14 de nov. de 2023

Herbário da Unitins comemora 18 anos de contribuição para o avanço do conhecimento sobre a diversidade da flora tocantinense

 Ao longo de quase duas décadas, cerca de 10 mil amostras de plantas foram coletadas nos diferentes ecossistemas do Tocantins

(Artigo publicado em 10/11/2023 no Portal de Notícias da UNITINS - Ruy Bucar)

Pesquisador Eduardo Ribeiro, no laboratório do Herbário, contribuindo com a descoberta de novas variedades de plantas (Fotos: Nonato Silva/Dicom Unitins)


O Herbário da Universidade Estadual do Tocantins (UNITINS) completou 18 anos de existência no dia 10 de novembro pp, com muitos motivos para comemorar. Ao longo desse período de quase duas décadas, o HUTO desenvolveu uma série de pesquisas que foram fundamentais para revelar a verdadeira diversidade da flora tocantinense e coletou amostras de plantas que formam o seu acervo.

O professor e pesquisador Eduardo Ribeiro, coordenador do HUTO, conta um pouco a saga do Herbário da UNITINS, que deu origem a outro antes de conquistar um espaço definitivo na estrutura da Universidade. O pesquisador relembra que no dia 17 de janeiro de 2005 foi coletada a primeira amostra de planta que iria dar início ao acervo. Desde então já foram catalogadas mais de dez mil amostras de plantas nos diferentes ecossistemas do Tocantins, que hoje integram a coleção científica do Herbário.

“O HUTO foi o segundo herbário criado no Estado do Tocantins, sendo que o primeiro, o Herbário do Tocantins (HTO), implantado em 1992, na então Unitins, Câmpus de Porto Nacional, com a criação da Universidade Federal do Tocantins (UFT) foi incorporado ao acervo da instituição”, relata Eduardo Ribeiro, que defende que o HUTO cumpre um papel relevante, constituindo-se num importante instrumento de registro histórico da vegetação do estado do Tocantins.

Ribeiro aponta que o Estado vem passando por um acelerado processo de modificação da sua vegetação, o que, segundo ele, pode ocasionar no desaparecimento de espécies de plantas. “Ampliar os esforços de coletas botânicas para o HUTO, torna-se imprescindível para que se tenha catalogada essa diversidade de plantas do Tocantins, antes que seja tarde”, alerta o pesquisador.

Parceria

Em 2011 aderiu ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) Herbário Virtual da Flora e dos Fungos (INCT-Herbário Virtual), financiado pelo CNPq, sediado na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Através dessa parceria com INCT-Herbário Virtual, o HUTO tem recebido apoio através da disponibilização de equipamentos de informática e de bolsa de apoio técnico, contribuído no processo de informatização da coleção e na melhoria da qualidade dos dados, que são disponibilizados de modo livre e aberto a qualquer interessado, podendo ser acessado através do link https://specieslink.net/col/HUTO/. Em 2015 o HUTO foi registrado no Index Herbariorum (IH) gerenciado pelo New York Botanical Garden (NYBG), com sede nos Estados Unidos.

Novas descobertas

As expedições de coletas botânicas para o HUTO têm contribuído com a descoberta de espécies novas, o que significa que elas ainda eram desconhecidas pela ciência, a exemplo de duas espécies encontradas recentemente, como a Symphyllophyton gradatum e a Symphyllophyton strictifolium, consideradas endêmicas no Tocantins e que estão depositadas no HUTO. Ribeiro conta que tais espécies estão classificadas como criticamente em perigo de extinção.

“Através de coletas botânicas para o HUTO, foram feitas importantes descobertas para a flora tocantinense. Como os primeiros registros para o estado do Tocantins, podemos destacar a Monteverdia rigida uma planta típica da região da Caatinga; a Cereus adelmarii considerada endêmica do estado do Mato Grosso; a Stachytarpheta integrifolia até então considerada endêmica do estado de Goiás; a Phragmipedium vittatum ameaçada de extinção e a Griffinia nocturna espécie ameaçada de extinção no mais alto nível de classificação”, relata Eduardo Ribeiro, que defende que a ampliação do esforço de coletas botânicas para o Herbário se torna importante para que se tenha um diagnóstico o mais real possível da biodiversidade florística do Tocantins.

