhecimento de acesso livre e aberto e a todos os usuários que contribuem para o avanço da rede com suas críticas, sugestões e conhecimento. Por fim, agradeço cada autor desse trabalho, sem os quais esse resultado não seria alcançado. Os autores apresentados em ordem alfabética são:
  • A. Townsend Peterson, University of Kansas, Lawrence, Kansas, USA.
  • Ana Lucia Assad, Associação Brasileira de Estudos das Abelhas, São Paulo, SP, Brasil.
  • Arthur David Chapman, Australian Biodiversity Information Services, Melbourne, Australia.
  • Barbara Thiers, New York Botanical Garden, Bronx, New York, USA.
  • Dora Ann Lange Canhos, CRIA, Campinas, SP, Brasil
  • Eduardo A. B. Almeida, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, SP, Brasil.
  • Gil Nelson, Integrated Digitized Biocollections, Gainesville, Florida, USA.
  • João Renato Stehmann, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil.
  • José Rubens Pirani, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil.
  • Joseph T. Miller, Global Biodiversity Information Facility, Copenhagen, Denmark.
  • Leonor Costa Maia, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, PE, Brasil.
  • Lúcia Garcez Lohmann, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil.
  • Mercedes Maria da Cunha Bustamante, UnB, Brasília, DF, Brasil.
  • Renato De Giovanni, CRIA, Campinas, SP, Brasil.
  • Sidnei de Souza, CRIA, Campinas, SP, Brasil.
  • Vanderlei Perez Canhos, CRIA, Campinas, SP, Brasil.
  • Vera Lúcia Imperatriz-Fonseca, Universidade de São Paulo, SP, Brasil.

Boa leitura!