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19 de set de 2016



Sistema de Informação Científica sobre Abelhas Neotropicais 

Texto: Kátia Aleixo 

 

Nova ferramenta apresenta listas sobre o conhecimento atual da fauna de abelhas nos estados brasileiros 

 

 

O Sistema de Informação Científica sobre Abelhas Neotropicais, plataforma de pesquisa lançada pela A.B.E.L.H.A. em parceria com o CRIA, apresenta uma nova ferramenta que facilita o acesso ao conhecimento sobre a ocorrência das abelhas brasileiras através da geração de listas das espécies de acordo com a distribuição geográfica nos estados do país. Para cada um dos estados brasileiros é apresentada uma lista de espécies de abelhas conhecidas, separadas por Subfamília e Tribo. Ao clicar na espécie de interesse, o usuário terá acesso às informações disponíveis nos demais sistemas que compõe a plataforma de pesquisa.

São raros os trabalhos que tratam sobre as espécies de abelhas de cada um dos 26 estados brasileiros e Distrito Federal. As listas geradas pela ferramenta poderão auxiliar na elaboração de programas conservacionistas, servindo como base para apresentar o atual conhecimento sobre a fauna apícola em cada estado, bem como em quais lugares ainda são necessárias amostragens e levantamentos para aumentar o conhecimento sobre a riqueza de abelhas no Brasil. As listas, integradas às informações geradas pelas demais fontes que compõem o Sistema de Informação Científica sobre Abelhas Neotropicais, também serão úteis em estudos sobre interações entre as abelhas e plantas das diversas regiões do Brasil, estudos taxonômicos em um contexto histórico-biogeográfico e composição de guias de conservação.

Fonte científica


A ferramenta utiliza o Catálogo de Abelhas Moure como fonte de informação sobre a distribuição geográfica de abelhas neotropicais nos estados brasileiros. Para a composição do Catálogo Moure, os dados de distribuição geográfica foram extraídos de artigos e revisões taxonômicas, catálogos, levantamentos faunísticos e também de espécimes depositados em coleções biológicas.

A nova ferramenta está disponível em: abelha.cria.org.br/list.

9 de ago de 2016

Uso dos dados da rede speciesLink


Pesquisa on-line sobre o uso dos dados e perfil do usuário




Com o apoio da Fapesp, em outubro de 2001 teve início o desenvolvimento da rede speciesLink com objetivos muito ambiciosos:

  1. Desenvolver e implantar um sistema distribuído de informação sobre biodiversidade integrando coleções biológicas do estado de São Paulo com os dados do SinBiota (Biota/Fapesp) e da rede americana Species Analyst (uma das primeiras redes on-line com dados de coleções biológicas);
  2.  Desenvolver e implementar modelos matemáticos para previsão de distribuição geográfica de espécies, usando como entrada os dados obtidos da rede speciesLink;
  3. Desenvolver aplicativos específicos para a resolução de problemas em biodiversidade e meio ambiente, tais como estudos de espécies invasoras, mudanças climáticas, proteção de espécies ameaçadas, planejamento de áreas de conservação, entre outros, utilizando os dados do sistema distribuído (objetivo 1) e os modelos de distribuição geográfica de espécies (objetivo 2) e torná-las disponíveis através da Internet, para a comunidade científica, comunidade educacional, formuladores de políticas ambientais e tomadores de decisão na área de conservação ambiental.
Desenvolvido inicialmente para integrar registros de 12 coleções biológicas do Estado de São Paulo, ao final de 4 anos o sistema integrava dados de 39 coleções de São Paulo e os dados do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. A partir de 2006 o escopo geográfico da rede speciesLink foi ampliado com a integração dos dados da rede paranaense Taxonline e dos dados repatriados de amostras brasileiras depositadas nos Jardins Botânicos de Nova Iorque e Missouri. 

O segundo objetivo foi atendido com o desenvolvimento da plataforma para modelagem do nicho ecológico de espécies openModeller (openmodeller.sourceforge.net), iniciado nesse projeto e, a partir de 2005, desenvolvido em parceria com o INPE e a Poli/USP com o apoio da Fapesp.

A infraestrutura de dados e ferramentas computacionais da rede speciesLink serviu de base para o desenvolvimento do INCT - Herbário Virtual da Flora e dos Fungos (INCT-HVFF) com o apoio do CNPq e da SIColNet (Sistema de Informação de Coleções de Interesse Biotecnológicos) com o apoio do CNPq e Finep, possibilitando integrar dados de novos acervos além do desenvolvimento de novas ferramentas e aplicativos, disponíveis on-line a todos os interessados. As estatísticas de uso dos dados da e-infraestrutura (www.splink.org.br/showUsage) mostram que em 2015, mais de 478 milhões de registros foram utilizados, sendo que até o início de agosto de 2016, já são mais de 370 milhões de registros.