Ribeiro observa que estas coletas são indispensáveis para se entender o estado de conservação dessas espécies, bem como identificar o potencial de usos sustentável quer seja para fins farmacológicos, alimentícios, paisagísticos ou outras possibilidades de usos.

Apoio ao Ensino

O Herbário tem sido importante no desenvolvimento de pesquisas científicas na área da Botânica, mas também tem sido útil no apoio às atividades de ensino do curso de Engenharia Agronômica de UNITINS, além de receber visitas de estudantes de outras instituições de ensino superior, a exemplo do Instituto Federal do Tocantins (IFTO), Centro Universtiário Católica do Tocantins (UniCatólica) e Centro Universitário Unitop. Como atividade de extensão, o HUTO recebe visitas de estudantes dos níveis fundamental e médio de todo o Estado, como forma de promover a popularização do conhecimento científico.

Durante as visitas, os estudantes têm oportunidade de conhecer as espécies que compõem a flora tocantinense, sua importância, as pesquisas botânicas desenvolvidas na instituição e a importância do herbário na documentação da flora e na conservação da biodiversidade.

“É com grande alegria que celebramos os 18 anos do Herbário da UNITINS, pois sabemos que é uma importante ferramenta para a pesquisa e estudos acadêmicos de alunos e pesquisadores que podem dispor desse vasto material para ser utilizado em pesquisas, principalmente do que temos aqui no nosso Estado. Agradeço imensamente o professor Eduardo Ribeiro, pela coordenação do projeto e toda sua equipe pelo excelente trabalho desenvolvido”, declara a vice-reitora, professora Darlene Teixeira Castro.

Acervo de plantas fossilizadas

Além de documentar a diversidade da flora atual do Tocantins, o HUTO dispõe ainda de um importante acervo composto por amostras de plantas fossilizadas que representam a flora passada. Trata-se de uma flora já extinta, que ocorreu no Período Permiano da Era Paleozóica, que remonta a um período entre 250 a 295 milhões de anos passados, que ocorre no Monumento Natural das Árvores Fossilizadas do Tocantins (MONAF), situado no município de Filadélfia (TO).

O que é um herbário?

Um herbário é como se fosse uma biblioteca, só que em vez de livros, no caso do herbário, essa biblioteca é composta de plantas devidamente coletadas e preparadas seguindo técnicas científicas. Nos herbários, as plantas são armazenadas na forma de exsicatas, que vão compor o acervo, servido para retratar a diversidade vegetal de uma determinada região.

O herbário permite a documentação permanente da diversidade florística de uma determinada região, sendo importante para retratar a composição de áreas que se modificam ao longo do tempo, seja pela ação antrópica ou por efeitos de perturbações naturais, que alteram a cobertura vegetal.





7 de nov. de 2023

O papel do speciesLink no INCT-HVFF

 Equipe do CRIA

No dia 31 de outubro de 2023, o CRIA apresentou a palestra “Sistema de Indexação e a Interface de Busca da rede speciesLink” no 73º. Congresso de Botânica em Belém. A seguir apresentamos alguns pontos levantados.

A rede speciesLink tem por objetivo:

  • Viabilizar a participação plena das coleções biológicas, mantendo sua total autonomia sobre seus dados;

  • Aumentar a qualidade, valor, uso e usabilidade dos dados;

  • Fomentar a pesquisa, educação, conservação e recuperação de áreas degradadas e oferecer dados e informações de qualidade conhecida para a formulação de políticas públicas; e,

  • Dar projeção ao papel e à importância das coleções biológicas.

As ações do CRIA incluem:

  • Receber e servir dados de ocorrência de espécies, de forma livre, aberta e online,
  • Viabilizar a participação plena das coleções biológicas

    • A coleção utiliza o software de sua preferência

    • O CRIA aceita diferentes processos de envio dos dados

    • Oferece auxílio no mapeamento dos dados para o padrão DarwinCore

    • Oferece um helpdesk para atendimento às coleções

  • Prover as ferramentas para avaliar a qualidade dos dados

  • Prover as ferramentas para busca, recuperação e visualização dos dados

  • Garantir que qualquer alteração do registro é feita pela coleção, no seu sistema local, portanto os registros somente são alterados no speciesLink quando a coleção atualiza os seus dados online.

A palestra tratou da qualificação do nome científico e das coordenadas geográficas dos registros enviados pela coleção que têm por objetivo indicar a qualidade do dado e aumentar o seu uso e usabilidade. 

Como qualificador do nome científico, cada registro recebe uma etiqueta indicando seu status taxonômico: aceito, sinônimo, ambíguo, não encontrado, só gênero. O status taxonômico é um dos filtros disponíveis na interface de busca da rede speciesLink.



As listas taxonômicas utilizadas como referência para as coleções botânicas da rede speciesLink são Algaebase, MycoBank, Flora e Funga do Brasil e GBIF Backbone Taxonomy. As listas são atualizadas a cada 6 meses e todos os registros botânicos são reindexados.

Outra característica associada ao nome é se a espécie é endêmica do Brasil, sua origem (nativa, naturalizada ou cultivada) e sua forma de vida (arbusto, árvore, trepadeira, etc.), extraídos da Flora e Funga do Brasil. Essas características também são buscáveis na rede speciesLink.



Também foram demonstrados os filtros geográficos da rede speciesLink como países, regiões, estados, municípios, biomas, divisão hidrográfica, unidades de conservação, terras indígenas, além do uso dos dados de Uso e Cobertura da Terra – MapBiomas Col. 7.1.

A apresentação deu destaque à busca por espécies arbóreas  nativas cujo ponto de coleta em 1985 estava em área natural do estado do Pará e que, em 2021, está em área antropizada. Trata-se de uma comparação antes e depois. O resultado das buscas nos dois anos, 1985 e 2021 foi apresentado comparando os mapas a seguir.



Foi também apresentado o seguinte quadro com os números da perda potencial.


A interface de busca também produz diversos inventários, como uma lista e gráficos das espécies recuperadas. O gráfico a seguir apresenta o inventário com o número de registros online das espécies de árvores nativas que potencialmente foram afetadas por essa mudança de uso e cobertura da terra. Esses dados podem, sempre com o conhecimento de especialistas,  auxiliar o trabalho de seleção das espécies para a recuperação de áreas degradadas.



Outro indicador apresentado foi o número de registros e imagens do INCT-HVFF utilizadas a partir de 2012, quando esse indicador foi lançado. 



O ano de 2023 indica um uso médio de 169 milhões de registros e de 85 mil imagens por dia. O salto enorme do número de registros utilizados entre 2020 e 2023, cerca de 530 milhões/ano para cerca de 51 bilhões/ano se deve ao apoio do Google com a doação de créditos para o uso do Google Cloud Platform e alocação de sua equipe para auxiliar o CRIA, não só no uso da plataforma, mas também no processamento das mais de 4 milhões de imagens em um curto espaço de tempo. Também houve uma mudança do software utilizado no banco de dados, que possibilitou a busca e recuperação de registros de forma muito mais rápida.

Aproveitamos para novamente agradecer a RNP pelo apoio prestado ao CRIA que incluiu nossa participação na rede COMEP, a transferência dos equipamentos do CRIA ao IDC (Internet Data Center) em Brasília e a transferência de todos os sistemas públicos do CRIA ao CDC (Centro de Dados Compartilhados) em Recife. A RNP continua desempenhando um papel central na rede speciesLink, que é a ligação internet entre os institutos de pesquisa e universidades participantes da rede.

Por fim, durante o simpósio também anunciamos a integração dos dados e imagens do acervo de coletas realizadas na América do Sul do herbário Kew à rede speciesLink. A imagem a seguir apresenta o Herbário K em números e um painel com algumas imagens associadas.


No evento também foi anunciada a integração de imagens do acervo do Missouri Botanical Garden no speciesLink. São imagens de alta resolução que certamente irão auxiliar trabalhos de pesquisa e educação.



Acreditamos que uma melhor compreensão do processo de indexação dos registros e do uso da interface de busca possa incrementar o uso dos dados e imagens do speciesLink, além de estimular novas demandas.

Finalizamos ressaltando a importância do INCT-HVFF (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia - Herbário Virtual da Flora e dos Fungos), uma parceria de centenas de herbários e instituições de pesquisa do país e do exterior, envolvendo milhares de pesquisadores, e o CRIA. Trata-se de um programa do CNPq que estimula o trabalho de cooperação científica em redes nacionais e internacionais. Os resultados alcançados também refletem o apoio financeiro recebido desde 2008.