Voltando ao objetivo 3 do projeto inicial de desenvolvimento da rede speciesLink, será que o sistema está realmente sendo utilizado pelo público alvo - a comunidade científica, comunidade educacional, formuladores de políticas ambientais e tomadores de decisão na área de conservação ambiental?

No final de março de 2016, com o apoio da OCSDNet (Open and Collaborative Science in Development Network), o CRIA lançou uma pesquisa on-line para identificar o perfil do usuário da rede speciesLink e a finalidade do uso dos dados. Até o dia 05 de agosto foram obtidas 505 respostas cuja análise é apresentada a seguir.

 

Perfil do usuário

 

Baseado nas 505 respostas tem-se:

  • 94% são residentes do Brasil;
  • Cerca de 50% dos usuários têm doutorado ou são doutorandos, 29% têm mestrado ou são mestrandos, 19% têm nível superior e 2% ensino médio;
  • 52% trabalham em Universidades, 22% em Institutos de Pesquisa, 12% em Instituições Governamentais, 6% no setor privado, 3% em Escolas e 2% em ONGs;
  • das 49 pessoas que indicaram ser do setor privado, 44 são dos setores de consultoria e serviços e 5 da indústria.

Desde o início, o desenvolvimento da rede speciesLink teve como alvo principal equipes envolvidas com a organização e gestão de coleções biológicas, pesquisadores e professores associados a programas de pós-graduação em universidades e institutos de pesquisa. Esse público representa 74% dos usuários que responderam o questionário. Mas é interessante verificar o grande número de usuários de instituições governamentais, do setor privado, escolas e ONGs. Juntos esses setores representam 23% das respostas obtidas, indicando a necessidade de ampliar a colaboração com esses setores para conhecer suas demandas, tornando os dados mais úteis e utilizáveis.

 

Uso dos dados para pesquisa 

 

34% dos usuários que responderam o questionário indicaram a taxonomia/sistemática como principal uso dos dados na pesquisa.

O uso para pesquisa em biogeografia, ecologia e conservação foram também citados com frequência, mas é também importante observar o uso em macroecologia, saúde e mudanças climáticas.

 

Uso dos dados para ensino

 


Uma das principais metas da rede speciesLink é atender novas demandas da comunidade universitária e programas de pós-graduação, principalmente porque a grande maioria das coleções biológicas pertencem a universidades e estão associadas aos cursos de pós-graduação. O resultado da pesquisa on-line sobre o uso dos dados em ensino é apresentado na figura ao lado.




Os resultados da análise refletem o grande uso na área de botânica, certamente resultante do desenvolvimento do INCT-HVFF nos últimos 6 anos. Este resultado é fruto da disponibilidade de mais de 5 milhões de registros on-line de mais de 100 herbários nacionais e 20 do exterior, e das ferramentas e aplicativos que tornam esses dados utilizáveis. Essa rede certamente contribuiu para o fortalecimento da comunidade botânica, uma vez que cerca de 95% dos herbários do INCT-HVFF estão envolvidos com cursos de pós-graduação do país. Acreditamos que a organização e disseminação da própria informação auxilia no processo de troca e apropriação do conhecimento.


Outros usos dos dados

É muito interessante avaliar os outros usos apontados, começando pelas listas de flora, fauna e micota, seguido pelo planejamento de coletas, listas de espécies ameaçadas, estudo de impacto ambiental, além de políticas públicas, gestão ambiental, bioprospecção e biotecnologia.   


Muitas coleções biológicas hoje utilizam os dados e ferramentas disponíveis on-line para priorizar novas coletas e a digitação dos dados.


Voltando ao objetivo inicial da rede speciesLink quanto ao uso:
 

“... desenvolver aplicativos específicos para a resolução de problemas em biodiversidade e meio-ambiente, tais como estudos de espécies invasoras, mudanças climáticas, proteção de espécies ameaçadas, planejamento de áreas de conservação ... para a comunidade científica, comunidade educacional, formuladores de políticas ambientais e tomadores de decisão na área de conservação ambiental. ” 


Tudo indica que estamos no caminho certo, mas é importante ampliar a rede social criada e dar continuidade na manutenção e desenvolvimento contínuo da rede speciesLink para melhor atender às necessidades das diferentes comunidades.
Solicitamos que todos que ainda não responderam à nossa pesquisa que o façam. O formulário está disponível no endereço www.splink.org.br/dataUse?form.