Websites:

23 de out. de 2023

BRAHMS, CRIA and speciesLink

 Denis Filer, Senior Research Associate
Department of Biology, University of Oxford

The BRAHMS project has worked with CRIA for many years, facilitating the transfer of data between BRAHMS and speciesLink. This CRIA website has grown into a tremendous national repository of online biodiversity data, a hugely valuable resource for curators and researchers across Brazil and elsewhere.
Logging into the Portuguese version of Brahms

BRAHMS v7 included a function to export specimen data in a format suitable for speciesLink uploads. This older version of BRAHMS, while still widely used in Brazil, has now been superseded by a modernised technology system, v8. With this new version, we are actively working with CRIA to make sure all data transfers are further streamlined and simplified.

Another handy new feature in BRAHMS v8 is the ability to configure the Web Links toolbar. You can now register any website you wish and add search parameters as appropriate. The example provided here is for speciesLink. Search links can be based on a number of parameters, typically the Genus and Species name or the catalogue number for the current record. In either of these cases, the result is a dynamic link to speciesLink, with listings for the current species or specimen being displayed and updated as you browse through your data grid.

The Web Links toolbar is configured to include a direct link to speciesLink

The data grid here has a single filter applied for the genus Virola. The Web Link connection uses the genus + species names - but could equally use the specimen catalogue number.


The Web Links editor on the BRAHMS Management menu includes options to select icons and toolbar text; add the URL with search parameters using any data fields from the relevant table; set whether the link is personal or shared; and choose the tables the Web Link is associated with. Any text inside "< >" is converted to an actual data value, for example, Virola%20multinervia.

The new BRAHMS v8 system is now licensed by Oxford University Innovation (OUI). OUI are aware that many herbaria including those of Brazil have limited budgets and often no budget for software. While the system still has to be licensed and paid for, OUI have developed a perpetual license scheme to avoid recurring fees.

Data migration from v7 to the new system is automated. If you would like to see the new BRAHMS in action with your own data updated from v7, you can email BRAHMS@biology.ox.ac.uk. 

Further information about recent developments can be found on
https://herbaria.plants.ox.ac.uk/bol/brahms/News and in the newsletter article ‘Innovations and project

3 de ago. de 2023

A presença do CRIA e parceiros no evento Diálogos Amazônicos

 

Equipe do CRIA

Os Diálogos Amazônicos são eventos que ocorrem em Belém no período de 4 a 6 de agosto, e têm por objetivo contribuir para a formulação de novas estratégias de desenvolvimento da região, em bases sustentáveis. Os resultados dos debates nos Diálogos serão apresentados aos líderes dos países amazônicos, que irão se reunir nos dias 8 e 9 de agosto na Cúpula da Amazônia, que visa promover a cooperação entre as nações amazônicas, principalmente no combate a mudanças climáticas e na conservação e uso sustentável da biodiversidade.

O CRIA, no dia 05 de agosto, apresentará a rede speciesLink, infraestrutura que apoia o compartilhamento de dados e informações em biodiversidade por cerca de 200 instituições do Brasil e do exterior, inclusive por algumas localizadas na Amazônia.

No evento serão destacadas as parcerias com:

  • Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia – Herbário Virtual da Flora e dos Fungos

  • Embrapa Amazônia Oriental

  • MapBiomas

  • Uma Concertação pela Amazônia


Essas instituições  buscam, de forma colaborativa e em rede, tornar o conhecimento científico componente estruturante de iniciativas de pesquisa, preservação, conservação, restauração e uso sustentável da biodiversidade, tendo como princípio a ciência aberta.

As principais funcionalidades do speciesLink serão apresentadas, buscando mostrar como o sistema contribui para a gestão da biodiversidade, inclusive  no que se refere aos impactos das mudanças da cobertura e uso da terra sobre a diversidade de plantas, animais e microorganismos, aspectos a serem considerados na formulação de políticas públicas, ações de restauração de áreas degradadas e no fomento de novas pesquisas e atividades educacionais.

O evento não será transmitido online, mas pretendemos divulgar seus resultados no Blog do CRIA. Convidamos todos que estiverem em Belém para participar do evento e, dessa forma, contribuir para o debate.


Evento: Rede speciesLink: infraestrutura digital de e-ciência, de acesso livre que integra dados e informações sobre biodiversidade e uso e cobertura do solo na Amazônia e PanAmazônia.

Data: Sábado, 05 de agosto de 2023 das 14h às 16h

Local: Universidade Federal do Pará (UFPA) - Sala PB5 (Bloco P Básico)

     

28 de jul. de 2023

Catálogo de Abelhas Moure 2022, speciesLink e sistema Lacunas

Equipe do CRIA

O Catálogo Moure para as espécies de abelhas neotropicais, versão 2022, coordenado pelo Prof. Gabriel A. R. Melo, foi atualizado online com novas informações taxonômicas, publicadas no período de 2011 a 2021.

O Catálogo Moure agora apresenta a distribuição das espécies por estados e municípios. O sistema Lacunas de conhecimento das abelhas no Brasil compara a distribuição indicada no Catálogo Moure com os registros de ocorrência de abelhas na rede speciesLink (Fig.1).

Figura 1. Mapa da distribuição da espécie Aparatrigona impunctata no Catálogo Moure e na rede speciesLink


Figura 2. Imagem da espécie Aparatrigona impunctata espécie analisada na Fig.1 (Fonte: Fototeca Cristiano Menezes, speciesLink, 2023)

É importante ressaltar a diferença entre a abrangência geográfica apresentada pelo Catálogo Moure e a do Sistema Lacunas. O Catálogo Moure apresenta como escopo geográfico a região neotropical, por país, estado e município. Utiliza como fonte as informações taxonômicas publicadas. O Sistema Lacunas associa aos nomes científicos do Catálogo Moure, os dados de ocorrência de espécies coletadas/observadas no Brasil, usando dados da rede speciesLink, que tem como fonte, registros de espécimes em coleções biológicas e fototecas. Essas duas fontes são então comparadas para identificar possíveis lacunas de dados ou do conhecimento das abelhas do Brasil.

O Sistema Lacunas tem por objetivo auxiliar a comunidade científica na priorização das espécies a serem pesquisadas, coletadas, digitadas e integradas à rede speciesLink. O Sistema Lacunas usa um banco de dados resultante do cruzamento de todas as espécies do Catálogo de Abelhas Moure com os dados de ocorrência dessas espécies no Brasil, integrados à rede speciesLink.

O sistema Lacunas abelhas foi lançado em julho de 2019, e até o relatório Lacunas de julho de 2021, foi utilizado o Catálogo Moure versão 2012 como referência. A partir de abril de 2022, o relatório Lacunas passou a adotar o Catálogo Moure versão 2022 como referência.

As tabelas a seguir apresentam o número de espécies por subfamília citadas nos Catálogos Moure de 2012 e de 2022 em números totais, número de espécies que não ocorrem no Brasil e o número de espécies que, de acordo com o Catálogo Moure, ocorrem no Brasil. 

Tabela 1. Número de espécies citadas nos Catálogos Moure 2012 e 2022, classificadas de acordo com a sua ocorrência no Brasil


A diferença do número de espécies nos dois Catálogos mostra a evolução do conhecimento sobre as abelhas neotropicais por subfamília.

Tabela 2. Número de novas espécies incluídas no Catálogo Moure versão 2022


São 375 novas espécies incluídas na versão 2022 do Catálogo Moure, um aumento de 7%. Analisando as espécies que ocorrem no Brasil, o aumento foi superior a 10%.

O CRIA agradece ao Prof. Gabriel Melo pelo trabalho e compartilhamento dos dados do Catálogo Moure para a sua publicação online. Também agradecemos às equipes das coleções biológicas que compartilham seus dados com a rede speciesLink e assim possibilitam desenvolver esse sistema que ressalta as lacunas de dados e/ou conhecimento sobre as abelhas no Brasil.

Por fim, agradecemos o apoio dado ao projeto Consolidação da e-infraestrutura de dados abertos sobre a diversidade das abelhas nativas do Brasil que contou com o financiamento do CNPq, MCTIC, IBAMA e a Associação Brasileira de Estudo das Abelhas (A.B.E.L.H.A.) e ajudou a viabilizar esse trabalho.

11 de jul. de 2023

speciesLink, Mapbiomas, INCT-HVFF e filtros da Flora e Funga do Brasil: ferramentas para a restauração ambiental

O INCT-HVFF (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia - Herbário Virtual da Flora e dos Fungos) iniciou seus trabalhos como rede virtual no ano de 2008, sendo o CRIA responsável pela manutenção e desenvolvimento contínuo do sistema de informação on-line com dados dos herbários (rede speciesLink) e das ferramentas para visualização e uso dos dados. Graças ao apoio sem interrupção ao longo desses anos, o número e a qualidade dos registros de ocorrência de espécies botânicas vem aumentando. São mais de 12,6 milhões de registros de mais de 150 mil espécies distintas, todas de acesso livre e aberto.

A rede speciesLink associa, a cada registro, informações sobre o nome científico, indicando se é um nome aceito, sinônimo, ambíguo ou não encontrado nas listas de referência utilizadas. Atualmente são utilizadas as seguintes referências para nomes botânicos: Algaebase, MycoBank, Flora e Funga do Brasil e GBIF.

Como produto do projeto "Informação digital de herbários para a restauração florestal na Amazônia Oriental", em parceria com a Embrapa Amazônia Oriental e financiamento do CNPq, novas informações da Flora e Funga do Brasil foram associadas aos registros botânicos da rede speciesLink. Foram indexados dados sobre endemismo (sim ou não), origem (nativa, naturalizada, cultivada) e forma de vida (erva, arbusto, árvore, etc.).

Para o uso dessas novas informações, novos filtros foram acrescentados ao formulário de busca e novos inventários foram desenvolvidos e podem ser produzidos online para esses campos. 

É possível, por exemplo, buscar registros de ocorrência de espécies arbóreas endêmicas do Brasil e nativas da Amazônia e expressar o resultado em números (Fig. 1). 

Figura 1. Busca por registros de ocorrência de espécies arbóreas nativas e endêmicas do Brasil, coletadas no bioma  Amazônia, com o resultado expresso em números (Fonte speciesLink, 10/07/2023).

O resultado indica que a rede speciesLink oferece 46.706 registros de 2.677 espécies arbóreas nativas e endêmicas do Brasil no bioma Amazônia. Mantendo esses critérios de busca e acrescentando mais dois critérios: espécies coletadas em áreas naturais da Amazônia que hoje são áreas antrópicas (interface com o MapBiomas) obtém-se uma potencial lista de espécies arbóreas nativas e endêmicas que podem ter sido afetadas pela mudança na cobertura e uso do solo, mas que também podem ser importantes para a restauração dessas áreas antropizadas.

Figura 2. Busca por espécies arbóreas nativas e endêmicas, coletadas em áreas naturais no bioma Amazônia, cujos pontos de coleta em 2021 são áreas antrópicas (Fonte: MapBiomas Col. 7.1, 1985 - 2021, speciesLink, 10/07/2023).

Como o critério utilizado é o ano de coleta, essa busca está restrita às coletas realizadas entre 1985 a 2021, período da análise do MapBiomas. O resultado dessa busca expresso em números apresenta 916 registros de 326 espécies de 731 coletas distintas, indicando que 110 registros são de espécies ameaçadas de extinção (Fig. 3).

Figura 3. Resultado da busca por espécies arbóreas nativas e endêmicas, coletadas em áreas naturais no bioma Amazônia, cujos pontos de coleta em 2021 são áreas antrópicas expresso em números (Fonte: speciesLink, 10/07/2023).

A Figura 4 a seguir, apresenta um inventário das espécies arbóreas nativas e endêmicas, coletadas em áreas naturais no bioma Amazônia, cujos pontos de coleta em 2021 são áreas antrópicas,indicando o número de registros recuperados para cada espécie na rede speciesLink.


Figura 4. Espécies arbóreas endêmicas e nativas da Amazônia, cuja coleta foi realizada em áreas naturais que em 2021 se tornaram áreas antrópicas (Fonte: speciesLink, 10/07/2023).

A partir dessas ferramentas, especialistas podem selecionar as espécies mais adequadas para a restauração de áreas degradadas nos diferentes biomas brasileiros ou para escalas menores, com a utilização de alguns filtros clássicos de coleta do speciesLink (estado, município, unidade de conservação, ou terra indígena).

Esses novos filtros fornecem ferramentas que podem facilitar o trabalho de análise de especialistas na seleção de espécies para a recuperação de áreas antropizadas, entre outros possíveis usos que serão revelados por nós e pelos usuários à medida que as ferramentas forem utilizadas.

Na era do Antropoceno, num mundo cada vez mais modificado pelas atividades humanas, o CRIA acredita que dados e ferramentas como essas, de acesso livre e aberto, serão preciosas para várias pesquisas científicas comprometidas com a restauração ambiental.

Como sempre, toda crítica e sugestões são bem-vindas.

Equipe do CRIA